Mestrado em Estudos Portugueses e Interdisciplinares | Master's Degree in Multidisciplinary Portuguese Studies - TMEPI
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Recent Submissions
- Sophia de Mello Breyner Andresen: a viagem e a representação da história em O Cavaleiro da Dinamarca, Saga, A Menina do Mar e A ViagemPublication . Gonçalves, Maria Antónia da Costa; Vila Maior, Dionísio
- O segredo: em torno do segredo: uma "viagem" dos contos de expressão e transmissão oral aos contos de Miguel TorgaPublication . Fonseca, Dulce Maria Paulino da; Dias, Isabel de BarrosO presente estudo pretendeu conhecer o modo como o conceito de segredo é abordado em diferentes textos da literatura portuguesa. O corpus do trabalho é constituído por contos de expressão e transmissão oral e contos de um autor do século XX, Miguel Torga. Após reflectirmos sobre o conceito de segredo e apontarmos os aspectos relevantes da sua esfera semântica, investigámos a forma como o mesmo é tratado nos dois tipos de narrativas. Pudemos verificar que nos contos de expressão e transmissão oral, concretamente nos contos maravilhosos, o segredo está predominantemente associado ao interdito e à transgressão, elementos essenciais à estruturação destas narrativas e conducentes à aprendizagem e maturação do(s) herói(s). Já nos contos de Torga a sua abordagem está ligada ao drama existencial do ser humano e, nesse sentido, radica-se no indivíduo e nas questões relacionais com que este se depara, tanto na esfera pessoal como interpessoal. Após este trabalho preliminar, procedemos a uma análise comparativa global entre os dois tipos de narrativas em estudo, com vista a identificar ecos e ressonâncias , ou a reconhecer dissemelhanças, estabelecendo pontes e/ ou confrontos. O objectivo desta parte à qual chamámos síntese contrastiva foi, portanto, extrair ilações que nos permitissem concluir sobre fenómenos de identidade e/ ou variação temática do segredo entre os dois tipos de textos narrativos; uns enraízados na oralidade, produto de um fenómeno colectivo e intertextual, os outros resultantes de um trabalho individual consagrado e perfeitamente delimitado no tempo e no espaço. Verificámos que, apesar das diferenças incontestáveis, também podemos encontrar semelhanças, pois as narrativas de Torga conseguem actualizar noções e valores presentes nos contos de expressão e transmissão oral.
- O motivo histórico em Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett: para uma abordagem em contexto escolarPublication . Silva, Maria Madalena Cadima Leite da; Vasconcelos, Ana IsabelO presente trabalho tem como ponto fulcral a análise do Frei Luís de Sousa num desejado contexto escolar, na qual o elemento histórico surge como um elemento constituinte do próprio texto. Por isso, todo o trabalho aparece enformado à luz de um diálogo quase permanente entre a Literatura e a História. Num primeiro capítulo faz-se uma breve contextualização do autor, Almeida Garrett, relativamente ao seu percurso literário – desde a matriz clássica que vem da sua juventude até ao seu envolvimento na reforma do teatro em Portugal – naturalmente relacionado com o seu percurso profissional, em Portugal e no estrangeiro. Com o advento do drama histórico, cujos princípios teóricos nos chegaram sobretudo de França, a produção do drama histórico português que precedeu a publicação do Frei Luís de Sousa é contextualizada, tendo em conta duas formas diferentes de utilização da História: uma identificada com a obra Lopo de Figueiredo ou a Corte de D. João II, de Morais Sarmento, e a outra identificada com a obra Os Dous Renegados, de Mendes Leal. É, no entanto, neste contexto pautado pelos ideais liberais, de uma História cada vez mais próxima das ciências exactas, para o qual Alexandre Herculano teve grande importância, que Garrett publica Um Auto de Gil Vicente, a obra que o próprio considera o modelo do drama romântico, seguindo-se-lhe O Alfageme de Santarém. Ainda neste capítulo, tem lugar, com base num artigo de Kurt Spang, a caracterização do drama histórico à luz dos princípios teóricos actuais, para uma posterior aplicação à obra. Na segunda parte (capítulo II), procede-se ao reconhecimento do Frei Luís de Sousa como obra do cânone literário e escolar. Todavia, e após a análise de quatro edições didácticas de referência, observa-se a ausência da valorização do elemento histórico. É, por consequência, no Capítulo III que, na tentativa de colmatar o que consideramos ser uma lacuna existente, se procede a uma abordagem que tem no elemento histórico – cuja fonte privilegiada é o Prólogo à Segunda Parte da História de S. Domingos – o seu ponto de referência, mas para a qual são igualmente importantes os textos autorais: “Memória ao Conservatório Real”, as Notas do autor, e ainda o “Prólogo dos editores”.
