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Representações, Poderes e Práticas Culturais

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  • As elites e o poder local em Porto de Mós (1898-1926)
    Publication . Carvalho, Maria Adozinda da Luz da Fonseca Cruz; Avelar, Ana Paula
    O presente estudo versará sobre as elites e o poder local em Porto de Mós, abrangendo o período compreendido entre 1898 e 1926. Estudaremos as elites em Porto de Mós, que assumiram a sua governança, no período em questão. Nos finais do século XIX e viragem para o século XX, surgiram grandes reformas ao nível do sistema político, crises político-institucionais, e transformações nas instituições administrativas locais e nos municípios. A representar as Câmaras, estava um grupo de indivíduos eleitos, na sua maioria filhos da terra, defendendo os seus direitos e interesses face ao poder vigente. Considerando o papel de relevo que as Câmaras tiveram no país, tentaremos compreender a realidade política local vivida no concelho de Porto de Mós, entre 1898-1926. Analisaremos o processo eleitoral da elite dominante, procurando saber quem exercia os cargos de Presidente e Vereadores do município, a permanência e a rotatividade dos mesmos. Desta forma, verificaremos que as diferentes elites portomosenses procuravam, por um lado, colaborar com o Estado e, por outro, responder às necessidades dos seus munícipes, perpetuando o seu poder, quer na Monarquia, quer na República, uns de fação progressista, outros de fação regeneradora. Os cargos camarários eram ocupados quase sempre à volta dos mesmos indivíduos, rodando de Presidente para Vereador e vice-versa. O exercício desse poder foi, em alguns casos, alternando, quer na Câmara, quer na Santa Casa da Misericórdia.
  • Bahia e Costa da Mina: dos laços atlânticos e da sua herança religiosa pelas vozes de Ferreira Pires, Alves de Souza e Ribeiro Rocha (1750-1800)
    Publication . Brito, Rafael Magno Maciel Costa e; Avelar, Ana Paula
    A história é mais do que um processo. Ela é uma construção coletiva, fruto das interações humanas e destes com os eventos que os cercam, bem como do tempo histórico em que estes ocorrem. As relações entre a Bahia e a Costa da Mina não foram a exceção. Estes laços atlânticos, em particular no século XVIII, legaram ao Brasil elementos importantes de sua cultura e religiosidade. Foram muitos os pensadores que, ao longo desse processo aportaram suas visões e representações sobre os ditos laços. Porém, as vozes de Vicente Ferreira Pires, Francisco Alves de Souza e Manuel Ribeiro Rocha constituíram marcos analíticos de relevo para uma melhor compreensão do fenômeno em estudo, visto que apresentaram perspectivas complementares, ainda que de densidade variada, nas áreas da escravidão, tráfico negreiro e laços culturais. O ponto essencial foi o debate atemporal entre as três vozes que, escrevendo sobre os respectivos temas em diferentes períodos dos setecentos, adquiriu um caráter atemporal, visto que os três pensadores nunca se leram, mas graças a História puderam travar tal debate.
  • D. Luís Filipe, Portugal e o mar (1887-1908): relações e importância
    Publication . Canhota, Tiago; Bastos, Rosário; Pereira, Olegário Nelson Azevedo
    Quando no dia 1 de fevereiro de 1908, foram assassinados na Praça do Comércio, el-rei D. Carlos e o príncipe real D. Luís Filipe, liquidou-se igualmente um audacioso e extenso plano político/marítimo. Tomando corpo na sequência da independência brasileira, ele pautou-se pela construção de um império marítimo em África. Concomitantemente, desenvolveu-se na Europa uma nova atitude relativamente aos assuntos talássicos, encarado agora como um campo de oportunidades e fruição e não apenas de agruras e laboração. O novo conhecimento científico, a criação do conceito de praia e de práticas vilegiaturais, a revolução dos transportes e a preocupação com a prevenção dos naufrágios e assistência aos náufragos, contribuíram para este novo posicionamento. Se no panorama lusitano, a relação marítima de D. Carlos, era por demais evidente e sobejamente conhecida, com especial destaque para a vertente científica, no caso de D. Luís Filipe, era desconhecida, até mesmo inexistente, para o grande público! Assim, foi esse mesmo binómio príncipe-mar (extensível também à Família Real) com especial destaque para as vertentes política, diplomática, intelectual e lúdica que aqui se expõem e discutem. Do mesmo modo, apresenta-se um trabalho biográfico acerca da vida e dos feitos do príncipe, com elementos até este momento desconhecidos, o qual se pretendeu que fosse o mais abrangente e possível.
  • O impacto social da Academia de Música da Madeira e da obra do Eng.º Luiz Peter Clode no século XX
    Publication . Chaminé, Maria Helena Aldinhas; Avelar, Ana Paula
    O Conservatório – Escola das Artes da Madeira Eng.º Luiz Peter Clode foi inaugurado em 1946 como Academia de Música da Madeira. Esta escola surge pelo apoio da Sociedade de Concertos da Madeira, a qual impulsionou outras obras de caráter cultural e artístico na região. Luiz Peter Clode foi o mentor de todas estas obras deixando um legado cultural nas artes e no ensino artístico na Madeira. O presente estudo pretende analisar o impacto da atividade cultural, promovida pela obra de Peter Clode e perceber a sua relação com os poderes locais e a identidade e memória coletiva da sociedade madeirense. Este estudo desenvolve-se desde 1943, data da fundação da Sociedade de Concertos da Madeira, e até 1974, ano em que o fundador Peter Clode foi afastado da sua obra.
