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Mestrado em Estudos Sobre as Mulheres - Género, Cidadania e Desenvolvimento | Master's Degree in Women Studies - TMEMU

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  • O bebé já tem nome?: um olhar feminista sobre práticas de nomeação
    Publication . Pereira, Vanessa Araújo; Joaquim, Teresa
    Os nomes fornecem informação acerca dos princípios, convicções e preceitos culturais das populações (Smith, 1985), revelando «muita coisa, tanto de quem o deu quanto de quem o porta» (Strauss, 1995 cit. in Santos & Santos, 2017, p.12). Esta dissertação pretende analisar até que ponto os processos e práticas de nomeação de crianças registadas em Portugal espelham costumes marcados pela ordem de género dominante, se existe algum grau de consciência acerca da forma como estas estruturas influenciam decisões e práticas, se ocorrem mecanismos intencionais de resistência ou subversão no sentido de atenuar assimetrias ou desigualdades e, ainda, se se observa alguma tendência pela opção de nomes neutros quanto ao género. De natureza qualitativa e centrada na compreensão de significados, recorreu-se à análise temática (Braun & Clark, 2006) para tratar os dados, que foram recolhidos através da aplicação de um questionário. Os resultados, discutidos à luz de paradigmas interpretativos feministas, sugerem que as práticas de nomeação revelam conformidade, consciente ou não, à norma social, traduzida em nomes escolhidos quase sempre em função do sexo da criança e apelidos ordenados de acordo com a valorização do sobrenome paterno, reproduzindo mecanismos de manutenção do poder patriarcal. Estas práticas são, porém, pontuadas por escolhas mais divergentes, que refletem soluções de compromisso ou de conciliação das preferências dos elementos da díade parental, tendo em vista o equilíbrio de poder na tomada de decisão e a presença, em pé de igualdade, de ambas as identidades familiares na composição do nome da criança.
  • Atletas do fisiculturismo: suas narrativas sobre o corpo, beleza e feminilidade
    Publication . Monteiro, Letícia Boratto; Couto, Anabela Galhardo
    A Dissertação tem como finalidade analisar, a partir de uma perspectiva de gênero, as narrativas sobre os corpos femininos no contexto do esporte do fisiculturismo. Em específico, interessa averiguar, analisar e revelar as perspectivas das atletas de fisiculturismo sobre a sua prática, os seus corpos e em particular, sobre o conceito de feminilidade, o qual constitui um dos requisitos de avaliação em competição na Categoria Women’ s Physique. Pretende-se dar visibilidade às atletas e ao esporte. Respaldado nos Estudos de Gênero e Culturais, elaborou-se o estudo, as discussões e as conclusões da pesquisa. Utilizou-se como instrumento de investigação a entrevista semiestruturada com as atletas fisiculturistas da modalidade. A análise das mensagens decorreu segundo a perspectiva de Laurence Bardin. Procedeu-se ao exame dos conteúdos manifestados pelas atletas, a respeito de suas vivências, percurso no esporte e concepções sobre os conceitos de feminilidade e beleza dentro do fisiculturismo, destacando os ideais e estereótipos de feminilidade normatizada que circunscrevem os corpos das mulheres. Por fim, compreende-se que a aparência fortemente musculada das atletas entra em ruptura com as representações historicamente produzidas do feminino, afrontando estereótipos e representações hegemónicas de masculinidade e feminilidade e apontando novas representações, novas referências e novas possibilidades para os corpos das mulheres.
  • Desporto perfeito na infância: a perspetiva da família portuguesa à luz do género
    Publication . Rosa, Anabela Avelar Pequeno; Bäckström, Bárbara; Marques, Susana Ramalho
    A participação no desporto infantil pode ser influenciada pelos estereótipos/preconceitos dos pais/mães e/ou representantes legais das crianças e jovens. Desta forma, atendendo a que o desporto desempenha um papel importante no desenvolvimento físico, social e psicológico das crianças e jovens, importa compreender de que forma as famílias percecionam e incentivam a seleção da modalidade desportiva. Este estudo utilizou métodos de investigação quantitativos, através da aplicação dois questionários, a Escala de Atitudes Pacíficas relativamente ao Género (EAPG) e o Questionário de Comportamentos Parentais no Desporto (QCPD), num único momento temporal. Assim, para a concretização dos objetivos a amostra foi constituída por 406 mães, pais e/ou representantes de crianças com idades compreendidas entre os 6 e os 18 anos, que pratiquem desporto federado há pelo menos um ano. Concluiu-se que os estereótipos de género das mães, dos pais e das/dos representantes legais têm influência na seleção da modalidade desportiva, condicionando as escolhas das crianças e das/dos jovens. Contudo, as mães, os pais e as/os representantes legais das crianças e das/dos jovens que praticam desportos que tradicionalmente não estão associados ao seu género, apresentam menos comportamentos favoráveis à divisão tradicional dos papéis de género. Além disso, as atitudes parentais mais favoráveis à divisão igualitária estão associadas a comportamentos parentais benéficos em relação ao desporto.
