Mestrado em Relações Interculturais | Master's Degree in Intercultural Relations - TMRI
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Percorrer Mestrado em Relações Interculturais | Master's Degree in Intercultural Relations - TMRI por Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) "03:Saúde de Qualidade"
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- Aculturação psicológica e percurso migratório: experiências e vivências de imigrantes brasileiros residentes em ItáliaPublication . Carvalho, Sérgio Aparecido de Souza; Ramos, NatáliaInserir-se em uma nova cultura não é uma tarefa fácil, tendo em vista que vivenciar um percurso migratório implica a necessidade de adaptação na sociedade de destino e, para que isso ocorra, a pessoa imigrante deve iniciar uma intensa dinâmica de aculturação e de aprendizagem e, que vão desde aprender um idioma, conhecer novos costumes, cultura e leis, até compreender as diferentes formas de funcionamento que caracterizam o novo país. No presente estudo são abordadas questões da migração internacional em Itália, o conceito de aculturação e de adaptação, no qual também evidenciamos como decorreu o processo migratório e adaptativo de sete imigrantes brasileiros residentes em Itália, que contribuíram com esta pesquisa respondendo a um questionário elaborado e estruturado para o efeito. Durante a pesquisa constatamos que a aculturação acontece de maneira individual e que os sete participantes vivenciam o seu percurso migratório de maneira singular, no qual manifestam experiências positivas e negativas, alguns sentimentos ambíguos e contraditórios, além de experiências e sentimentos vivenciados diferentemente por cada um. Constatamos também que durante o processo de aculturação alguns imigrantes apresentam dificuldades adaptativas, relacionais, interculturais, psicológicas ou físicas, sendo estas desencadeadas sobretudo pela ausência de sentimento de pertencimento à nova sociedade e pela ruptura do quadro de referência identitário e cultural.
- O audiovisual como ferramenta de divulgação científica em saúde: um estudo aplicado no Projeto “Sífilis Não”Publication . Sousa, Suelayne Cris Medeiros de; Ramos, Natália; Lacerda, Juciano de SousaO Brasil vive uma epidemia de sífilis desde 2016 e, por isso, é cada vez mais evidente a importância da divulgação da ciência para compartilhar com a população geral informações voltadas à promoção da saúde. Nesse sentido, a divulgação do projeto “Sífilis Não” é importante para que todos possam ter acesso ao conhecimento construído pelos pesquisadores, assim como às atividades realizadas e ao impacto dessa IST para a sociedade. Desse modo, este trabalho propõe-se analisar de que forma a comunicação audiovisual pode ser aplicada à divulgação de pesquisas em saúde para contribuir para uma maior adesão do conhecimento científico. O nosso estudo é voltado ao público jovem com idade entre 18 e 29 anos, e através de um formulário online, buscamos compreender os aspectos da linguagem audiovisual que favorecem ou não o seu interesse pelo conteúdo científico. A partir das respostas de 300 estudantes universitários, constatou-se que a maioria dos jovens reconhece a importância da produção audiovisual para as pesquisas científicas e que possuem preferência por conteúdos mais objetivos, com dados estatísticos e fala de especialistas. Quanto à preferência dos entrevistados, o curta-metragem e o documentário foram os formatos audiovisuais mais destacados. Nos resultados da pesquisa, é perceptível a importância do audiovisual no cotidiano do brasileiro bem como a sua eficiência na divulgação da ciência e do trabalho de pesquisa do projeto “Sífilis Não”.