  • Beja setecentista: o senado camarário, poderes e representações
    Publication . Mósca, Joaquim Filipe; Avelar, Ana Paula
    A tese de doutoramento que ora se apresenta, à qual subjaz a renovação teórico- -historiográfica que suportou a ruptura com a doutrinação e o paradigma estadualista herdados de Herculano e da historiografia novecentista, versa sobre o senado camarário bejense, o seu papel no exercício do poder local e as representações que esse mesmo poder assumia no universo setecentista. Porque o poder não se exerce no vazio tomou-se, como ponto de partida, a análise do espaço natural e social onde os agentes do poder camarário viviam e exercitavam as suas funções, no pressuposto de que essas condicionantes, para além da mundividência e do ordenamento jurídico e político coetâneos, se constituíam como os elementos estruturantes que moldavam e orientavam os comportamentos. Caracterizava-se essa mundividência, fundamentalmente, de um ponto de vista social, pela ética e estética barrocas e pela assunção da desigualdade e da excepção, plasmadas no corpus jurídico coevo; de um ponto de vista político, pelo absolutismo e, já na segunda metade do século, pela emergência do despotismo esclarecido; e, de um ponto de vista económico, pela autarcia insolidária e pela regulamentação camarária da economia local. Abrange este estudo, em termos espaciais, a cidade de Beja e o seu termo concelhio durante o período setecentista, até aos finais do reinado josefino. Particular atenção mereceram os processos eleitorais, não somente da oligarquia como dos agentes menores do poder camarário, que esta elegia numa lógica a que não eram estranhos propósitos de criação de redes clientelares baseadas em critérios de amizade, parentesco, fidelidade, honra e serviço instituidores de deveres recíprocos. Tomando como institutos fulcrais do exercício desse poder a Câmara Municipal, a Misericórdia e as ordenanças, adoptou-se uma estratégia de identificação e delimitação dos intervenientes no seu exercício, numa prática de investigação de carácter prosopográfico. Para tal, recorreu-se a um conjunto de fontes que possibilitaram, através do seu cruzamento, delinear uma lógica de compreensão desses protagonistas, em moldes de preeminência política e social e sua consequente estratificação no exercício desse poder. Nesta conformidade, pretendeu-se captar as diferentes estratégias de conquista e manutenção do poder, formas de exercício desse mesmo poder e situações de conflitualidade resultantes desse exercício, não apenas entre os institutos e protagonistas locais, mas entre estes e o poder central.
  • A obra de Apríngio Pacense: subsídios para uma caracterização sócio religiosa da diocese de Beja nos primeiros séculos cristãos
    Publication . Godinho, Paulo Jorge dos Reis; Andrade, Maria Filomena
    Procuraremos, a partir da única obra de Apríngio - o primeiro bispo conhecido da atual cidade baixo alentejana de Beja - chegada aos nossos dias, o ‘’Comentário ao Apocalipse de São João’’, bem como do eco por ela produzido na literatura do seu tempo, caraterizar a comunidade cristã de Pax Iulia nos primeiros séculos cristãos. Santo Isidoro de Sevilha, que no-lo dá a conhecer, referencia-o por ter escrito um tratado sobre o Apocalipse, elogiando a sua erudição e sapiência. Tal erudição e vigor religioso testemunham a presença de uma comunidade presente há algum tempo. É, porém, inusitado o advento espontâneo de tal bispo numa conjuntura supostamente recémcristianizada, quando nos deparamos com um território onde as comunidades cristãs urbanas já são notórias desde o início do século IV em Ebora e Ossonoba (Concílio de Illiberis) e nos meados do século V em Myrtilis, particularizando, outrossim, a ação e o papel nela desempenhado pelo bispo pacense. De facto, obras desta densidade, louvadas, entre outros, pelo ‘’guerreiro da ortodoxia’’, Santo Isidoro de Sevilha, não surgiram ex nihilo. Estamos convencidos que, tendo-as como referência, estaremos autorizados a iluminar os primeiros séculos cristãos desta diocese alentejana.
