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Mestrado em Estudos Comparados - Lit. e Outras Artes | Master's Degree in Comparative Studies - Lit. and Other Arts - TMECLOA

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  • Por falar no Diabo: a adaptação de The Screwtape Letters para áudio-drama
    Publication . Capucha, Nuno Emanuel Monteiro; Bello, Maria do Rosário Lupi
    Esta investigação examina os desafios e as soluções encontradas na adaptação da obra epistolar The Screwtape Letters, de C. S. Lewis, para áudio‑drama (The Screwtape Letters: First Ever Full-Cast Dramatization of the Diabolical Classic, dirigida por Paul McCusker em 2009), confrontando‑a com outras duas dramatizações: Dracula, de Bram Stoker, adaptado por Orson Welles para o Mercury Theatre on the Air (1938), e O Mandarim, de Eça de Queiroz, produzido para a rádio pública portuguesa em Teatro Imaginário (2003). O problema comparativo central interroga como figuras demoníacas literárias distintas, nomeadamente, o demónio burocrata (Screwtape), o vampiro sedutor (Drácula) e o tentador burguês de Eça, são reconfiguradas num meio exclusivamente sonoro. A literatura sobre áudio‑drama sublinha a especificidade do som e a sua autonomia, mas permanece relativamente marginalizada nos estudos de adaptação. Procura-se colmatar essa lacuna, dialogando com autores como Gérard Genette e Linda Hutcheon, com a reflexão de André Bazin sobre a especificidade dos meios e com os debates em torno da intermedialidade, da ekphrasis e da transcodificação, abordando, neste percurso, a questão da fidelidade. Recorre‑se ainda às notas de Robert Bresson sobre o som como escrita e às normas da BBC para áudio‑dramas. O estudo reafirma o áudio‑drama como construtor do teatro na mente e como campo autónomo de investigação académica, demonstrando o seu potencial enquanto linguagem artística do século XXI e espaço privilegiado para repensar a persistência da figura demoníaca.
  • Metamorfoses digitais: a reconfiguração estética entre literatura e arte visual na era da inteligência artificial
    Publication . Romão, Joaquina; Childs, Jeffrey Scott
    Esta dissertação examina a hibridização literário-visual no digital, questionando o autor foucaultiano (Foucault, 1969) reconfigurado pela IA em ecologias rizomáticas de coautoria. Funda.menta-se na ero.são Lessing.uiana (Les.sing, 176.6/18.87: tem.po poéti.co ver.sus esp.aço pic.tórico), complex.ificada pelo diál.ogo palav.ra-imagem (Hayles, 2008; Manovich, 2013; Bolter & Grusin, 1999). O corpus selecionado materializa a civirtualidade - neologismo original aqui proposto para designar a fusão gesto-algoritmo que une real e virtual num ato criador partilhado (como abrir camadas oculares em Pry), distinto de ciborguismos harawayanos (Haraway, 1991), virtualidades cibernéticas gibsonianas (Gibson, 1984) ou redes rizomáticas deleuziano-guattariano (Deleuze & Guattari, 1980) -, em Pry v1.0 e v2.0 (Tender Claws, 2014, 2015; trauma bélico tátil), Quantum Garden (Anadol, 2020; cores quânticas vivas), Device 6 (Simogo, 2013; labirintos narrativos) e Le Moulin de la Galette reimaginado por IA (Renoir, 1876). A metodologia tríplice - close reading literário-visual, Processamento de Linguagem Natural (VADER) e Redes Neurais Convolucionais - triangula ambiguidade lexical performativa em Pry v2.0 e Device 6, caos criador em Quantum Garden e mutação generativa em Le Moulin de la Galette civirtualizado (Renoir, 1876), confirmando duas das três hipóteses de investigação sobre coautoria conjunta. Os resultados consubstanciam a hibridização como poética rizomática e processual: em Pry, os gestos pinch/spread/peel abrem memórias traumáticas; Quantum Garden dança fluxos em respirabstraction viva; Device 6 entrelaça histórias quânticas; Renoir ganha vida digital e transfigura o património em ecologia GAN. Reconhecem-se, contudo, limites estruturais: opacidades algorítmicas e vieses eurocêntricos (Bender et al., 2021). O contributo sistemático compreende um quadro-síntese analítico, Glossário (8 neologismos originais como civirtualidade, neuroplasticidade estética, ergódia somatossensorial) e uma ontologia operativa que renova os Estudos Comparados para o século XXI, articulando a tradição experimental portuguesa (Hatherly, 2006; Barbosa, 1997; Portela, 2017) com as vanguardas globais da IA generativa.