- Comunicação e divulgação científica em saúde para leigos em regiões de fronteira: o caso do projeto Sífilis NãoPublication . Braz, Arthur; Bäckström, Bárbara; Muneiro, Lilian CarlaA sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível que, por diversas vezes, se constituiu como um problema de saúde pública ao longo da história da humanidade. Desde 2016, no Brasil, os órgãos de saúde têm lidado com uma epidemia da doença, que registrou ano após ano uma alta no número de casos. Tal questão motivou o Tribunal de Contas da União a publicação do acórdão 2019/2017, que prevê o desenvolvimento, dentre outras questões, de metodologias de comunicação inovadoras para o combate à doença. E em um país onde boa parte da população vive em centros urbanos, as áreas de fronteira acabam por não serem contempladas com iniciativas de promoção à saúde deste tipo. Nesse contexto, este trabalho nasce com o objetivo de identificar as questões que impactam no modo de comunicar com a população da região da Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, referente a comunicação científica em saúde, com ênfase na sífilis e demais IST. Para tal, esta pesquisa adota uma abordagem qualitativa e exploratória, com ênfase nos públicos-alvo e populações chave abordados no âmbito das campanhas de comunicação do Projeto “Sífilis Não”, bem como na segmentação específica do perfil de indivíduo que vive em regiões de fronteira no Brasil. Foram entrevistados indivíduos que vivem na região da Tríplice Fronteira, a partir da cidade brasileira de Foz do Iguaçu. A partir dos dados coletados, foi possível definir categorias temáticas que apontam os principais problemas identificados por eles no que diz respeito à divulgação científica focada na questão da sífilis. A investigação aponta que da maneira como são feitas hoje, as iniciativas de divulgação científica em saúde não levam em conta os elementos constitutivos da identidade e interculturalidade fronteiriça da região em questão, que se baseia na ampla circulação de bens, serviços e, principalmente, pessoas entre as regiões dos três países. Logo, entender estes elementos faz-se essencial para o estabelecimento de políticas públicas que visem mudar o comportamento das pessoas deste contexto, no que diz respeito à sífilis.
- Comunicação em saúde : percepção de pessoas negras e pardas face à representação da terceira fase da campanha publicitária de combate à Sífilis no BrasilPublication . Almeida, Anderson; Ramos, Natália; Lacerda, JucianoDesde o século XV que o mundo convive com a sífilis, uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema Pallidum. Desde o seu surgimento até hoje, a doença segue em alerta por todo o mundo e preocupa autoridades de saúde, mesmo existindo tratamento e cura. Um grande desafio societal é ter um comportamento sexual responsável e o compartilhamento de informação adequada por meio de uma comunicação assertiva. No Brasil esse cenário não é diferente. Por isso, o governo brasileiro, por intermédio do Ministério da Saúde, decretou em 2016 que o país enfrentava uma epidemia de sífilis. O Tribunal de Contas da União, por meio do Acórdão 2019/2017, determinou a execução de variadas e inovadoras ações de comunicação com o objetivo de impactar mais efetivamente a problemática da doença e robustecer a questão dos cuidados preventivos da população brasileira. A partir disso, entrou em atividade o “Projeto de Resposta Rápida ao Enfrentamento da Sífilis nas Redes de Atenção”, popularmente conhecido como “Sífilis Não”. Entre as ações do projeto, na área de comunicação, estavam a criação de seis campanhas publicitárias que informassem a população sobre a doença, estimulassem a testagem, o tratamento e a cura. Este trabalho de pesquisa debruça-se sobre a terceira campanha criada, intitulada de “Eu sei, você sabe? ”, lançada durante a pandemia da Covid-19, nas redes sociais do projeto “Sífilis Não”. Num país onde 56,1% da sua população é composta por negros e pardos, segundo o IBGE (2021), e que tem uma raiz histórica com a essa etnia, é fundamental analisar se a campanha publicitária criada que contempla essa parcela de brasileiros e brasileiras, principalmente, em função dos números da doença no país apontarem para uma infecção mais acentuada nesse público e entre os 20 e 40 anos. A partir das peças publicitárias criadas, o estudo organizou cinco grupos focais (Trad, 2009) com pessoas negras e pardas que, a partir de olhares subjetivos, propiciaram a análise de conteúdo da pesquisa (Bardin, 2011). Ademais, tornou possível discutir questões éticas, de interculturalidade, contexto na publicidade e situação de discriminação com o objetivo de promover resultados a serem apresentados ao Ministério da Saúde, a fim de se tornar uma importante ferramenta para o desenvolvimento de uma comunicação assertiva com parte significativa da população do Brasil. A pesquisa revelou, a partir do resultado das análises, que o conteúdo empregado nas peças publicitárias se mostrou próspero uma vez que apontamentos importantes na interpretação e identificação do material foram feitos (Bardin, 2011). Essa constatação dialoga diretamente com a pretensão da campanha em estabelecer uma relação emissor-receptor salutar no que diz respeito à busca pela conscientização, prevenção, tratamento e cura da sífilis. O alinhamento de todo o conteúdo informacional (Bauer e Gaskell, 2017), com a presença maioritária de pessoas negras e pardas, além da pluralidade de idades presentes, géneros e etnias gerou reconhecimento, por identificar características gerais do povo brasileiro. As tecnologias acessíveis, utilizadas na campanha publicitária, mostraram-se assertivas, visto o envolvimento, cada vez mais efetivo, das sociedades com as plataformas digitais de informação e entretenimento, bem como de relacionamento interpessoal.
