Mestrado em Estudos do Património | Master's Degree in Heritage Studies - TMEP
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- Património azulejar da Quinta Municipal de SubserraPublication . Lopes, Elsa Cristina Mendes; Câmara, Maria Alexandra Gago daNo concelho de Vila Franca de Xira, entre os séculos XVI e XIX, membros da aristocracia implantaram dezenas de quintas de recreio/quintas agrícolas que ainda conservam parte do seu património artístico testemunho da História da Arte Portuguesa. A Quinta Municipal de Subserra, localizada na União das Freguesias de Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz, fundada em 1633 pelo capitão D. Diogo da Veiga ficou na família durante séculos passando pelos Condes de Subserra, Marqueses da Bemposta-Subserra, Marqueses de Rio Maior e Marqueses do Lavradio até ser vendida na década de 40 do século XX. Mais tarde, em 1980, é adquirida pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira (CMVFX) a João Guedes de Sousa, continuando a funcionar como espaço de exploração agrícola, de alojamento local e de dinamização cultural. A Quinta Municipal de Subserra conserva um importante património artístico, designadamente a pintura “Os Desposórios da Virgem” de Bento Coelho da Silveira, do final do século XVII, os embrechados figurativos na fonte parietal e os embrechados de motivos geométricos e arquitetónicos da casa de fresco, ambos da segunda metade do século XVII. Para além destas manifestações artísticas, ressalta a sua azulejaria datada dos séculos XVII ao XX, nomeadamente do século XVII um padrão raro de influência têxtil da Capela de São José, os painéis figurativos e ornamentais da fonte parietal e os painéis de cenas mitológicas da casa de fresco. O estudo e a inventariação do azulejo em Portugal cresceram ao longo do tempo, entre vários contributos, foram marcados pelo trabalho de João Miguel dos Santos Simões. Considerando a riqueza artística dos azulejos e a necessidade de salvaguarda do património, perante a ausência de investigação académica sobre o tema, apresentamos um estudo e uma proposta de inventariação do património azulejar da Quinta Municipal de Subserra para possível integração no catálogo em linha Az Infinitum – Sistema de Referência e Indexação de Azulejo.
- 26 anos da rota do românico: balanço, impacto e perspetivasPublication . Teixeira, Soraia; Câmara, Maria Alexandra Gago daO presente estudo realiza um balanço dos 26 Anos da Rota do Românico, destacando o seu percurso enquanto instrumento de valorização cultural e patrimonial nos Vales do Sousa, Tâmega e Douro. O trabalho propõe-se a identificar os seus impactos sociais, económicos e patrimoniais deste projeto. Para tal, recorreu-se a uma abordagem multidimensional, desde a revisão bibliográfica, à análise documental e entrevista aos técnicos da rota. Os resultados evidenciam que a Rota do Românico desempenha um papel relevante na promoção do património cultural, incentivando a preservação e o turismo, enquanto contribui para a dinamização económica das comunidades locais. Contudo, identificam-se também desafios na gestão patrimonial e sustentabilidade das rotas, nomeadamente com a proposta de expansão a toda a Região Norte de Portugal. O estudo propõe perspetivas de futuro, sugerindo estratégias de preservação dos bens patrimoniais e das comunidades locais. Este estudo reforça a importância das rotas culturais como instrumentos de valorização patrimonial e desenvolvimento regional, oferecendo uma análise crítica do impacto acumulado ao longo de mais de duas décadas do caso concreto da Rota do Românico.