  • Curupira e caipora na tradição e nas mídias digitais: ressignificação contemporânea de personagens folclóricas brasileiras
    Publication . Ruela, Carolina de Paula; Dias, Isabel de Barros
    Esta dissertação investiga as ressignificações contemporâneas de Curupira e Caipora no ecossistema do YouTube, tomando como corpus três polos de mediação: o infantil e massivo (Turma do Folclore), o participativo‑metacomunicativo (Folclore BR) e o curatorial‑investigativo (Colecionador de Sacis). A partir de uma abordagem comparada e intermedial, combinam‑se procedimentos de análise audiovisual e netnográfica para descrever formatos (curta animado, canção, episódio, shorts, live/podcast, vídeo‑ensaio), estratégias discursivas (pedagogização do imaginário; curadoria mitográfica; checagem de desinformação; engajamento comunitário) e topoi iconográficos persistentes (pés invertidos, cromatismo vermelho, instrumentos de caça, territorialidade). Os resultados evidenciam: (i) a heroização eco‑pedagógica nas produções infanto‑juvenis; (ii) a função corretiva e desinformação nas mediações de divulgação; (iii) a compressão narrativa e estilística induzida pela lógica algorítmica do short‑video; e (iv) a atualização de matrizes simbólicas tradicionais em gramáticas audiovisuais contemporâneas. Argumenta‑se que a visibilidade desigual entre personagens (alta legibilidade algorítmica de Saci e Iara, menor de Curupira e, sobretudo, Caipora) decorre de requisitos de contextualização etnográfica e de padrões de retenção mediados por plataforma. Conclui‑se que essas ressignificações, longe de trivializarem o folclore, criam formas híbridas de mediação que articulam memória oral, cultura de plataformas e literacia midiática, com implicações para a educação e a preservação de patrimônios imateriais.
  • A vingadora e a sua vida dupla: facetas psicossociais de um fenómeno paradigmático na literatura e noutras artes
    Publication . Silva, Luís Emanuel Ramalho da; Gerald, Bär
    A vingança ocupa, desde a Antiguidade, um lugar central no imaginário coletivo, como manifestação de tensões entre justiça, violência e ordem social. Presente em tradições literárias e artísticas que vão do teatro clássico à ópera, da pintura ao cinema, assume configurações diversas conforme os contextos míticos, históricos e culturais. Nos casos em que a mulher assume o papel de vingadora, esta figura surge como uma personagem inconvencional ou até marginalizada, cujo gesto punitivo transgride os papéis sociais tradicionalmente atribuídos às mulheres. A sua ação, frequentemente associada a narrativas de “rape and revenge”, expõe tanto um lado oculto da subjetividade feminina como a dimensão coletiva de um imaginário persistente. Nela se inscrevem também traços do motivo do “duplo”, que permitem encarar a vingança como um prolongamento ou uma inversão da identidade da protagonista, revelando desejos e pulsões reprimidos pela norma social. Este trabalho centra-se na análise de personagens femininas que assumem o papel de vingadora na literatura e nas suas adaptações cinematográficas, explorando as relações entre vingança, justiça, género e mito. A investigação procura responder a questões como a definição da vingança à luz da teoria da ação, a sua evolução histórica, o papel das mulheres nesse processo, as diferenças entre vingadores masculinos e femininos, a dimensão performativa dos papéis de género e os efeitos da representação da vingadora enquanto figura de justiça pessoal. Examina-se ainda de que forma as protagonistas presentes nos corpora dialogam com reflexos do motivo do “duplo” e com a tradição mitológica. Coloca-se a hipótese de estas personagens se projetarem como protótipos sociais que interrogam as dinâmicas de poder e autodeterminação feminina, questionando até que ponto poderão ser entendidas como remakes contemporâneos das Erínias – divindades ctónicas da mitologia grega associadas à vingança e à justiça punitiva – no imaginário coletivo.
