Relações Interculturais
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- Processos de construções identitárias em contextos atuais e fronteiriços: um estudo etnográfico sobre as manifestações culturais e artísticas do Campo de GibraltarPublication . Gilotay, Sandra Regina Borges; Magano, OlgaA compreensão dos processos de construção identitária exige uma perspetiva situada, capaz de articular os contextos históricos, sociais e simbólicos que se manifestam nas experiências individuais e coletivas. Situado no sul de Espanha, o Campo de Gibraltar constitui um espaço de contrastes, cuja dinâmica reflete a sua condição de território transfronteiriço e coloca a região num processo contínuo de reconfiguração, no qual se entrelaçam tradição e modernidade, tensões fronteiriças e interações sociais. Considerando o carácter plural da região – moldado pela influência do território britânico de Gibraltar e pelos costumes enraizados na cultura andaluza –, procedeu-se à análise das manifestações culturais e artísticas mais representativas das localidades mais permeadas pelas dinâmicas fronteiriças, nomeadamente: Los Barrios, São Roque, Algeciras e La Línea. Mediante uma abordagem qualitativa e um estudo etnográfico, procurou-se compreender de que modo valores, crenças e práticas simbólicas produzem significados partilhados e reforçam os laços identitários coletivos. Os resultados evidenciam a existência de uma identidade comum campogibraltarina, sustentada pela presença das instituições locais na preservação das suas festividades mais significativas – tanto religiosas como profanas – e de expressões artísticas de matriz andaluza, como o flamenco. Esta dinâmica garante não apenas a salvaguarda da memória coletiva, como sua renovação geracional. Tais manifestações consolidam o imaginário coletivo e promovem uma idiossincrasia localizada. Esta condição liminar, situada entre o pertencimento e a deslocação, confere à região um carácter híbrido e relacional, em que as fronteiras deixam de representar uma mera separação e assumem-se como pontes simbólicas entre mundos culturais distintos.
- Tradição e interculturalidade na sociedade contemporânea: um estudo de caso sobre o papel da autoridade Ohamba na Província da Huíla em AngolaPublication . Gomes, Maria Marcelina; Sousa, LúcioO continente africano há muito tempo que se organiza em estados que deram origem às autoridades, hoje consideradas tradicionais. Ainda hoje as autoridades tradicionais são uma realidade em toda a África e prevaleceram fortemente enraizadas nos preceitos das suas tradições. Preservam os seus valores e crenças que que expressam o desejo dos ancestrais que, dessa maneira, os reconhecem como seus legítimos representantes e verdadeiras autoridades nos territórios das comunidades sob a jurisdição de cada uma destas. Os povos de africanos mantém respeito a estas autoridades, apesar dos países terem outras autoridades que resultaram da libertação de uma série de processos de domínio tais como a escravatura e o deslocamento contantes de pessoas das zonas de habitação para o trabalho forçado noutras localidades e da emancipação da colonização europeia dos diferentes países e povos. Em Angola , paralelamente à autoridade do Estado do tipo ocidental, sobrevivem as autoridades tradicionais em cada uma das comunidades etnolinguísticas que o país tem. A nossa pesquisa trata da autoridade ohamba que incorpora em si a grande responsabilidade cumprir e fazer cumprir, preservar, transmitir ao povo e às novas gerações, todo o manancial histórico e sociocultural das comunidades de língua olunyaneka. O ohamba e ombala são dois elementos indissociáveis no quadro da análise da vida político- social das populações de língua olunyaneka. O ohamba hoje é autoridade de referência para as populações que estudamos. Ele acumula em si, responsabilidades de intermediação dupla: uma em que ele aparece como mediador entre o Estado e a população, função que foi adquirindo ao longo da história com o início da colonização à actualidade; outra prende-se com a sua mediação histórica mais antiga com os espíritos antepassados, que fundaram e governaram o cilongo. Ele era o governante, administrador do cilongo e das populações, cuja legitimidade provém do sagrado. O ohamba ainda conserva a sua importância entre as populações, pois continua a ser o guardião da preservação das tradições da ombala e do cilongo. Esta pesquisa estuda a autoridade tradicional, num período que vai desde o séc. XIX a actualidade, com o objectivo de compreender o significado e o lugar de pertença da autoridade ohamba, na vida das comunidades de língua olunyaneka e na relação que este estabelece com outras comunidades etnolinguísticas nas diferentes fases sociopolíticas que as comunidades em estudo viveram. Por outro lado, em minucia: analisar as mudanças socioculturais a que estas foram sujeitas tendo como consequência a perda de parte da sua identidade. Para além de termos recorridos a uma vasta literatura científica para fundamentar nossa argumentação, tivemos como base, informações recolhidas no campo de pesquisa, na maior parte, disponibilizadas por via oral e a observação directa, junto das comunidades de língua olunyaneka. Foi assim, que podemos aferir que o ohamba no âmbito das suas funções como autoridade máxima da comunidades de língua olunyaneka, é mediador intercultural, pois a globalização obriga à todos os povos enfrentarem e criarem novas formas de convivência, onde actuam diferentes elementos socioculturais, políticos e religiosos, de origens diferentes. Hoje o processo de miscigenação cultural, que resulta das relações interculturais é um facto irreversível e incontornável.