- Análise espacial e aplicação de grafos no entendimento dos objetos de placas de xisto da pré-história recente de PortugalPublication . Ribeiro, Pedro Renato Reis; Figueiredo, Alexandra; Évora, MarinaEsta dissertação de mestrado em Estudos do Património incide sobre um fenómeno marcante da pré-história do sudoeste da Península Ibérica: as placas de xisto gravadas. Propõese uma análise inovadora dos dados do registo arqueológico, integrando o tratamento em Sistemas de Informação Geográfica (SIG) com a Teoria dos Grafos. Esta abordagem beneficia dos avanços tecnológicos impulsionados pela era digital e pela análise de sistemas de relacionamentos complexos. O fenómeno das placas de xisto gravadas, atribuído ao período entre o Neolítico Final e a Idade do Cobre, atuou como um polo de difusão e possivelmente de partilha cultural entre comunidades. Através de objetos com características morfológicas e simbólicas similares, estas comunidades estabeleceram redes de interação num vasto território, superando as dificuldades de circulação da época. A convergência entre os atributos intrínsecos de cada placa e os dados espaciais dos locais de achado permite compreender a extensão deste fenómeno e as motivações da sua utilização. O estudo aqui elaborado explora o potencial de tecnologias emergentes, sobretudo a utilização das bases de dados de Grafos na investigação arqueológica e patrimonial, procurando abrir novos caminhos metodológicos para o estudo do património português. Esta investigação não tem a ambição de apresentar uma nova interpretação ou uma reinterpretação explicativa do seu significado e funções acerca do fenómeno que são as placas de xisto gravadas encontradas e registadas em território português. Procura alargar o conhecimento sobre as placas e apontar pistas para futuras investigações.
- Experiências imersivas: um novo olhar na cultura e aprendizagem : o caso do Quake – Museu do Terramoto de Lisboa e proposta de exposição itinerantePublication . Fernandes, Renata Roque Cerqueira; Flor, PedroEste estudo explora o impacto das experiências imersivas na museologia contemporânea, centrando-se no caso do Quake — Centro do Terramoto de Lisboa, enquanto exemplo de integração entre património, tecnologia e comunicação cultural. A investigação evidencia o papel das tecnologias digitais na criação de ambientes interativos e sensoriais, capazes de potenciar formas de aprendizagem mais dinâmicas, participativas e emocionalmente envolventes. Através de uma abordagem qualitativa baseada na análise documental, observação e estudo de caso, o trabalho procura compreender de que forma estas experiências contribuem para a mediação cultural, a apropriação simbólica do património e a diversificação de públicos. O conceito de edutainment revela-se particularmente eficaz na articulação entre entretenimento e educação, favorecendo o envolvimento ativo dos visitantes com conteúdos históricos e científicos. Complementarmente, o estudo propõe o desenvolvimento de um modelo de exposição itinerante inspirado no Quake, refletindo sobre o potencial das soluções imersivas na descentralização do acesso à cultura e na valorização de novas estratégias de comunicação do património.
- A Ermida de Santa Maria do Cabo, em Sesimbra, na primeira metade do século XVI: proposta de estudo cripto-históricoPublication . Castanho, Amanda Gonçalves Sequeira Westerman; Câmara, Maria Alexandra Gago daA presente dissertação é uma primeira abordagem monográfica sobre o início do culto católico no Cabo Espichel, por meio do estudo cripto-histórico de um antigo e extinto templo denominado Ermida de Santa Maria do Cabo, substituída no século XVIII pela Igreja do Cabo Espichel que conhecemos hoje. Trata-se não apenas de uma análise do edifício que não sobreviveu aos nossos dias, durante o mestrado de D. Jorge de Lencastre, período que compreende os anos de 1491 e 1550, mas de todo um contexto social, cultural, artístico e religioso da Comenda de Sesimbra em que se insere.
- Intervenção e gestão do património azulejar de fachada do Porto: [Bonfim 1840 – 1940]Publication . Cunha, Cristina Maria Pinto Ribeiro da Silva; Câmara, Maria Alexandra Gago daO presente trabalho pretendeu estudar o património azulejar de fachada da cidade do Porto, partindo do inventário sistemático de uma parte da freguesia do Bonfim. Também pretendeu estudar o desenvolvimento urbano da freguesia, bem como as suas características socioecónomicas, de forma a enquadrar o revestimento azulejar no contexto histórico que lhe deu origem. Foi ainda apresentada uma proposta para uma intervenção concertada e planeada de salvaguarda e preservação do azulejo de revestimento, bem como de educação, a nível das escolas e da população em geral, para este património integrado.