  • Chiquinho, de Baltasar Lopes: estudo da Jornada do Herói e da sua dimensão biblioterapêutica
    Publication . Machado, Liliana Marlene Vieira Baptista; Dias, Isabel de Barros
    Esta dissertação centra-se na análise da obra Chiquinho, de Baltasar Lopes, considerando a sua estrutura narrativa à luz da estrutura mental e narrativa conhecida como “Jornada do Herói”, tal como delineada por Joseph Campbell, procurando ainda explorar o seu enquadramento no âmbito da Biblioterapia. Pretende-se compreender de que forma o percurso do protagonista da obra, atravessado por temas como a pertença, a emigração e a superação, reflete um padrão narrativo arquetípico, proporcionando ao leitor uma experiência de identificação, de reflexão e de superação. Para além da abordagem teórica, recorreu-se a uma metodologia mista, incluindo um inquérito aplicado a leitores que contactaram com a obra, com o objetivo de recolher perceções sobre o impacto emocional e simbólico da narrativa, enfatizando o legado de Chiquinho e o facto de a obra continuar a ser valorizada como instrumento de leitura que ultrapassa o seu contexto histórico e cultural, mantendo-se relevante enquanto objeto literário promotor do diálogo interior e de ressignificação de vivências. O trabalho pretende evidenciar, ainda, que tanto a teoria campbelliana como as práticas de leitura com fins terapêuticos permanecem como domínios abertos a investigações futuras e a novas aplicações em diferentes contextos educativos e sociais.
  • Alteridade e fragmentação do eu na obra de E. A. Poe: a trilogia de Auguste Dupin da palavra à imagem
    Publication . Neves, Maria de Lurdes da Silva Martins; Bär, Gerald
    Com o presente trabalho, procuramos enquadrar a obra de Edgar Allan Poe no campo dos estudos interartes à luz do motivo do Duplo, destacando a desconstrução da personalidade das suas personagens literárias, atendendo em particular à fragmentação do eu da personagem Auguste Dupin, nos seus Tales of Ratiocination, atentando de que forma a (des)construção desta personagem inspirou o género literário no séc. XIX e XX. Procuramos ainda refletir sobre a relação literatura-cinema, nomeadamente sobre a problemática da tradução e da fidelidade cinematográfica, analisando o processo de adaptação a partir do conto The Murders in the Rue Morgue (1841) de E. A. Poe, com especial enfoque na forma como a duplicidade existente nos contos foi traduzida para a versão cinematográfica.
  • Van Gogh em movimento: Loving Vincent, de Dorota Kobiela e Hugh Welchman
    Publication . Gonçalves, Karina; Childs, Jeffrey Scott
    Esta dissertação de Mestrado é fruto de um trabalho de pesquisas dentro do campo dos Estudos Comparados Interartes e Intermédia. Investiga as relações entre literatura e outras artes na sociedade moderna e contemporânea. Tem como objetos de estudos as produções autorais do artista e escritor Vincent Van Gogh (1853-1890) e o filme Loving Vincent, de Kobiela e Welchman (2017), este, o primeiro longa-metragem da história que foi inteiramente pintado à mão. O trabalho retoma a história da representação do movimento nas artes visuais e localiza nas pinturas de Van Gogh a proposta vanguardista que viria a transformá-lo em um dos artistas mais presentes em obras de arte multimédia no século XXI. Do mesmo modo, expõe como um longa-metragem baseado em fatos reais apresenta, com plasticidade poética, sua vasta produção literária epistolar, de pinturas e desenhos reconhecidos no mundo todo. Nesse ínterim, discute as relações entre narratividade, representação, descrição e retórica presentes na écfrase cinematográfica. Mais ainda, abrese à discussão sobre as conexões entre e tempo e espaço em um aparato multimédia representativo da evolução da história da arte e do imaginário na sociedade contemporânea.
  • Fazer falar o silêncio: Paterson de Jim Jarmusch: uma tradução de Paterson de W. C. Williams
    Publication . Silvestre, Daniel José da Silva; Bello, Maria do Rosário Lupi
    Esta dissertação tem como objetivo evidenciar o conceito de silêncio que percorre o filme Paterson (2016) de Jim Jarmusch. A comparação com a obra de Williams servirá inevitavelmente para encontrar pontos de ligação entre as obras e sobretudo, pontos que apoiem a finalidade do estudo proposto. Divide-se em quatro partes: Teoria (que se encontra subdividida em quatro temas); Silêncio (com destaque para a composição da tipologia de silêncios que irão ecoar no filme); Paterson de Jim Jarmusch (destinado à importância dos elementos cinematográficos que corroboram a tese); Fazer Falar o Silêncio (capítulo essencial, pois é neste capítulo que irei apontar os elementos fílmicos responsáveis pela definição da tipologia de silêncios, assim como a sua aplicação); Conclusão. O corpus do trabalho é constituído por: Paterson (filme) e Paterson (obra literária). Estes foram escolhidos pelas semelhanças no que se refere à presença do motivo “silêncio” que se encontra presente nas obras dos dois autores. Foi também tida em conta a variedade de contextos, tempos e motivações que separam as obras, abrindo assim a possibilidade de pensar esta discussão num contexto mais alargado que inclui outros textos, outras formas de fazer arte. Este trabalho toma também em consideração a realidade atual e o estado da arte, incorporando questões que se mantêm apesar de o tratamento do tema remontar aos primórdios da reflexão sobre ele.