- Manuel Alegre: entre o desassossego e a errânciaPublication . Oliveira, Elisa Bernarda Coleta dos Santos; Vila Maior, Dionísio
- Escrita feminina: dizer mulherPublication . Tanissa, Marília da Conceição Espadinha Gonçalves Pita; Teixeira, Rui de AzevedoA literatura é arte concretizada por um discurso. À linearidade que esta afirmação encerra subjaz uma teia de complexas relações que se entremeiam no sentido de sufragar o corpus textual a significâncias múltiplas. Ao desnudá-las, interrogamo-nos, em primeira instância, pela autoridade de quem o concebeu. A escrita encarada como uma manifestação de poder foi mais um dos estratagemas utilizados pela dominância masculina ao logo das eras. A Mulher, subjugada ao olhar e ditames de uma sociedade patriarcal, aninhou-se num resguardo doméstico, apenas permeado pela intensa temporalidade que o seu íntimo ia rendilhando. Este contínuo exílio a que foi votada conferiu-lhe a culpabilidade de um pecado que não podia mais ser entendido como original e o amadurecimento necessário para perceber que a incomunicabilidade era a pior das sujeições. Timidamente errou por conventos ou guarneceu-se de vestes outras, iniciando assim o arrojado processo de libertação e, simultaneamente, o assomo a uma equiparação ao Homem, materializada, sobretudo, em actos. Ao apartar-se desse jugo encontrou-se com a tinta que se responsabilizaria pelo colorir de uma nova existência. Ténue, a princípio, porque matizava ainda uma aspiração ofuscada a ser, inflamado depois quando interiorizou, mostrando, que tinha uma palavra a dizer. A inscrição do corpo no texto manipula temáticas várias, porém a Mulher extrapola todas as muralhas que sobre si se erigem, tornando-se difícil perceber quando ela escreve. Contudo por mecanismos, essencialmente, temáticos mas também discursivos, assiste-se à inauguração na escrita de uma identidade feminina personalizada, revelada numa progressiva construção de um tempo interior, e já não estereotipada. Preludia-se um novo confronto entre sexos biológicos e géneros sociais, tornando-se premente a destrinça do texto criado pelo homem do gerado pela mulher. Inviabilizou-se o desígnio porque a questão autoral não aclara a especificidade dos textos. Criou-se então o termo de escrita feminina. Esta por oposição à outra, à canonizada. Discutiremos a pertinência do termo ao longo do trabalho, reconhecendo, contudo, que os traços que a arquitectam são passíveis de tradução da autoridade textual que acima questionámos. Traços quentes de uma memória que ebule ante um passado e que, ao repensar o presente, propõe a construção de um futuro, outro, com o comprometimento apenas a uma sensibilidade que é só sua, do Homem ou da Mulher.
- Da "boca do corpo" aos "olhos da alma": o embodied self no português europeu : uma abordagem cognotivaPublication . Castanho, Arlindo José Nicau; Batoréo, HannaO presente trabalho perfilha a noção, comummente aceite no âmbito das modernas Ciências Cognitivas, de que o embodiment é a condição básica dos nossos sistemas perceptivos e cognitivos. De acordo com o conceito basilar de embodiment, percepção e cognição encontram-se intimamente ligadas, e tal interdependência não pode deixar de reflectir-se nos nossos processos de conceptualização e de expressão linguística. Estes pressupostos fazem prever que o embodiment condicione fortemente as conceptualizações respeitantes ao nosso próprio Eu, à relação entre o Eu e o corpo e à relação entre o corpo e as suas partes e órgãos. Seguindo a escala de relações acabada de apresentar, empreendemos sucessivamente, no âmbito do Português Europeu: a análise das modalidades de referência ao Eu e das conceptualizações que lhes são subjacentes; a análise da conceptualização do corpo, e da relação entre este e as suas partes, através de termos e expressões capazes de ilustrar amplamente tais mecanismos conceptuais. A linguagem encontra-se enraizada no corpo – embodiment “restrito” – e no ambiente físico-social – embodiment “generalizado” –, e é essa dependência da língua, em relação ao organismo e ao ecossistema, que faz com que se não possa falar sem se recorrer sistematicamente a processos de figuração ancorados na realidade material circunstante, tais como as metáforas e as metonímias. Em virtude das conceptualizações metonímica, metafórica e híbrida (porque estes dois processos figurativos se encontram, em