- Conecta Sífilis: o potencial de uma comunidade virtual para a prevenção de sífilis em gestantesPublication . Silva, Bruno Cássio de Andrade e; Sousa, LúcioA discussão sobre alternativas de combate à epidemia de sífilis no Brasil estimulou o fortalecimento de uma Cooperação Técnica Internacional entre a Universidade Federal do Rio Grande do Norte e a Universidade Aberta de Portugal, no âmbito de um pacto interfederativo, denominado Projeto de Resposta Rápida à Sífilis nas Redes de Atenção, para o desenvolvimento de trabalhos de pesquisa em nível de mestrado. Para colaborar com a reflexão em torno dessa área de interesse, esta dissertação tem como objeto de estudo discutir o potencial de uma comunidade virtual como ferramenta de prevenção aos casos de sífilis em mulheres gestantes, um dos grupos considerados prioritários na atenção em saúde. O nosso objetivo geral é investigar a viabilidade da utilização da comunicação digital para o compartilhamento de informações corretas sobre essa infecção sexualmente transmissível e, dessa forma, colaborar com a prevenção de novos casos da enfermidade. Para essa investigação, estabelecemos três objetivos específicos: 1) verificar se unidades públicas de saúde de Natal usam ferramentas digitais de comunicação para a troca de informações com mulheres gestantes; 2) identificar exemplos bem sucedidos de uso da linguagem virtual na prevenção de doenças nesse público; 3) definir uma estratégia de comunicação para emprego em uma comunidade virtual direcionada, especificamente, às mulheres gestantes. Com a finalidade de alcançarmos os nossos objetivos, buscamos a fundamentação teórica na definição clássica de comunidades virtuais (Howard, 1996), na concepção de cibercultura (Lévy, 1999), na definição de sociedade em rede (Castells, 1999) e na abordagem sobre redes sociais na internet (Recuero, 2009). Metodologicamente, esta pesquisa pode ser classificada como qualitativa de vertente etnográfica (Angrosino; Flick, 2009; André, 1995), apoiada também nas concepções de interculturalidade (López, 2019), de Etnografia Digital (Kozinets, 1998) e no conceito de comunidades de aprendizagem e de prática (Schlemmer, 2012).
- Famílias imigrantes, cuidados aos idosos e género: um estudo de famílias imigrantes no Luxemburgo com familiares idosos no país de origemPublication . Gonçalves, Maria da Conceição Loureiro; Ramos, NatáliaA crescente globalização e o aumento da mobilidade humana são realidades incontestáveis no mundo contemporâneo. Os indivíduos, as culturas e as formas de compreender o mundo atravessam fronteiras, alterando estilos de vida e estabelecendo novos vínculos noutras geografias. Outra realidade refere-se ao envelhecimento populacional e às preocupações relacionadas com os cuidados aos idosos. Num cenário de migração, estas questões adquirem grande dimensão. O fenómeno do envelhecimento populacional preocupa os familiares, as instituições governamentais e políticas e a sociedade. O presente estudo procura compreender como os familiares da pessoa idosa gerem o seu quotidiano e os cuidados à distância. Para tal, foi adotada uma abordagem qualitativa de caráter indutivo. Numa perspetiva interseccional de relações de género, procurou-se compreender as práticas dos cuidados, as dificuldades e as (des)igualdades que permeiam essas relações no contexto familiar dos entrevistados. A pesquisa sublinha que a interseccionalidade das relações de género no âmbito dos cuidados à distância apresenta complexidades e desafios para os familiares, considerando as dimensões culturais, económicas, sociais e emocionais envolvidas. Ademais, destaca que os cuidados à distância são frequentemente atribuídos às mulheres, refletindo normas culturais tradicionais, além de sentimentos de dever moral e filial. Assim como sentimentos de culpa, impotência e tristeza. O estudo revela a importância dos meios de comunicação em rede na aproximação das famílias e na partilha dos cuidados à distância. A investigação permitiu-nos avaliar a complexidade dos cuidados transnacionais, abrir reflexões para estudos futuros e apontar caminhos para novas abordagens.