  • A poética do devir nos cruzamentos interartes: a expansão de sentidos da literatura à performance (dança)
    Publication . Dourado, Elisabete da Costa; Bello, Maria do Rosário Lupi
    Este projeto tem o objetivo de evidenciar o devir que emerge dos cruzamentos artísticos, concretamente nos processos de “adaptação” da literatura para dança (performance) e aferir de que forma esse devir também se pode constituir como elemento de coesão textual na criação da nova obra de arte. Procurar-se-á explorar, entre outros aspetos, de que modo a temporalidade se assume como estratégia narrativa transmedial, possibilitando a (des)construção de textos e a expansão de sentidos e compreender a relevância do recetor na (re)construção de novos tempos narrativos. Na contemporaneidade, o devir nas artes serve-se não só da (des)construção estrutural, como da confluência de linguagens artísticas, na busca de novos sentidos, que se podem transformar e expandir para além do espaço e tempo narrativos até ao infinito. Efetivamente, o estudo fundar-se-á num enquadramento conceptual mais geral, no âmbito dos cruzamentos interartes, não só sobre o conceito de devir, integrado no panorama das artes contemporâneas - a noção de “adaptação” enquanto transcodificação intersemiótica -, como também privilegiará noções gerais de narratologia e de conceitos afetos à análise performativa (dança). Numa perspetiva comparatista, alicerçada no diálogo intermedial e intertextual, encarar-se-á o fenómeno de transposição intersemiótica como forma de criação de novas obras de arte independentes, com novos e inesgotáveis sentidos, ainda que, inexoravelmente, evocativas das obras que inspiraram a sua produção. Assim, o estudo incide na dinâmica relacional, no diálogo interartes, neste caso concreto, literatura (narrativa literária: romance(s) de José Saramago) e dança – performance (Deste mundo e do outro, 2022, de Olga Roriz). Pretende-se adotar uma abordagem comparatista, fundamentada em preceitos teóricos relativos ao conceito de “adaptação”, que envolve dois sistemas semióticos diferentes, evidenciando-se, numa perspetiva intertextual e intermedial, o cruzamento e a interseção de aspetos literários e performativos (dança), preservando-se a essência vital dos temas que se revelam, a relação semiótica entre a arte e a vida, a revelação poética do devir.
  • Imagens literárias e iconográficas na poesia das Festas Minervais (1697) e na pintura Barroca da Galiza: estudo interartes
    Publication . Nimo, Sandra Freire; Dias, Isabel de Barros
    A dissertação de mestrado consiste, maioritariamente, na análise das imagens veiculadas pelas poesias da obra Fiestas Minervales y Aclamación, uma miscelânea, publicada em 1697, resultado de um certame literário encomiástico de enaltecimento ao arcebispo Alonso de Fonseca, figura de relevo para a cidade e para a Universidade de Santiago de Compostela, de que foi elemento fundador, no séc. XVI. A parte inicial do trabalho contém a identificação das principais representações imaginárias desta obra literária, a que se junta um estudo onde se reflete sobre os seus significados, incluindo diversas explicações. Após o comentário inicial inserimos uma reflexão comparativa entre este livro de poesias, impresso em Santiago de Compostela em 1697, Festas Minervais, e duas pinturas pertencentes ao período Barroco da Galiza. Mais concretamente, esta parte do estudo centra-se nas imagens presentes nas poesias da obra assinalada relacionando-as com duas representações figurativas, de temática funerária, que integram a pintura galega do mesmo período. Para finalizar, reflete-se sobre a comparação realizada, tendo em conta o contexto que viu nascer as duas obras.