muitos casos, intimamente coligados), a referência ao corpo e às partes ou órgãos do corpo demonstra-se, pois, no Português Europeu como nas outras línguas (mas é o Português Europeu que nos interessa prioritariamente), marcadamente polissémica. Procurámos dar conta dessa polissemia generalizada, através da análise de alguns termos básicos da taxonomia somática corrente e de algumas expressões referentes ao corpo e às suas funções perceptivas e cognitivas. Essas análises estearam-se na consulta e comparação sistemática dos verbetes que um grupo seleccionado de dicionários monolingues dedica a tais termos e expressões, bem como nos dados que sobre os mesmos nos fornece o corpus informático de elaboração de textos jornalísticos de que sistematicamente nos servimos. Isso não nos impediu de recorrer oportunamente a outras fontes documentais, sempre que estas nos tenham disponibilizado outros dados igualmente pertinentes, não presentes nas fontes documentais básicas. A análise dos dados linguísticos facultados pelas diversas fontes pautou-se, em linhas muito gerais, pelos seguintes dois princípios, próprios da Linguística Cognitiva: a) a focalização preferencial da análise linguística sobre a componente semântica; b) consequentemente seja a a) seja ao espírito que é próprio da Linguística Cognitiva, o pleno desenvolvimento da análise semântica implica uma genuína aplicação do princípio da Transdisciplinaridade, o que se traduz numa contínua atenção aos constructos propostos pela Neurofisiologia, pela Psicologia Aplicada, pela História da Língua, pela Iconologia, pela Antropologia Cultural, etc. Uma Linguística Cognitiva “fechada em si própria” seria, com efeito, uma contradição: uma abordagem cognitiva dos fenómenos linguísticos que prescinda dos métodos de análise propriamente linguísticos – ou que os trate como acessórios – não é, obviamente, Linguística; e uma Linguística que prescinda dos elementos fornecidos pelas outras Ciências Cognitivas – ou que os trate como meramente acessórios – não pode ser dita Cognitiva. No final do trabalho, esperamos ter amplamente demonstrado: a) a validade dos princípios acabados de enunciar; b) a inevitabilidade do recurso à metáfora e à metonímia, no Português Europeu (ainda que a mesma seja extensiva, muito provavelmente, a todas as línguas; mas só no caso do Português Europeu nos é dado averiguá-lo cabalmente); c) a interpenetração e interdependência dos processos de conceptualização metafórica e metonímica (sendo igualmente válido, neste caso, o parêntese da alínea precedente).
- A presença do feminino no discurso epistolográfico de Fernando PessoaPublication . Faria, Rita Margarida China da Silva; Vila Maior, Dionísio
- Três retratos femininos em Os MaiasPublication . Serejo, Lina Maria Henriques; Piedade, Ana NascimentoEste trabalho analisa três personagens femininas de Os Maias, de Eça de Queiroz, verdadeiramente notáveis pela coragem e determinação com que lutam pela mudança dos seus destinos, mesmo que para isso tenham de praticar adultério: Maria Monforte, Maria Eduarda e a Condessa de Gouvarinho. Através do adultério Maria Monforte insurge-se contra as normas discriminatórias de uma sociedade que ao homem tudo permite, mas que espartilha a liberdade de acção da mulher, os seus sentimentos e emoções. Ela mostra a sua independência face à mesquinhez de todos aqueles que, por viverem presos à aparência, não consumam as suas paixões. Embora não consiga legitimar as suas relações, Maria Eduarda não é uma mulher fácil e inconstante. É a força das circunstâncias e a necessidade de sobrevivência que a atiram sucessivamente para os braços de dois homens que não ama. Quando encontra a verdadeira paixão, avassaladora e sem limites, o seu passado estigmatiza-a. No entanto, detentora de uma forte consciência moral, luta até ao fim para provar que é uma “boa mulher”. A Condessa de Gouvarinho, presa num casamento por conveniência, é notável pela irreverência e audácia que revela no jogo de sedução em que envolve Carlos da Maia. Apaixonada, luta com tenacidade por uma relação que alie o amor ao prazer físico, provando estar à frente da sua época. Para ela o adultério é a única forma de saciar o desejo, por isso ela se apresenta sempre picantemente tentadora. Estas personagens mostram bem a força da mulher oitocentista que tenta libertar-se dos rígidos códigos que a oprimem.