  • Direitos sexuais e reprodutivos das mulheres no contexto dos ritos de iniciação femininos “ku khomba” no distrito de Chicualacuala, província de Gaza, Moçambique
    Publication . Intipa Júnior, Constantino Ernesto; Cordeiro, Ana Paula; Sousa, Lúcio
    Esta dissertação investiga o ku khomba, um rito de iniciação feminino praticado pelo grupo etnolinguístico Tsonga-changana no distrito de Chicualacuala, Moçambique, e os seus efeitos nos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Através de uma metodologia qualitativa, o estudo incluiu entrevistas com 10 mulheres submetidas aos ritos de iniciação entre 1970 e 2019, selecionadas por amostragem não probabilística, intencional e em cadeia (“bola de neve”), nas comunidades de Eduardo Mondlane, Mahatlane e Litlatla. Entre as entrevistadas encontram-se: iniciadas, matronas, líderes tradicionais e informadoras-chave. O estudo explora como este ritual, que marca a transição para a vida adulta, perpetua a subordinação feminina e limita o poder de decisão sobre o próprio corpo, sexualidade e saúde. As conclusões apontam que, apesar de conferir certos privilégios sociais, o ku khomba acarreta consequências nefastas, como dificuldades no acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva e traumas psicossociais decorrentes das práticas do ritual. A investigação destaca a tensão entre a preservação cultural e a garantia dos direitos humanos, propondo uma abordagem equilibrada que respeite a tradição e promova o bem-estar das mulheres.
  • Tecnologias de comunicação: novas formas de poder em relações de intimidade
    Publication . Costa, Pedro Miguel Coelho da; Vieira, Cristina Pereira; Cerqueira, Carla
    O aumento da utilização de tecnologias em relações interpessoais, tem mostrado o surgimento de novas formas de relacionamento, trazendo novos impactos às relações de intimidade. A presente dissertação visa analisar de que forma as tecnologias afetam as relações de intimidade, e se destacam para exercer poder e perpetuar relações abusivas. Esta pesquisa de cariz exploratória, adotou uma metodologia qualitativa, onde se analisaram vinte processos-crime de violência doméstica, registados no ano de 2023, envolvendo o uso de tecnologias de comunicação, nos quais a ocorrência se localizava geograficamente no distrito do Porto, em áreas de ação da Guarda Nacional Republicana. Recorreu-se a um instrumento de registo, que categoriza variáveis sociodemográficas, tecnologias envolvidas, motivações de uso, tipos de violência, papel das tecnologias e seus impactos, articulado com a análise das declarações forenses das vítimas e ofensores. O estudo revela que as tecnologias são frequentemente utilizadas como ferramentas de controlo, vigilância, assédio e ameaça nas relações de intimidade. As vítimas, maioritariamente do género feminino, sofrem violência psicológica, acompanhada de violência física e financeira. O estudo aborda o uso de abusivo de tecnologias em relações íntimas, marcado por ciúme, ameaças e vigilância, o que agrava o desequilíbrio de poder. Tal leva em muitos casos à intervenção judicial, a qual se mostra crucial para terminar essas relações, especialmente através de decisões como a proibição de contactos por meios tecnológicos, evidenciando o papel central da justiça na proteção das relações de intimidade.
  • A violência no namoro jovem em São Tomé e Príncipe: impactos e desafios
    Publication . Cruz, Carla Vera; Vieira, Cristina Pereira; Nunes, Catarina S.