- A Multi/Interculturalidade em contexto empresarial multinacional e global: desafios, estratégias e competênciasPublication . Pinheiro, José Carlos Martins; Ramos, NatáliaEsta dissertação analisa a relevância da multi/interculturalidade em contextos empresariais multinacionais, salientando os desafios, as preocupações, os obstáculos e as soluções, bem como apresentando estratégias para a gestão da diversidade cultural no local de trabalho, num cenário marcado pelo dinamismo do mundo contemporâneo. Com a globalização dos mercados e o aumento da interconetividade social e económica, torna-se essencial para as organizações compreender e gerir eficazmente as dife-renças culturais, promovendo as interações interculturais que potenciem o sucesso orga-nizacional. A investigação centrou-se nos desafios enfrentados pela EnergyNorthStar, adotando uma abordagem de métodos mistos (integrando técnicas quantitativas e qualitativas) para recolher e analisar dados sobre a inclusão, a formação transcultural, a consciência multicultural e as práticas de gestão da diversidade cultural. A pesquisa incluiu a aná-lise das Dimensões Culturais de Geert Hofstede e de Edward T. Hall, avaliando o impacto das barreiras de comunicação, das normas culturais divergentes e da experiência de equi-pas diversificadas. Os resultados evidenciam tanto os desafios como os benefícios da multi/interculturalidade. Entre os principais desafios destacam-se as barreiras culturais e de comunicação, enquanto os benefícios incluem soluções inovadoras e perspetivas enriquecedoras provenientes das diversas origens e experiências dos colaboradores. Com base nos dados apurados, propõem-se estratégias centradas na promoção da inteligência cultural (i.e. capacidade de interagir de uma forma eficiente em contextos culturais diversos, nomeadamente com pessoas de diferentes países, etnias, religiões, organizações ou até mesmo de áreas profissionais que têm valores, costumes e formas de comunicação distintos) e da competência intercultural (i.e. capacidade de interagir de forma eficaz e apropriada com pessoas de outras culturas), na implementação de políticas de diversidade e de inclusão e, ainda, no desenvolvimento de programas de formação intercultural, com o objetivo de criar ambientes laborais respeitadores, adaptáveis e eficazes, em conformidade com as exigências de um mercado globalizado.
- Estudantes do ensino superior e sensibilidade intercultural : contributos da geração Erasmus para a psicossociologia das relações e da comunicação interculturalPublication . Marques, Tânia Santos; Ramos, NatáliaA interação com indivíduos de outras culturas pode contribuir para a mudança de atitudes etnocêntricas, e o contato entre grupos pode fortalecer as relações intergrupais. Favorece também o desenvolvimento da sensibilidade intercultural, que se refere à dimensão afetiva da competência de comunicação intercultural. Os programas de intercâmbio e mobilidade, nomeadamente o ERASMUS, têm sido instrumentos da maior importância para encorajar a interação entre os jovens europeus e fomentar a interculturalidade, e a experiência de contato colabora de forma positiva para o aumento da consciência intercultural, das habilidades de comunicação intercultural e para o desenvolvimento de competências intelectuais e pessoais. As pesquisas reforçam o papel do contato na promoção da sensibilidade intercultural e evidenciam a sua correlação com algumas variáveis sociodemográficas e psicossociais, tais como, o sexo, o grau académico, o nível de literacia intercultural, a exposição prévia a a outros países e culturas, a competência linguística, a intencionalidade da exposição a outros países e culturas e a motivação para a intencionalidade da exposição a outros países e culturas. O presente trabalho teve como principal objetivo investigar questões relacionadas com a interação entre indivíduos de diferentes culturas, nomeadamente através da análise do nível de sensibilidade intercultural em estudantes do ensino superior e da sua relação com as variáveis em estudo, as quais se encontram ainda pouco exploradas no contexto da população portuguesa. Para este efeito, realizou-se um estudo exploratório e quantitativo com uma amostra de 97 estudantes do ensino superior. A recolha de dados foi realizada através de um questionário composto por variáveis sociodemográficas e psicossociais, e pela Escala de Sensibilidade Intercultural, de Chen & Starosta (2000). Os resultados revelam que o contato com diferentes países e culturas contribui para a promoção de relações interculturais mais satisfatórias, verificando-se, ao nível das variáveis analisadas um impacto positivo no desenvolvimento da sensibilidade intercultural.