- Uma memória fotográfica: a coleção de António Passaporte no serviço de Arquivo Municipal de OeirasPublication . Pinto, Isabel Cristina Simões Henriques; Avelar, Ana PaulaA presente dissertação de Mestrado, parte integrante do curso de Mestrado em Estudos do Património, insere-se na linha de investigação do Património Documental Fotográfico. A partir do estudo específico do acervo fotográfico de António Passaporte (1901-1983) que se encontra no Serviço de Arquivo Municipal de Oeiras, procura-se demonstrar a relevância da fotografia como documento e como construtora de memória(s) e identidade. António Passaporte nasceu em Portugal, tendo passado por África, Espanha e regressado definitivamente a Portugal na década de 30, do século XX, onde dedicou toda a sua vida a fotografar o nosso país e à impressão de postais, sendo as suas fotografias sobre o município de Oeiras, o objeto do nosso estudo. No Serviço de Arquivo Municipal de Oeiras encontra-se quase a totalidade das fotografias tiradas pelo fotógrafo ao município, organizadas e preservadas segundo as normas legais. As fotografias de António Passaporte refletem a sensibilidade, o perfeccionismo, as técnicas pessoais de fotografar, o modo pessoal de ver a linha da Costa ribeirinha, as vivências das freguesias do município, mas também as influências familiares, a época em que viveu, as encomendas e a promoção turística do país. Neste trabalho procuraremos legitimar o porquê das fotografias de António Passaporte se encontrarem no Serviço de Arquivo Municipal de Oeiras e ao mesmo tempo percebermos o que interessava a António Passaporte fotografar, o porquê e o como, o que deixou registado e o seu contributo na preservação da memória de lugares do nosso país. Releva-se neste estudo a importância dos Arquivos Municipais para a preservação deste tipo de documentos, para a sua divulgação e concomitantemente para a preservação da memória e identidade de um município. Antes de chegarem a este Arquivo e mesmo antes da existência do Núcleo Fotográfico no município de Oeiras, a Câmara tinha já compilado e analisado as fotografias existentes sobre o município e que estavam na sua posse por doações feitas por familiares, iniciando um processo de seleção e de avaliação, escolhendo aquelas que deveriam ser preservadas permanentemente porque eram / são socialmente relevantes para o município. Reforça-se aqui o trabalho minucioso e preocupado por parte do Serviço de Arquivo na salvaguarda, valorização e divulgação deste material que é parte da memória social, representativa da construção da identidade coletiva.
- Fontes de Água de Caneças: o património e a história local como meios de preservação da memória e da construção de uma identidadePublication . Matos, Sérgio Paulo Pereira de; Avelar, Ana PaulaEste estudo aplica alguns dos principais conceitos relacionados com o Património Cultural — História, Identidade, Lugares de Memória, Cultura — para explorar a sua ligação às mais icónicas fontes de água de Caneças, à História da região e às suas gentes. O objetivo é aprofundar o conhecimento sobre estas fontes de água e evidenciar o papel central que desempenharam na vida económica e social da localidade. Além disso, pretende-se entender de que forma o Património e a História local podem ser utilizados como instrumentos na construção de uma identidade, sublinhando o valor das fontes de água como símbolos de um passado que, ao longo do tempo, foi sendo esquecido pelos canecenses. Caneças, uma pequena vila no concelho de Odivelas, ganhou notoriedade pelas suas águas que impulsionaram atividades económicas importantes, ligadas à sua extração e comercialização. Ao falar da antiga Caneças, é evocar a vida rural, a cultura saloia e o comércio das suas célebres águas, elementos que ainda hoje são recordados pelas fontes de água e pela memória das suas gentes. O que ficou dessa Caneças antiga? Foram as suas fontes de água, objetos “artísticos” e arquitetónicos, representantes de uma época e de um estilo, que conseguiram ser, também, um agregador de pessoas e de profissões características da região. As fontes de água de Caneças, enquanto património, complementam a História e servem como um meio de acesso da comunidade à sua memória histórica, que é formadora, organizadora e portadora de um sentido de identidade. Assim, estas fontes emergem como verdadeiros “lugares de memória”, desempenhando um papel essencial na preservação da memória histórica e na reafirmação — ou até na reinvenção — da identidade coletiva dos canecenses.