    A violência nas relações entre parceiros íntimos tem ganho cada vez mais atenção, tanto no contexto de relações entre pessoas adultas, como nas relações de namoro, entre jovens. E foi neste último contexto que se refletiu o presente estudo, por reconhecer a importância de poder contribuir para um melhor conhecimento deste fenómeno, em São Tomé e Príncipe. E sendo São Tomé e Príncipe um país maioritariamente jovem, entendemos ser relevante compreender a perceção dos/as jovem face as mais diversas formas de violência retratadas pela literatura e perceber como eles e elas vivem as suas relações amorosas em contextos de violência, avaliando se a legitimação e a vitimização estão relacionadas ao género. Deste modo, o presente estudo tem como objetivo geral analisar o grau de incidência da violência no namoro entre os jovens de São Tomé e Príncipe e o nível de entendimento dos mesmos perante as atitudes e situações abusivas. Para o presente estudo foi escolhida a metodologia quantitativa, com a aplicação de inquéritos por questionário no estabelecimento de ensino Liceu Nacional, dada a concentração significativa dos jovens, tendo escolhido uma população juvenil de idades compreendidas entre 14 anos e 19 anos, todos estudantes do 9º ano, 10º ano, 11º ano e 12º ano de escolaridade. O estudo empírico permitiu concluir que na sua essência e maioria, os/as jovens têm presente os comportamentos que configuram abuso, com destaques às atitudes de violência física, sexual e verbal, atendendo que a sua explicitude permite a rápida perceção. Em relação a violência psicológica, a dominação e o controlo, por assumirem nuances de subtileza, nem sempre são de fácil perceção, sendo por isso que embora igualmente repudiada pelos/as jovens inquiridos/as, elas apresentaram níveis ligeiramente inferiores de discordância. Por fim, na violência social, foi notória que existe uma boa perceção e repúdio quando exercido o controlo digital, embora, no que respeita ao controlo físico e atos de dominação, não se verificaram níveis percentuais que representassem mais de metade da população inquirida.
  • O potencial emancipatório da jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos para a efectivação judiciária dos Direitos humanos das mulheres em Portugal
    Publication . Almeida, Rute Carina Cardoso da Silva dos Santos; Duarte, Madalena; Joaquim, Teresa
    Este trabalho pretende, numa visão pragmática feminista, contribuir para a visibilidade de formas do uso estratégico do Direito em matéria de violência doméstica. Assim, investigou-se qualitativa e quantitativamente a jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e dela se extraíram dados estatísticos e elementos de conteúdo. Posteriormente, o conteúdo foi agrupado e, encontradas as obrigações positivas dos Estados em matéria de violência doméstica em cumprimento da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, ensaiou-se a aplicação dos ensinamentos ao contexto jurídico português, com o intuito de ultrapassar alguns dos obstáculos que a literatura lhe identifica no domínio da violência nas relações de intimidade. No primeiro capítulo explora-se o referencial teórico dos Direitos Humanos das Mulheres. No segundo discute-se a possibilidade do Direito ainda oferecer resposta emancipatória e, no terceiro, explora-se a jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e o tratamento que vota à violência doméstica, domínio cujo contexto português se aflora no capítulo subsequente. Desenhada a metodologia e encontrado o corpus no quinto capítulo, o sexto descreve as decisões analisadas e perscruta as grandes linhas que delas emergem. No último capítulo, debate-se a aplicação de tais orientações gerais ao contexto nacional. Os resultados sugerem que a aplicação dos ensinamentos da jurisprudência do Tribunal Europeu ao contexto português, permite efectivar os Direitos Humanos das Mulheres em matéria de violência doméstica ao nivel do quadro legal, da protecção de vítimas, da punição de agressores e da compensação das vítimas.
  • A violência doméstica no seio das mulheres evangélicas em Cabo Verde
    Publication . Silva, Lia Veiga da; Bäckström, Bárbara
    A presente dissertação insere-se no âmbito do Mestrado em “Estudos sobre as Mulheres — Género, Cidadania e Desenvolvimento” pretendendo, identificar violência doméstica no seio das comunidades evangélicas em Cabo Verde. O principal objetivo foi compreender o motivo pelo qual as mulheres evangélicas de Cabo Verde sofrem e aceitam abusos de violência doméstica. Recorreu-se à metodologia quantitativa e qualitativa, através da aplicação de questionários a uma amostra de 55 mulheres pertencentes às comunidades das igrejas evangélicas em Cabo Verde. Foram ainda realizadas entrevistas a informantes privilegiados e a algumas destas mulheres da nossa amostra. As entrevistas desempenharam um papel fundamental na obtenção de dados qualitativos, permitindo que os/as participantes expressassem as suas experiências e pontos de vista sobre o objeto de estudo. Os resultados da investigação comprovaram que mulheres evangélicas enfrentam diversos tipos de violência, como verbal, psicológica, emocional, física e cibercrime. Embora não tenham sido identificados casos de agressão sexual durante as entrevistas, algumas mulheres relataram no questionário que foram compelidas a atos sexuais, quer seja por imposição dos seus maridos ou por medo de recusar, enfatizando a seriedade da questão. É ressaltada a importância dos líderes evangélicos no apoio às vítimas, mas existem barreiras culturais que impedem algumas mulheres de procurar ajuda. Assim, é crucial que os líderes estejam preparados para lidar com esses casos sensivelmente e encaminhar as vítimas para apoio profissional quando necessário. Podemos concluir que a falta de informação e o tabu resultam muitas vezes em mulheres a sofrer abusos em silêncio, ressaltando a necessidade de consciencialização, educação e apoio para prevenir e combater a violência doméstica. Conclui-se igualmente que alguns líderes evangélicos estão ativamente envolvidos no apoio às vítimas e na promoção de relacionamentos saudáveis e igualitários nas comunidades evangélicas.