  • Aquilino Ribeiro: percursos de um escritor, em tempo de ditadura (1926-1963)
    Publication . Nunes, Renato David Simões; João, Maria Isabel
    Aquilino Ribeiro foi um intelectual, um escritor prestigiado, mas também um homem de ação, que nasceu no último quartel do século XIX, numa remota e periférica aldeia das Beiras, região que marcou para sempre a sua vida e obra literária. Influenciado por uma educação de matriz católica, até porque o seu pai era padre, frequentou o seminário de Beja, mas acabou por abandoná-lo em 1903. Já em Lisboa, viveu o ambiente fervilhante da revolução que se avizinhava, conviveu com os republicanos radicais, de filiação maçónica, mas também carbonária, desenvolveu uma ação panfletária contra a Monarquia Constitucional, inspirou-se nas leituras de anarquistas como Jean Grave ou Kropoktine e forjou o seu ideário republicano nas famigeradas tertúlias dos cafés lisboetas. Do seu currículo fazem parte três exílios em França, duas rocambolescas evasões de calabouços nacionais, bem como a participação direta em revoltas republicanas, primeiro contra a Monarquia Constitucional e depois contra a Ditadura Militar. Em 1959, o Estado Novo salazarista instruiu-lhe um processo-crime, em virtude da publicação do romance Quando os lobos uivam. É esse percurso, em tempo de ditadura, que nos propomos aqui reconstituir, à luz de um exercício problematizador e objetivo, construído fundamentalmente a partir das fontes primárias consultadas. Um percurso de vida de um homem, que teve como programa de vida (o grande sentido da sua existência) ser escritor em exclusividade, num país pouco povoado, marcado por elevadas taxas de analfabetismo e onde os direitos de autor eram quase uma miragem. Numa época, acrescente-se, marcada pela censura e pela repressão. A nossa representação desse percurso, também marcado por sombras e luzes, pretende afirmar-se como mais um contributo para desvendar a vida de um mestre lido, admirado e recomendado, até mesmo por António de Oliveira Salazar.
  • Representações socioculturais oitocentistas : olhares de Júlio Dinis sobre o quotidiano português
    Publication . Pereira, Maria de Jesus Antunes da Cruz; Avelar, Ana Paula
    O presente trabalho visa o estudo da sociedade portuguesa das décadas de cinquenta e sessenta do século XIX, através do olhar do escritor Júlio Dinis, uma vez que, na sua obra literária, do teatro e da poesia ao romance, passando pelo conto, nos deixou muitas páginas com retratos socioculturais, reveladores do mundo em que viveu e da sua forma de o encarar e de o sentir. O romancista nasceu no Porto, onde cresceu, estudou, escreveu e viu publicados alguns dos seus contos e romances em O Jornal do Porto, o jornal diário onde também encontramos os anseios e os problemas de homens e mulheres e a presença da mudança de mentalidades a que Júlio Dinis assistia e na qual desejou intervir ativamente, através da sua escrita. No Porto e algures, no reino, entre 1850 e 1870, numa aldeia ou freguesia, famílias e personagens dinisianas, com seus modos de viver e de pensar, poderiam trabalhar e conviver, constituindo o núcleo de uma sociedade em mudança - a mudança que tardava para colocar Portugal na rota da modernidade. Este estudo do romance de costumes de Júlio Dinis, é um contributo para o estudo da sociedade portuguesa em que viveu e escreveu e para a valorização do papel da literatura para o conhecimento e a compreensão da vida em sociedade. No campo da cultura portuguesa, este projeto apresenta-se como proposta de estudo e exploração da relação entre o escritor e a sua obra literária, com a vida intelectual e com o seu contexto político, social e cultural, que conseguimos identificar, reconhecer e questionar através de O Jornal do Porto, um dos diários portuenses.
  • A Escola Portuguesa ao serviço da Nação: discursos e práticas de orientação e disciplina do professorado primário (1926-1956)
    Publication . Pereira, Maria Paula dos Santos Lourenço; João, Maria Isabel
    Identificar e discutir os discursos e as práticas da administração escolar para orientar e disciplinar o professorado primário é o objetivo principal desta tese. A análise da política educativa do Estado Novo, da evolução das escolas de formação de professores e da identidade socioprofissional dos professores têm sido os eixos de análise mais frequentes, no domínio da História da Educação, para o período da Ditadura Militar e Estado Novo. Privilegiámos antes a análise dos discursos e estratégias da administração escolar para a orientação/doutrinação e disciplina dos professores primários no sentido da sua conformidade e operacionalização do projeto político-pedagógico salazarista. Considerámos a análise dos seus reajustamentos, estruturados em função das várias reformas da política educativa e coadjuvados por alterações na orgânica da Direção Geral do Ensino Primário, assim como as possíveis influências exercidas pela conjuntura política interna e externa. Tentámos compreender o peso dos eixos orientadores e disciplinares nos serviços inspetivos e a importância que lhe era atribuída, no seu desempenho profissional, pelos profissionais dos serviços inspetivos. Caracterizámos o professor primário, desde o seu percurso formativo à sua identidade socioprofissional, para compreendermos o processo de desvalorização profissional do professorado. Analisámos o quotidiano escolar no sentido de proceder à sua caracterização e perceber qual a margem de autonomia que era permitida aos docentes no seu desempenho profissional. Considerámos o controlo disciplinar exercido sobre os docentes na esfera profissional e a incidência que teve sobre o seu corpo e afetos. Procedemos à análise dos processos instaurados a docentes, professores e regentes, para tentarmos caracterizar o tipo de infração e sanções aplicadas no sentido de compreender se existe uma correlação com o rigor dos discursos legais e as práticas discursivas da administração escolar.