- Imigração ucraniana e cuidados de saúde na GolegãPublication . Fernandes, Maria João dos Remédios Carmo Gualter; Bäckström, BárbaraA temática das migrações continua a ser, hoje mais do que nunca, um assunto de grande estímulo para os investigadores das ciências sociais. O presente trabalho pretende ser uma reflexão sobre a perceção dos imigrantes ucranianos e prestadores de cuidados de saúde na integração dos primeiros nos serviços de saúde implementados numa unidade de cuidados de saúde primários. Procuramos identificar as necessidades e dificuldades sentidas na relação intercultural estabelecida tendo em conta as diferenças culturais e linguísticas, a estabilidade social e laboral e o (des)conhecimento da legislação, percecionados como condicionante ou não no acesso aos mesmos. É assim uma investigação com desenho observacional, descritivo e transversal. A metodologia utilizada é de natureza qualitativa e quantitativa com base na visão empírica sendo feito, num primeiro momento uma pesquisa documental, contactos com diferentes profissionais de saúde e cidadãos imigrantes ucranianos, seguindo-se entrevistas semiestruturadas e inquéritos. A investigação incide sobre imigrantes ucranianos e os Serviços de Saúde do concelho da Golegã, vila do distrito de Santarém na região de Lisboa e Vale do Tejo. A recolha, análise e tratamento de dados permitiu conhecer as dificuldades sentidas por esta população específica quanto aos cuidados de saúde. Os resultados do estudo apontaram para dificuldades na diferença linguística levando a comunicação ineficaz aquando da chegada destes imigrantes, mas que se dissipam ao longo do tempo. Esta investigação mostrou através dos inquéritos e das entrevistas efetuadas aos profissionais de saúde e imigrantes, que é possível implementar estratégias que facilitam a integração dos mesmos nos serviços de saúde, recorrendo a ferramentas informáticas, espírito de equipa num processo de entreajuda tanto no acesso aos serviços de saúde como na acessibilidade aos serviços sociais para uma melhor inclusão com a ajuda do município e Centros de cariz social. Conclui-se que uma relação de confiança na relação utente/profissional durante a interação é um fator determinante para o processo de integração na sociedade face aos cuidados de saúde valorizando um atendimento eficiente não descurando a diversidade e a vulnerabilidade dos imigrantes.
- A influência da comunicação intercultural no funcionamento e saúde psicológica de casais heterossexuais originários de diferentes culturasPublication . Santos, Neusa de Oliveira; Ramos, NatáliaApós alguns anos atendendo como psicoterapeuta de casais que apresentam graves problemas conjugais, observei a existência de uma problemática comum: a comunicação interpessoal. Assim, a motivação para esta pesquisa deu-se em função da complexidade e da frequência desse assunto, que é comum a todos os casais. Um fato chamou a atenção: os casais apresentavam também problemas relacionados a diferenças culturais, o que gerava dificuldades na comunicação. Surgiu, então, a pergunta: será que a cultura de cada pessoa presente no relacionamento interfere na relação a ponto de gerar problemas psicológicos e levar essas pessoas a buscarem terapia? A presente pesquisa objetiva observar se há influência da comunicação intercultural no funcionamento e na saúde psicológica de casais heterossexuais oriundos de diferentes culturas. A fim de atingir o objetivo, foram elaborados e utilizados dois instrumentos: o Guião para recolher os dados sociodemográficos e a Entrevista de Avaliação do Relacionamento Conjugal. Da pesquisa, concluiu-se que existem diferenças culturais e elas interferem na vida conjugal e familiar dos pesquisados, mas, no aspecto da comunicação verbal e não verbal, os resultados apontam que, nos dois grupos: casais com ascendência brasileira e casais com ascendência estrangeira, os problemas, como a insistência em ter razão, que inibe a participação do parceiro, as expressões ríspidas e o tom de voz elevado, que geram constrangimento e vulnerabilidade, são semelhantes, afetando a qualidade do relacionamento e a saúde psicológica dos parceiros conjugais. Verificou-se que, embora 64,28% dos casais reconheçam interferências decorrentes de diferenças culturais na comunicação verbal e não verbal, os 35,71% que afirmaram não sofrer esse tipo de influência relataram, que existiam problemas significativos de comunicação, mesmo quando não os associavam diretamente a diferenças culturais. Pode-se afirmar que a hipótese inicial não se confirmou. Os resultados obtidos apontam para outras variáveis: todos os casais (100%) indicaram que existem falhas na comunicação, no entanto as crenças e interpretações dos fatos do quotidiano resultam em desentendimentos conjugais, ou seja, problemas de ordem cognitiva e afetiva.