  • Narrativas de trabalhadoras do sexo em Luanda: contributos para discussões feministas sobre o trabalho do sexo
    Publication . Egg, Rafaela Nascimento; Joaquim, Teresa
    Trabalho do sexo pode ser definido de várias maneiras. Pode ser considerado um contrato em que serviços sexuais são negociados consensualmente. Geralmente realizado por mulheres. A relação entre elas e os clientes (geralmente homens) vai basear as discussões feministas sobre o trabalho do sexo. Entretanto, há tensões e divergências fundamentais entre feministas. Essa investigação qualitativa teve como objetivo dar espaço de fala e escuta de histórias de vida de quatro trabalhadoras do sexo em Luanda e fornecer contributos para discussões feministas sobre o trabalho do sexo. Seus contributos são descritos em 23 temas. Seus posicionamentos se alinham mais com o entendimento do trabalho do sexo como trabalho, ainda que complexo. Suas histórias são marcadas por idas e vindas de quebras com e adesão a papéis de gênero mais tradicionais. A necessidade econômica surge como a razão de entrada, retorno e permanência no trabalho do sexo, principalmente para prover para suas famílias. Elas solicitam apoio para sair do trabalho do sexo, embora destaquem que essa decisão é delas. Esse apoio poderia tomar forma de programas de enfrentamento à pobreza (transferência de renda), de apoio às trabalhadoras do sexo e descriminalização do trabalho do sexo. As histórias das trabalhadoras do sexo chamam a atenção para se pensar o feminismo como um espectro que vai desde uma resistência à desigualdade de gênero no âmbito individual até a militância em espaços políticos de mudança de estruturas sociais baseadas em desigualdades de gênero.
  • Mulheres brasileiras na Alemanha: experiências e estratégias de integração laboral
    Publication . Avila, Juliana; Abrantes, Manuel; Albuquerque, Rosana
    Este trabalho apoia-se em estudos que integram as relações de gênero e os estudos migratórios, visando entender experiências específicas da mulher migrante no mercado de trabalho. O objetivo geral é identificar a natureza das dificuldades e reconhecer, sob uma lente interseccional, em que medida o cruzamento dos eixos discriminatórios de sexo, origem racial e étnica, classe social e condição de imigrante intensificam as barreiras à inserção no mercado de trabalho alemão para as mulheres brasileiras qualificadas. Para este fim, a investigação concentra-se no caso de mulheres brasileiras com educação superior, experiência profissional, em idade ativa e que residem na região de Wolfsburg, identificando dificuldades que se traduzem em frustrações e desistências, aceitação forçada de empregos abaixo da qualificação ou opção coagida pelo empreendedorismo. O desenvolvimento da pesquisa se concentrou, principalmente, em relatos pessoais, mas considerou, também, estatísticas oficiais. Inicialmente realizou-se uma revisão de literatura bibliográfica e, em seguida, foram recolhidos dados estatísticos, aplicados 74 questionários online e realizadas 11 entrevistas estruturadas. Conclui-se que a migração acarretou, para as mulheres analisadas, a perda da autonomia, a mobilidade de classe descendente e interseccionalidades relativas à inserção no mercado trabalho local. Confirma-se a invalidação de qualificações e experiências laborais prévias à migração, a existência de outros obstáculos de caráter discriminatório e a sobrequalificação na distribuição ocupacional deste grupo de imigrantes. Apesar dos prejuízos, infere-se que há outros fatores que sobressaem e tornam altos os níveis de satisfação com a permanência na Alemanha, como a melhor qualidade de vida e as vivências adquiridas.