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  • Alteridade e humanismo em Vieira
    Publication . Pinto, Porfírio
    As “descobertas” e “conquistas” ibéricas dos séculos XV e XVI obrigaram a Europa a repensar a sua relação com o “outro”, com uma “nova humanidade”, nomeadamente com o “negro” e com o ameríndio. E se o negro-africano foi objeto de tráfico esclavagista, entre a aceitação geral e a inevitabilidade “para o bem das colónias”, o “índio” americano esteve no âmago de um debate acerca de “direitos”, que certamente conduziria às modernas declarações de “direitos humanos”. O presente ensaio parte deste contexto geral, para se centrar na abordagem vieirina desta “nova humanidade”.
  • Uma «nova teologia» para um tempo novo
    Publication . Pinto, Porfírio
    Lutero foi, fundamentalmente, um teólogo, mas um teólogo de um tempo novo. Ele é, provavelmente, um dos primeiros frutos da «nova teologia» anunciada por Lorenzo Valla, fundada nas Escrituras e nos Padres da Igreja, simultaneamente antiescolástica e antiespeculativa. Como houve outros, em Alcalá, Paris, Salamanca ou Lovaina. Desejava-se uma teologia «positiva» e pastoralmente relevante. Lutero, além disso, pugnava por uma teologia também existencial, com impacto na vida quotidiana do crente. Ia nesse sentido a descoberta feita nos anos de lecionação das cartas paulinas: a descoberta do sentido da justificação pela fé! Ele encontra neste tema teológico o âmago do anúncio cristão. Depois, lança-se num combate contra a «teologia da glória»(a teologia escolástica e especulativa), para sublinhar a verdadeira teologia revelada por Deus, a «teologia da cruz». Não lhe interessa um Deus abstrato (o Deus absconditus), mas o Deus que se comunica e relaciona com o homem. Ou seja, o pro me da soteriologia luterana.
  • “O Amor Jamais Passará”: O Descensus Christi e a Vida Além-Túmulo
    Publication . Pinto, Porfírio
    Incorporada ao Símbolo dos Apóstolos, a fórmula cristológica descendit ad inferos remete para uma realidade cultural e teológica veterotestamentária, o sheol, que é profundamente transformada (do ponto de vista teológico) pela revelação neotestamentária. Depois da morte na cruz, Jesus foi sepultado e a sua alma (nepheseh) desceu ao sheol, partilhando a condição de todos os seres humanos. O homem- -Deus é solidário com todos os defuntos, experimenta a derrelicção total e leva a sua obediência ao extremo (a verdadeira “obediência do cadáver”). Essa obediência na derrelicção é simultaneamente uma vitória, que culmina no resgate divino: Deus ressuscitou-o dentre os mortos. Paradoxalmente, Deus identificar-se com Jesus morto! Poderíamos pensar que, no descensus Christi, houve como que uma autoredefinição de Deus a favor de todos os homens, criando uma possibilidade de relação amorosa além-túmulo.
  • Origens da sensibilidade devocional da narrativa de Fátima
    Publication . Franco, José Eduardo; Pinto, Porfírio
    A narrativa de Fátima é profundamente devedora das correntes modernas de espiritualidade mariana, ou cristológico-mariana. A Senhora que apareceu em Fátima, na última das suas aparições, revelou-se como «a Senhora do Rosário». Esta invocação mariana, que se afirmou nos anos subsequentes à conclusão do concílio de Trento (sobretudo depois da Batalha de Lepanto, em 1571), era particularmente venerada pelos Pastorinhos na sua paróquia de Fátima. No entanto, nas conversas destes com a Senhora vestida de branco, «mais brilhante que o sol» (cf. Ct 6, 10; Ap 12, 1), sobressai a doutrina reparadora do Imaculado Coração de Maria, bem como a sombra protetora da Mãezinha do Céu, a «Mãe de misericórdia» da tradição monástica. São estas duas sensibilidades modernas que constituirão o objeto da breve abordagem apresentada neste nosso ensaio.
  • O «Grande Teatro do Mundo» no Padre António Vieira ou os fundamentos de uma teodramática
    Publication . Pinto, Porfírio
    O topos do theatrum mundi tem uma longa história, que começa na Antiguidade clássica, sendo particularmente utilizada pelos filósofos estoicos e, posteriormente, por alguns Padres da Igreja. Com um uso esporádico durante a Idade Média, quando era mais utilizado o topos do speculum, ele reaparece com força no Renascimento e, sobretudo, no Barroco. Os maiores dramaturgos do século XVII (Shakespeare, Calderón de la Barca e outros) fazem dele uso correntemente. Mas não apenas eles, também os pregadores sagrados o referem em seus sermões. O Padre António Vieira é disso um bom exemplo. Contudo, neste estudo, interessar-nos-á mais particularmente a sua interpretação «histórica» deste mesmo topos nos seus escritos proféticos. A reflexão vieiriana, aprofundada na Clavis prophetarum, é percursora, a nosso ver, da moderna teodramátrica balthasariana: a história tem um sentido teológico, nela se desenrola um drama dirigido pela Divindade.
  • O Flos sanctorum proibido
    Publication . Pinto, Porfírio
    O presente estudo debruça-se sobre a sorte dos legendários hagiográficos medievais no século XVI, quando deixaram de ser publicados e deram lugar a outros legendários historiograficamente mais críticos e veiculando um novo tipo ou modelo de santidade, que correspondia melhor às exigências do concílio de Trento. Durante este processo de mudança, é curioso observar que ditos legendários em romance foram objeto de um controlo apertado da Inquisição, pelo que alguns deles incorporaram os índices de livros proibidos da altura.
  • Retórica y teología en el siglo XVII en Portugal: el caso del padre António Vieira
    Publication . Pinto, Porfírio
    Durante dos siglos (entre mediados del s. xv y mediados del s. xvii), retórica y teología han establecido un diálogo proficuo en post de la renovación de los estudios teológicos (studia divinitatis), frente a la exhausta escolástica, recurriendo a las posibilidades concedidas por los estudios humanistas (studia humanitatis), mayormente la filología y la historia crítica. Ese diálogo sería interrumpido con la aparición de la manualística (fines del s. xvii) y la “muerte” de la retórica bajo los golpes del racionalismo (Descartes), del empirismo (Locke) y del jansenismo (Pascal). Una de las últimas expresiones de ese diálogo la encontramos en las obras del jesuita António Vieira, que aquí estudiamos en su doble función: como orador sacro y como teólogo.
  • O desejo de imortalidade em tempos “Apocalípticos”
    Publication . Pinto, Porfírio
    Um dos aspetos da doutrina cristã mais criticados pelos meios libertinos dos sécs. xvii e xviii foi a escatologia dos “fins últimos” (novissima), que marcou toda a Idade Média e também serviu para alimentar uma certa “pastoral do medo”. Essa escatologia distinguia entre os fins individuais – os “novíssimos do homem”: morte, juízo, inferno e paraíso – e os fins gerais – os “novíssimos do mundo”: o fim do mundo, a parusia, a ressurreição dos mortos e o juízo final. Nas narrativas “apocalípticas” de carácter popular que aflorámos neste estudo não é difícil detetar um “diálogo” pós-moderno com essas doutrinas cristãs. Podemos mesmo considerar ditas narrativas num plano de mediação entre o desconstrucionismo pós-moderno e a escatologia judaico-cristã (ver WÖLL, 2019). De todos os modos, como vimos, as narrativas da cultura popular atual comungam de um pessimismo que contrasta vivamente com a esperança da escatologia cristã.