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Rede Marangatu: governança territorializada e justiça epistêmica em territórios costeiros e marinhos
Publication . Soares, Lizandra Maria de Aguiar Zanon; Borges, Júlias Bastos; Iwama, Allan Yu; Gallo, Edmundo de Almeida; Paula, Luciana Araújo de; Morgado, Fernando; Alves, Fátima; Vidal, Diogo Guedes; Rosa, Rosário; Santos, Claudia Regina dos; Eyzaguirre, Indira Angela Luza; Sousa, Esley Lima de; Ramos Filho, Eraldo da Silva; Sanos, Iedo Souza; Teixeira, Simonne; Freitas, Rodrigo Rodrigues de
Neste artigo é apresentada uma iniciativa colaborativa voltada à construção de modelos de governança socioambiental mais justos e participativos em territórios costeiros e marinhos do Brasil. A proposta centra-se na Rede Marangatu, uma rede internacional de ciência cidadã que articula instituições acadêmicas, organizações sociais e Povos e Comunidades Tradicionais para promover a conservação da sociobiodiversidade e o reconhecimento dos saberes locais. O estudo parte do pressuposto de que os territórios costeiros são espaços complexos, marcados por conflitos socioambientais, pressões econômicas e desigualdades no reconhecimento de diferentes formas de conhecimento. Nesse contexto, a noção de justiça epistêmica torna-se central, pois busca corrigir a marginalização histórica dos conhecimentos tradicionais e comunitários nos processos de produção científica e nas políticas públicas. O trabalho defende que o conhecimento produzido por pescadores artesanais, povos indígenas, comunidades quilombolas e outras populações tradicionais deve ser reconhecido como legítimo e fundamental para a gestão sustentável dos ecossistemas marinho-costeiros. A Rede Marangatu surge como uma resposta a esses desafios ao promover um modelo de governança territorializada, baseado no diálogo entre saber científico e saber tradicional. A iniciativa reúne universidades, centros de pesquisa e movimentos sociais em diferentes regiões do Brasil e também em parceria internacional, com o objetivo de desenvolver pesquisas participativas, fortalecer redes comunitárias e influenciar políticas públicas voltadas à conservação da biodiversidade e à proteção dos territórios tradicionais. Entre as principais estratégias da rede destacam-se a i) Ciência cidadã e monitoramento participativo da biodiversidade, envolvendo moradores locais na coleta e interpretação de dados ambientais; ii) Cartografias sociais e mapeamentos participativos, que registram territórios, modos de vida e áreas de uso tradicional; iii) Diálogo de saberes, integrando conhecimentos acadêmicos, indígenas e comunitários; iv) Construção de políticas públicas territorializadas, adaptadas às realidades locais. Um dos conceitos inovadores apresentados é o de polígonos de gestão costeira e marinha, espaços de governança coletiva onde comunidades tradicionais assumem papel central na tomada de decisões sobre uso e conservação dos recursos naturais. Essa abordagem busca inverter a lógica tradicional de gestão ambiental, frequentemente centralizada no Estado, e reconhecer o protagonismo das comunidades que historicamente cuidam desses territórios. O trabalho também destaca que a valorização dos saberes tradicionais contribui não apenas para a conservação ambiental, mas também para a segurança alimentar, a saúde comunitária e a justiça socioambiental, fortalecendo a autonomia e a permanência das populações em seus territórios. Nesse sentido, a Rede Marangatu funciona como um espaço de articulação política, produção de conhecimento e inovação social. O estudo argumenta que a governança de territórios costeiros e marinhos deve ser construída de forma intercultural, participativa e territorialmente situada, reconhecendo a diversidade de conhecimentos e experiências. A Rede Marangatu demonstra constituir um modelo para a integração entre ciência, movimentos sociais e comunidades tradicionais pode gerar novas formas de gestão ambiental, promovendo justiça epistêmica, proteção da sociobiodiversidade e sustentabilidade dos territórios costeiros.
Teachers’ negotiation of democratic risk and professional agency in early years and primary education: insights from participatory research ecologies
Publication . Neves, Claudia; Pažur, Monika; Oliveira, Juliana Gazzinelli de; Abrantes, Pedro; Abelha, Marta; Almeida, Ana Patrícia; Rimac Jurinović, Maša; Domovic, Vlatka; Drvodelic, Maja
This article examines how teachers in Early Years and Primary Education experience and negotiate democratic risk when enacting democratic pedagogy. Drawing on qualitative data generated through participatory research in Portugal and Croatia within the Horizon Europe AECED project, the study analyses reflections, dialogical exchanges, and collaborative inquiry processes from 33 participants across four cases. Democratic risk is conceptualised as situations in which teachers perceive that democratic pedagogical action may expose them to uncertainty, loss of control, professional scrutiny, or relational tension. The findings identify three interrelated themes: (1) democratic risk as pedagogical, professional, relational, and institutional exposure; (2) the negotiation of legitimacy and accountability; and (3) participatory research as a professional learning ecology supporting teacher agency.