- Análisis de la formación, satisfacción y actitudes del profesorado y tutores en centros educativos con grupos en riesgo de exclusión social en zonas eracisPublication . Serrano García, Jennifer; Expósito Jiménez, Jorge; Aires, LuísaLa presente Tesis Doctoral está conformada por una compilación de artículos, a través de los cuales se analiza la formación específica y el nivel de satisfacción laboral que tiene el profesorado en activo que atiende a estudiantes en riesgo de exclusión social en centros educativos desfavorecidos en territorio andaluz, denominados zonas de Estrategia Regional Andaluza para la Cohesión e Inserción Social (ERACIS, en adelante). Además, desde la perspectiva de la educación superior, se exploran las actitudes y componentes de la tutoría y orientación que influyen en el rendimiento académico del profesorado en formación. Así como, se construye y valida un instrumento con el propósito de conocer la percepción que posee el futuro profesorado de educación primaria sobre un colectivo especialmente vulnerable como son los niños, niñas y adolescentes migrantes no acompañados (NNAMNA). Para dar respuesta a esta finalidad, se ha trabajado a lo largo de cuatro fases, cada una de ellas conformada por una o dos producciones científicas (véase Tabla 1). La primera fase ha estado centrada en el análisis de la formación del profesorado en activo que atiende a estudiantes en situación de vulnerabilidad en zonas ERACIS. La segunda fase ha dirigido su atención a conocer la satisfacción laboral de este profesorado. La tercera fase ha hecho alusión a averiguar las relaciones existentes entre las actitudes y componentes de la tutoría y la orientación en el profesorado en formación. Y la última fase ha puesto el foco de atención en comprender la percepción que tiene el profesorado en formación sobre estudiantes vulnerables, tales como los NNAMNA. En la primera fase de la TD, el artículo inicial de Serrano-García, Olmedo-Moreno & Expósito-López (2024) valida la escala STEC-SRSE, diseñada para examinar la formación específica del profesorado en activo en zonas especialmente desfavorecidas mediante un análisis factorial confirmatorio (AFC, en adelante). Los hallazgos obtenidos indican que la escala presenta una excelente consistencia interna, índices de ajuste adecuados y pesos de regresión superiores a 0,3. Por lo tanto, se confirma que esta escala es una herramienta fiable para la medición del constructo en cuestión. El segundo artículo de Serrano-García, Olmedo-Moreno, Zahra-Rakdani y Expósito-López (2024) se basa en un estudio cuantitativo de corte transversal y sigue un diseño ex post-facto, el cual describe la formación específica de 346 profesores y profesoras en activo localizados en zonas ERACIS, seleccionados mediante un muestreo no probabilístico intencional. Para ello, se implementa la escala STEC-SRSE constituida por siete factores, la cual fue diseñada y validada en el primer artículo. Los hallazgos revelan que existe una falta de formación específica en el profesorado que atiende a estudiantes vulnerables en zonas especialmente desfavorecidas de Andalucía. Además, se puede afirmar que esta formación varía de manera significativa en función de la edad, la etapa educativa donde trabajan estos profesionales, el tipo de centro educativo y los años de experiencia docente con colectivos en riesgo de exclusión social (véase Tabla 20). Continúa la segunda fase de la TD, conformada por el tercer artículo de Serrano-García, Olmos-Gómez, Olmedo-Moreno & Expósito-López (2024), con el propósito de determinar el nivel de satisfacción laboral de 102 docentes localizados en zonas ERACIS, habiendo sido seleccionados por un muestreo no probabilístico intencional. Para ello, se emplea una metodología cuantitativa, de naturaleza descriptiva y corte transversal a través de la implementación del instrumento unidimensional JSS-VPSSET. Los hallazgos muestran que el profesorado experimenta una satisfacción laboral media en su trabajo. Además, se afirma que el profesorado que trabaja en educación primaria se siente más satisfecho que el de secundaria, mostrando diferencias significativas en la posibilidad de mantenerse permanentemente actualizado. En referencia a los años de experiencia docente, el profesorado con menos trayectoria profesional experimenta mayor satisfacción laboral que aquellos con mayor experiencia docente, obteniendo diferencias significativas en cinco ítems del cuestionario JSS-VPSSET (véase Tabla 20). En la tercera fase