- Caminhos para a valorização do património arqueológico industrial do concelho de Alcanena: a indústria de curtumesPublication . Pimenta, Carole; Évora, MarinaEm Alcanena, o património industrial na área dos curtumes tem um significado particularmente marcante devido à importância que a atividade de curtimenta teve e continua a ter para a população, sendo a indústria predominante. Os testemunhos materiais desta atividade, como os espaços fabris, os patrimónios culturais relacionados com esta indústria, continuam visíveis na paisagem do território, mas perderam sentido. Com a abertura dos mercados e o surgimento de materiais plásticos, os fabricantes de sola de couro não resistiram, e tal ditou o fim do fabrico da Sola de Tipo A – Alcanena. Este era um produto caraterístico da região devido à água calcária que se encontra no território que é muito alcalina. No entanto, tal não impede o surgimento de unidades fabris mais modernas, continuando Alcanena a se destacar como centro nacional de referência no setor do couro. Este trabalho pretende dar a conhecer, valorizar e divulgar os testemunhos do património industrial oriundos dos curtumes, com foco no saber fazer da sola. O seu processo de curtimenta era diferente de uma pele para calçado. Um couro para a sola é um produto que não tem acabamentos depois de enxugar, necessitando apenas de ser corrido a batido com maças. Difere dos processos que se aplicam à curtimenta de pele para calçado, por exemplo, sendo os mesmos que ainda existem hoje, mas já modernizados e muito mais evoluídos. Tal não se aplica à sola como se pode constatar no Capítulo 6, em que é explicado como todo o processo era realizado. Para recuperar um saber-fazer característico do Concelho de Alcanena, os testemunhos orais de antigos operários revelaram-se fundamentais. Sem essas memórias vivas, não teria sido possível salvaguardar e valorizar um conhecimento enraizado, que foi determinante para moldar a identidade e a história de Alcanena tal como a conhecemos hoje. Estes testemunhos orais podem ser acedidos através dos QR Codes que se encontram no capítulo 6.2 – Antigos processos de curtimenta da sola de tipo A - Alcanena e contextualização dos objetos.
- A produção têxtil entre os séculos XIX e XX na região de Lisboa: a Fábrica do BenformosoPublication . Emídio, Rui Manuel Ferreira; Évora, MarinaEm Portugal, o século XIX começa com a assinatura do “Tratado da amizade e do comércio” com a Inglaterra, em 1810. Portugal acabaria por “perder” o Brasil, deixando de ter o algodão ao seu dispor, do qual eramos dependentes em relação ao estrangeiro. Com a Revolução de 1820 houve uma explosão industrial, criando-se 177 fábricas, 35 % das quais da indústria têxtil. No entanto o período seguinte ficou marcado pela guerra civil, que retirou capacidade financeira ao estado para investir na indústria. A chegada da primeira máquina a vapor a Portugal em 1835 e o combate ao Tratado com uma pauta criada em 1837 permitiram alguma evolução, apesar do atraso de Portugal relativamente a diversos países europeus. Depois de vários altos e baixos, foi em 1870, com a mecanização, que se verificou uma explosão da nossa indústria. Nos anos 90 do século XIX, a indústria têxtil cresceu muito com a abertura do mercado das colónias. Finalmente, já no século XX, a indústria ultrapassou a agricultura. É intuito desta dissertação analisar a indústria têxtil em Lisboa, no período referido. Serão referidas quais eram as fábricas têxteis na região de Lisboa (que se situavam na frente ribeirinha, na zona oriental e na zona ocidental) assim como abordar os motivos da estagnação e declínio desta indústria em Lisboa. Como exemplo será feita uma análise mais especifica á Fábrica do Benformoso. Nesta dissertação faremos também referência a Henrique Pereira Taveira, que foi presidente da Associação Industrial Portuguesa de 1893 até 1910.