- Mães migrantes brasileiras não documentadas nos EUA: impacto na integração, qualidade de vida e saúde mentalPublication . Silva, Fabiana Santos de Oliveira e; Ramos, NatáliaEste trabalho busca conhecer e analisar a situação de mães brasileiras que vivem nos Estados Unidos, mas não possuem documentação legal. A pesquisa em questão é de tipo qualitativa. Para tal, foram realizadas entrevistas em profundidade dirigidas a 12 mulheres imigrantes, com perguntas centradas sobre: integração, qualidade de vida e saúde mental. No contexto da integração, a maioria delas demonstra indícios de uma migração transnacional em que se vêm situadas entre as culturas norte-americana e brasileira. Todas apresentam reconhecimento e gratidão às oportunidades obtidas no país receptor, mas duas não se consideram integradas neste país. Verifica-se que o status migratório da situação irregular traz consequências emocionais e psicológicas para o bem-estar destas mulheres, ao relatarem episódios depressivos, de estresse e de discriminação, com impactos na saúde mental, no quotidiano e projetos de vida. Elas apontam sofrimento psíquico e dificuldades psicossociais e interculturais. Por serem mães, a relação com o país ocorre muitas vezes por causa dos filhos criados em solo norte-americano e há valorização da qualidade de vida oferecida aos filhos sob o prisma econômico neste país. Por causa dos filhos, a maioria destas mães não quer voltar a residir no Brasil. Os resultados apontam para a necessidade de mais estudos nesta área, de uma análise, investigação e discussão mais aprofundadas da situação migratória, dos processos de integração, identitários e de saúde mental, bem como do desenvolvimento de estratégias e políticas no âmbito da imigração irregular, em particular das mulheres imigrantes não documentadas, tendo em vista uma intervenção mais adequada e coordenada neste âmbito.
- Mulheres e migrações forçadas em Portugal: adaptação, resiliência e integração socialPublication . Sampaio, Catarina; Ramos, NatáliaEsta investigação procura ampliar o conhecimento da realidade psicossocial de mulheres que, em contexto de migração forçada, chegaram a Portugal, explorando as principais dificuldades do percurso migratório e os principais fatores protetores que facilitaram os seus processos de resiliência, adaptação e integração social. Para tal, foram relevados os significados que as protagonistas atribuem às suas experiências, recolhidos através de nove entrevistas semiestruturadas e em profundidade, a mulheres oriundas do Iraque, da Síria e da Líbia. É também a partir das suas perceções que se analisam questões de género e a forma como estas se relacionam com dimensões religiosas, familiares, sociais, psicológicas e culturais. A investigação coloca em evidência um acervo de vulnerabilidades desencadeadas pela experiência migratória e pela pertença de género, o que justifica a análise intersecional. Os resultados revelam um conjunto de adversidades no acolhimento, destacando-se: isolamento e distância familiar e do grupo social; dificuldades de acesso ao emprego qualificado; falta de suporte institucional; fracas condições habitacionais; desconhecimento da língua; desconhecimento dos serviços de saúde; não reconhecimento de grau académico e discriminação. Por outro lado, são identificados diversos fatores protetores que auxiliam a integração no país recetor, evidenciando-se: estabelecimento e manutenção de redes sociais; recurso a redes sociais digitais; segurança; emprego; domínio da língua; religião; suporte institucional; acesso à saúde; acesso à educação; participação cívica e política; desporto; questões de género relacionadas com empoderamento e maior autonomia. Espera-se que a presente investigação possa incentivar o debate e a reflexão sobre estratégias e políticas de integração em Portugal, promovendo medidas de atuação adequadas às necessidades de mulheres em contexto de migração forçada.