de la TD, se enmarca el cuarto artículo de Expósito-López, Chacón-Cuberos, Zahra-Rakdani & Serrano-García (2023), en el que se establece la significatividad y sentido de las relaciones existentes entre cuatro instrumentos que determinan diferentes actitudes y componentes de la tutoría y la orientación y, que influyen en el rendimiento académico de 538 docentes en formación a través de un modelo estructural de ecuaciones (SEM), y seleccionados mediante un muestro no probabilístico internacional. Este estudio cuantitativo, transversal y ex post-facto muestra relaciones significativas y bidireccionales entre las tres variables del instrumento Escala de Actitudes hacia la Tutoría. Además, la inteligencia social es una variable que muestra una elevada significatividad relacional, en sentido unidireccional con las variables metas de orientación intrínseca y la autorregulación del esfuerzo en el aprendizaje vinculadas con la Escala de Autorregulación del Esfuerzo. Así como, con tres variables que responden a la Escala de Inteligencia Social como el conocimiento de información social, las habilidades sociales y confianza y la capacidad para gestionar información social. También, existen tres relaciones significativas y unidireccionales entre la autorregulación del esfuerzo en el aprendizaje y las metas de orientación intrínseca, entre el procesamiento de la información social y la autoestima, así como, entre la disposición hacia la tutoría del profesorado en formación y la autorregulación del esfuerzo en el aprendizaje (véase Tabla 20). La cuarta fase de la TD, que incluye el quinto artículo de la compilación de Serrano-García, Rakdani-Arif Billah, Olmedo-Moreno & Expósito-López (2024), se centra en el diseño y validación de una escala que analiza la percepción del profesorado en formación del Grado en Educación Primaria sobre los menores extranjeros no acompañados, ahora denominados NNAMNA. Esta escala muestra una excelente consistencia interna a través de diversas pruebas de fiabilidad. Posteriormente, se realiza un análisis factorial exploratorio con el propósito de clasificar estadísticamente los ítems en tres factores establecidos: características socioeducativas, amenaza social, y bienestar psíquico y emocional. Además, se suprimieron los ítems que no alcanzaron valores superiores a 0,3, como en el caso del ítem 27. Seguidamente, se realizó un AFC que obtuvo índices de ajuste adecuados y estableció relaciones significativas de cada uno de los 26 ítems en relación con los factores de la escala. Por lo tanto, esta escala está conformada por tres factores y un total de 26 ítems que miden de manera robusta el constructo.
- Influência do processo de aculturação no bem-estar psicológico e na saúde mental de imigrantes portugueses que vivem no MéxicoPublication . Rodrigues, Charles; Ramos, NatáliaA aculturação refere-se ao processo de adaptação que os indivíduos experimentam ao se integrar em uma nova cultura, e a relação deste com a saúde mental, sendo um tema de interesse crescente, especificamente para as comunidades imigrantes. Assim, esta investigação teve como objetivo analisar a influência do processo de aculturação no bem-estar psicológico e na saúde mental de imigrantes portugueses que vivem no México. O método utilizado foi de enfoque descritivo e transversal, com um desenho misto. Participaram 79 indivíduos, 56 homens e 23 mulheres, com uma média de idade de 44.53; selecionados por conveniência. Os instrumentos utilizados tiveram por base as escalas do MIRIPS Questionnaire, a Escala de Ansiedade, Depressão e Stress (EADS) e a Escala Positive and Negative Affet Schedule (PANAS), além do questionário sociodemográfico e uma entrevista semiestruturada. Os resultados revelam uma comunidade heterogénea cuja satisfação com a vida está relacionada com o uso de estratégias de aculturação de integração e assimilação, para os que são mão de obra qualificada e têm boa proficiência do português. No entanto, as variáveis: trabalho não qualificado, menor proficiência do espanhol, relação afetiva, discriminação percebida, comunicação interpessoal, envolvimento com a comunidade e o afeto positivo são preditores do uso de estratégias de separação; enquanto, ser maior de 60 anos conduz à utilização da estratégia de marginalização. De facto, toda as dimensões de adaptação sociocultural avaliadas influenciam a regulação emocional, porém, o que mais se evidencia é a ansiedade, cujas principais causas são a discriminação percebida e a insegurança.