- A política de defesa do Japão face aos EUA : da imprensa periódica como instrumentos de guerra : 1853-1945Publication . Torres, Marcelo Vasconcelos de O.; Avelar, Ana PaulaEsta dissertação decorre de toda uma série de interrogações com as quais me deparei ao longo de alguns anos de leitura sobre várias temáticas, todas elas de grande relevo para a história, e outras disciplinas relacionadas às questões humanas. Capitalismos , imperialismo, colonialismo, exploração comercial, direitos humanos, fascismo, guerra justa (ou injusta), entre outros; são todos temas conexos à linha de pesquisa, sendo, portanto, motivo de objetos de estudos complementares, sem os quais o juízo sobre o tema ficaria comprometido. A escolha dos fatos históricos ocorridos no Japão enquanto exemplo para reflexão, se deu pela complexidade que o período possui. A princípio havia a intenção de trabalhar a influência da Companhia das Índias inglesa na Índia, China e outros países, por constituir em importante período de afirmação do imperialismo ocidental; no entanto a tentativa de colonização do Japão, apesar de não apresentar em seu início os aspectos de exploração atroz observadas principalmente na Índia e regiões adjacentes, ofereceu um panorama mais complexo pela adaptação nipônica aos paradigmas que lhe foram impostos, oferecendo ao lado dominante melhores condições de distorcer aspectos gerais deste episódio a partir de questões específicas. Compreender em que contexto (como, porque e quando) se deu o processo de militarização do Japão, ao que já se sabia ser uma resposta às sucessivas tentativas de colonização do país por forças ocidentais, culminando na abertura forçada da economia japonesa pelos Estados Unidos com decorrente assinatura de vários tratados desiguais por parte deste país, foram os objetivos que nortearam esta pesquisa. Foi igualmente finalidade desta pesquisa entender como aconteceu a ação de desenvolvimento das mídias estadunidenses, com destaque para o cinema, com o propósito de utilizá-la enquanto marketing de guerra, direcionado tanto para o público interno quanto externo do país. Para atingir tais objetivos fez-se necessário pesquisar em uma ampla bibliografia disposta sobre o tema, selecionando aquelas que estavam mais diretamente ligadas à análise em questão. Também foi necessária pesquisa em edições antigas de jornais atuais ou extintos, sendo esta a parte mais difícil do trabalho, com o objetivo de amparar a tese principalmente em pontos não abrangidos de forma satisfatória pela historiografia. Uma imensa gama de filmes foi assistida como forma de compreender a propaganda de guerra estadunidense, embora boa parte não tenha sido citada porque se julgou desnecessário fazer menção a toda ela. Espera-se que esta dissertação possa contribuir de alguma maneira com os objetivos propostos, que se encontram entrelaçados com os ideais que norteiam a monografia.
- A Índia de 1498 a 1505 : uma visão de João de BarrosPublication . Morais, Maria João Segura Gonçalves; Avelar, Ana PaulaAs construções históricas no contexto do humanismo português são variadíssimas. O interesse por tão fecundo tema como “Os Descobrimentos” é acompanhado por uma difusão de autores, empenhados em defender a reforma total do homem, acentuando-lhe o seu valor na Terra e dando primordial importância a tudo o que o possa tornar conhecido para a posteridade. João de Barros, autor português do século XVI, profundamente imbuído do espírito Renascentista, sente dentro de si a necessidade de dar a conhecer ao mundo os grandiosos feitos que os Portugueses tinham realizado em terras do Oriente e que corriam o risco de ficarem no esquecimento, caso não houvesse alguém que os divulgasse. (Lembremos que diversos autores afloram este tema, ao longo do mesmo século). É justamente a sua grandiosa obra, “As Décadas” o alvo desta pesquisa, balizada entre o Livro IV e o Livro VIII, da Década I, de 1498, com a chegada à Índia de Vasco da Gama, a 1505, com a entrada do primeiro Vice-Rei D. Francisco de Almeida. O que aconteceu ao longo desses sete anos? Como os portugueses engendraram as primeiras teias de um grande domínio? Como encetaram o grande objectivo de assegurar o monopólio do comércio das especiarias no Oceano Índico? Qual a receptividade dos soberanos nativos da cobiçada região? O estudo que nos propomos fazer é, exactamente, uma reflexão, sob a voz de João de Barros, acerca das primeiras interacções dos portugueses na Índia que permitiram, anos mais tarde, denominar aquele riquíssimo território como “O Império Português do Oriente”.