Rather than functioning merely as a barrier, democratic risk emerges as an inherent condition of democratic pedagogy and a key site for the development of professional judgement and agency. The article contributes to research on democratic education by introducing democratic risk as an empirically grounded analytic concept and by demonstrating how teacher agency is enacted relationally within professional and institutional contexts. It further highlights the role of participatory research in supporting teachers to navigate the tensions inherent in democratic practice.
Entre integração e inclusão: perceções de atores educativos sobre alunos brasileiros no 1.º ciclo
Publication . Martins, Helena; Neves, Claudia
Este artigo analisa como a direção escolar, os professores e as famílias percecionam a integração de alunos imigrantes brasileiros no 1.º ciclo do ensino básico, num estudo de caso realizado numa escola do centro urbano de Braga. O problema de investigação centra-se nas tensões entre a integração administrativa e a inclusão educativa plena. Recorreu-se a uma abordagem predominantemente qualitativa, com triangulação metodológica: entrevistas com responsáveis institucionais e questionários com docentes e encarregados de educação. Os resultados mostram uma avaliação globalmente positiva do acolhimento, mas identificam entraves recorrentes: descontinuidades curriculares e decisões de equivalência, barreiras sociolinguísticas subtis apesar da língua comum, necessidade de tempo e apoio emocional no período inicial e limitações de recursos humanos especializados. As famílias valorizam a dimensão relacional e apontam melhorias na comunicação escola-família e na construção de comunidade. Conclui-se que a língua partilhada não elimina desigualdades e que a integração beneficia de estratégias sistemáticas de acolhimento, diferenciação pedagógica e mediação cultural, reforçando as condições para uma inclusão mais equitativa.
Como chegaram até nós as fontes narrativas medievais portuguesas?
Publication . Moreira, Filipe Alves; Costa, João Paulo Oliveira e; Castro, José Ribeiro e; Franco, José Eduardo
Por vezes, quando lemos as fontes narrativas, lemos realmente algo muito diferente do que esperávamos. Exemplos de como a edição e a transmissão de textos narrativos condiciona a sua leitura e análise. Texto originalmente publicado no jornal "Observador", posteriormente recolhido em volume coletivo.
Transição curricular de português língua não materna para português língua materna: perceções de alunos do 3.º ciclo do ensino básico de uma escola internacional situada na Área Metropolitana de Lisboa
Publication . Costa, Flávia Filipa Inácio da; Silva, Mário Filipe da
O presente estudo analisa a transição curricular do Português Língua Não Materna (PLNM) para o Português Língua Materna (PLM), a partir das perceções de alunos do 3.º Ciclo do Ensino Básico (CEB) de uma Escola Internacional (EI) situada na Área Metropolitana de Lisboa (AML). O objetivo central consiste em compreender de que modo esta transição é percecionada pelos alunos, nas suas dimensões académica, emocional e relacional, à luz do seu enquadramento regulatório e institucional. Para o efeito, adota-se um paradigma pragmático e uma abordagem mista sequencial exploratória. Numa primeira fase, procedeu-se à análise de informação institucional, através da consulta de websites e de legislação. Numa segunda fase, aplicou-se um questionário a 34 alunos em processo de transição, permitindo recolher dados quantitativos e qualitativos relativos às suas perceções em relação à sua experiência. A análise integrou, assim, informação oficial institucional e dados empíricos. Os resultados evidenciam que a experiência em PLNM é amplamente positiva, sendo entendida como um espaço de integração, acolhimento e construção de um autoconceito académico favorável. Já a experiência em PLM, embora globalmente bem avaliada, revela maior heterogeneidade nas perceções dos alunos, destacando-se fragilidades ao nível da autoconfiança e da perceção de desempenho. A transição surge como um processo estruturado, mas emocionalmente exigente, no qual coexistem ganhos linguísticos e novas vulnerabilidades académicas. Conclui-se que a transição do PLNM para o PLM deve ser entendida como um processo pedagógico, emocional e identitário, sublinhando-se a importância de estratégias que promovam continuidade, acompanhamento e diferenciação ao longo do percurso linguístico dos alunos.