- O sagrado na cultura das parteiras em Timor-Leste na humanização da vidaPublication . Araújo, Irta Sequeira Baris de; Joaquim, TeresaEste trabalho de investigação incide, sobretudo, numa abordagem centrada no “sagrado na cultura das parteiras em Timor-Leste na humanização da vida”. Procura-se falar sobre a panorâmica do ‘lulik – sagrado’ nas práticas ritualísticas, e é nesse contexto que se apresentam as definições necessárias associadas ao lulik como fenómeno, processo, identidade cultural, ícone de ritualização. Pretende-se desta forma caracterizar, reconhecer e identificar novos significados para a compreensão do conceito lulik (sagrado), “sagrado parto” e “parto sagrado” na cultura das parteiras em Timor-Leste, numa dimensão de dinâmicas culturais; procura-se ainda identificar o processo de biologização, ritualização e sacralização do “sagrado parto” e “parto sagrado” na cultura das parteiras em Timor-Leste; ao mesmo tempo, apresentar o universo do lulik em torno da relação “mane-feto”, incluindo alguns ritos realizados no processo de parto e pós-parto. Para concluir, pretende-se abordar também o conceito do “sagrado na cultura das parteiras em Timor-Leste”, numa perspetiva de saberes entrecruzados entre a biomedicina e a educação intercultural.
- Língua gestual portuguesa e processos de criação de uma subcultura específica: o caso da comunidade surda portuguesaPublication . Lopes, Paula Maria da Costa; Caetano, João Relvão; Vidal, NunoIntrodução: Esta tese, intitulada “Língua Gestual Portuguesa e Processos de Criação de uma Subcultura Específica: O caso da comunidade surda portuguesa”, realizou-se no âmbito do Doutoramento em Relações Interculturais da Universidade Aberta. O seu objetivo geral é estudar o pensamento e o sentimento da comunidade surda portuguesa, que se considera detentora de uma subcultura específica resultante de uma língua gestual própria. A perseguição às pessoas surdas, caso comunicassem na sua língua natural, condicionou o seu acesso ao ensino – em particular ao ensino superior – implicando resultados desastrosos no acesso à informação e na integração social. Apesar disso, foi possível a construção de uma língua gestual própria reconhecida politicamente. Esse foi um marco importante, pois o desenvolvimento de um sistema linguístico reflete as relações sociais e políticas dos seus utilizadores, fortificando os laços de identificação do grupo, a autoestima e o sentimento de comunidade. Metodologia: Foi realizado um estudo de caso, com uma amostra de conveniência enquadrada nos critérios de inclusão. Foi utilizado um questionário sociodemográfico e uma escala validada para português. Resultados e Discussão: Este estudo, com suporte na revisão da literatura e nos resultados obtidos, permitiu verificar que os indivíduos surdos se reconhecem como pessoas diferenciadas e consideram a sua comunidade como produtora de uma cultura própria. Conclusão: Constatou-se a existência de um processo histórico de luta dos surdos em Portugal, contra a sua exclusão social e pela afirmação da língua gestual portuguesa. Concluiu-se ainda que os estudos surdos não estão explorados em Portugal, sendo pertinente investigar neste campo.
- Migração e saúde : adaptação, stress e bem-estar psicossocial de enfermeiros portugueses em contexto migratório no espaço europeuPublication . Teixeira, Mário Rui Pereira; Ramos, NatáliaO presente estudo procurou identificar, compreender e analisar as vulnerabilidades, riscos psicossociais, stress, saúde e bem-estar psicossocial de enfermeiros portugueses em contexto migratório noutros países europeus. Como ponto de partida empírico utilizou-se uma metodologia mista que conciliou como instrumentos de recolha de dados as entrevistas semiestruturadas e o inventário Brief-COPE a imigrantes portugueses que viviam e trabalhavam nos seguintes países: Bélgica, Irlanda, Liechtenstein, Noruega, Reino Unido e Suíça. Os principais resultados indicam que a maior parte dos stressores físicos experienciados em contexto migratório são similares aos enfrentados pelos enfermeiros nativos, com exceção do trabalho em turnos de 12 horas ou mais, e o fator climático, ambos stressores físicos específicos no contexto estudado. O idioma, a discriminação, a separação da família e dos amigos e a maternidade em situação migratória são os principais stressores psicossociais que afetaram a saúde e o bem-estar destes imigrantes. Na sua perspetiva, é na dimensão linguística e comunicacional que os imigrantes, numa fase inicial, sentiram as maiores dificuldades. Face às evidências empíricas, concluiu-se que a maioria destes enfermeiros migrantes considera que a sua saúde e bem-estar melhoraram bastante, associando esta condição à melhoria do seu nível económico e de qualidade de vida, e fazendo um balanço positivo da sua integração nestas geografias de destino. Contudo, para 31,5% dos participantes a saúde e bem-estar pioraram a nível do sistema musculoesquelético e da saúde mental, pelo que seria pertinente aprofundar os fatores que podem explicar o agravamento da saúde e bem-estar em situação migratória.
- Racionalidades leigas e a prevenção da sífilis congênita no BrasilPublication . Silva, Ana Luísa Nepomuceno; Bäckström, Bárbara; Freitas, Marise Reis deA pesquisa proposta parte de dois pressupostos: o primeiro, que as práticas e os comportamentos na área da saúde são uma tríade entre fenômenos biológicos, psicológicos e sociais; o segundo, que as ações para a promoção da saúde são complexas e, apesar de considerarem o conhecimento dos sujeitos como elemento fundamental para a melhoria dessas práticas, reconhecem elementos subjetivos, representações e racionalidades que extrapolam o que o conhecimento puro traduz. O enquadramento teórico foi alicerçado, portanto, em autores do campo das ciências sociais e das ciências da saúde com contribuições nos debates sobre racionalidades leigas, representações sociais e saberes populares e em autores do campo da psicologia e neurociência que dialogam com as teorias sobre subjetividade e representação e atuam na área do comportamento, mais especificamente no comportamento em saúde. Além, claro, das referências fundantes sobre sífilis e sífilis congênita. A partir daí, e considerando o atual cenário da sífilis congênita no Brasil, pretendeu-se identificar e analisar quais são as racionalidades leigas sobre sífilis entre gestantes no país e suas relações com os comportamentos na área da saúde voltados à prevenção da sífilis congênita. A pesquisa, de viés qualitativo, foi composta por uma amostragem constituída de 20 gestantes com perfil social, econômico e cultural diferentes, distribuídas da seguinte forma: (a) 10 gestantes em situação econômica favorável, com fácil acesso aos serviços de saúde, identificadas a partir de grupos temáticos em redes sociais (whatsapp, telegram e instagram) voltados às gestantes; (b) 10 gestantes em situação de pobreza, incluindo gestantes em situação de rua ou com moradia precária, sendo, as gestantes em “situação de pobreza”, aquelas que recebem algum auxílio financeiro ou material de instâncias governamentais ou não. Os dados foram coletados a partir de entrevistas semiestruturadas e analisados a partir do Método da Análise de Conteúdo. Para isso, foram criadas categorias de análise com foco nos saberes, práticas, sentimentos das gestantes e sua relação com os serviços e profissionais da saúde. Os resultados da pesquisa revelaram que independentemente do grupo social ao qual a gestante estava vinculada, suas racionalidades devem ser percebidas de forma individualizada para que possam ser compreendidas, considerando que não identificamos relação direta entre essas racionalidades e elementos objetivos de caracterização. Assim, podemos dizer que os resultados da pesquisa revelaram que para a implementação de políticas para a eliminação de uma doença como a sífilis congênita, é preciso cautela e atenção às individualidades caso queiramos considerar os sujeitos como coparticipantes na implementação dessas políticas.
