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Sociologia | Comunicações em congressos, conferências e seminários / Communications in congresses, conferences and seminars

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  • Roma artistic expressions in Portugal: an exploratory approach to making roma culture visible
    Publication . Magano, Olga; Gypsy Lore Society
    Portuguese Roma have been victims of persecution for centuries, but they have preserved their culture, showing cultural resistance and affirming their identity (Nunes, 1996; Costa 1995). Roma people are part of Portuguese society, yet the Roma culture is still little known and valued. Roma are most often associated with negative, homogenizing stereotypes and images and labelled as social parasites (Silva, 2022). Portuguese studies have focused more on precarious living conditions and poverty and social exclusion (precarious housing, high illiteracy and school drop-out rates, inaccessibility to the labour market and issues of racism and discrimination), segregation and marginalization (for example, Magano, 2010, Mendes, 2007). In general, Roma cultural issues and artistic expressions are still little studied. Family festivities are the main occasions for celebrating the family and manifesting the traditions of the culture (weddings, petitions, birthdays, baptisms, etc.). Visibility has increased with the dissemination of videos on social media of festivals, music and singing, as well as religious moments (“cultos”), in which it is possible to observe these artistic manifestations, assumed and interpreted by several generations of families. It is therefore important to uncover and analyse the culture and artistic practices of the Roma that persist despite repression, particularly those who resisted 40 years of dictatorship and heavy police repression. The aim of this communication is to present an exploratory approach to Portuguese Roma artistic expressions, based on other European references (Marushiakova & Popov, 2016; Silverman, 2012) by analysing recordings available on social networks and other sources, in conjunction with the significance of the families' cultural heritage, while also equating the persistence of cultural ethnocentrism in Portuguese society with the failure to value Roma arts and failure to recognise Roma culture as part of Portuguese culture.
  • Hate speech, racism and xenophobia against roma people
    Publication . Magano, Olga; Gypsy Lore Society
    The presence of Roma people in different countries on different continents reveals the persistence of racist expressions and practices against Roma people (FRA, 2022). There have been many examples throughout history, mainly exacerbated by successive measures of repression, assimilation, expulsion from territories and attempts at extermination. This is the extreme case with the condemnation to banishment and galleys (Portugal and Spain) (Costa, 1995), social invisibility and non-effective citizenship during dictatorial states (Portugal, Spain and Italy, for example), but also in the case of Eastern European countries with submission to slavery, later to the proletariat (Romania) and the horror of medical experiments and the Nazi holocaust which victimised not only thousands of Jews, but also Roma people (Margalit, 2002). As we go through the literature on the history of the Roma, even though most of it is written by non-Roma (Fraser, 1997), the panorama takes us back to the systematic confrontation of attempts at expulsion, elimination, discrimination, social and spatial segregation, racism and xenophobia. Hatred of Roma people continues to be a current problem that exists in every country where Roma live. In other words, even though we are in the 21st century and democratic states prohibit forms of racism, xenophobia and discrimination, in practical terms it still happens in everyday life. This phenomenon has been fuelled by the growth of racist movements and far-right parties in recent years. Racist practices are ingrained in societies and it is difficult to deconstruct stereotypes and negative representations of Roma people, who are usually the victims of generalisations and essentialist perspectives (Stewart, 2012). In addition, more recently, hate speech in comments on news stories in the media and on social networks has become extremely serious, threatening the human and citizenship rights of Roma people (Tremlett et al. 2017; Magano & D’ Oliveira, 2023). This panel hopes to bring together contributions from researchers from different countries and contexts on hate speech, racism and xenophobia, as well as exclusionary practices and the exclusion of Roma people from the spheres of citizenship, but also in terms of (non-) access to housing, access to employment and vocational training, education and health, and discuss perspectives for tackling this social and sociological problem.
  • Entre a mediação idealizada e a mediação possível: o papel dos mediadores municipais interculturais no processo de integração de pessoas c iganas na cidade do Porto
    Publication . Magano, Olga; Vieira
    Romero (1997) defende a mediação intercultural como uma modalidade de intervenção de terceiras partes, em e sobre situações sociais de multiculturalidade significativa, orientada para a consecução do reconhecimento do outro e aproximação das partes, entre atores sociais ou institucionais etnocultural mente diferenciados. Contudo, geralmente, é apontada apenas a necessidade de mediação em contextos de vulnerabilidade e exclusão social ( 2008). Por vezes trata se de tentativas de “normalização” dos outsiders daqueles que se diferenciam dos “ (Elias Scotson, 2000 [ do ponto de vista cultural, visto que alguns cidadãos são encarados com estranheza ou até como “ ( 1997), acantonados espacial e socialmente e segregados do tecido urbano e da cidade ( 2014). Passados 50 anos do 25 de Abril de 1974, é notória a persistência da ciganofobia ( 2012) e do anticiganismo ( 2022; Magano D’Oliveira, 2023) em Portugal, estando por cumprir o direito à não discriminação. A criação de equipas de mediadores municipais e interculturais, no âmbito do Plano Estratégico para as Migrações, da Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas 2013 2020 e do Programa Operacional Inclusão Social e Emprego (Portugal 2020), em 2018 procurou responder à necessidade de intervenção intercultural junto da população cigana e i migrante. O objetivo desta apresentação é refletir sobre a ação desenvolvida, em termos de mediação junto de pessoas/famílias ciganas, no período de implementação e execução do projeto no município do Porto (março 2019 abril 2022), através de dados de inquérito aplicado a pessoas ciganas e entrevistas realizadas a técnicos e mediadores, para conhecer o impacto que o projeto teve em entidades públicas e em munícipes ciganos e não ciganos. Os resultados apontam para uma enorme panóplia d e atividades, papéis e expetativas atribuídos aos mediadores e os constrangimentos para a concretização, por vezes inatingível ou fora do alcance destes interventores.
  • Expressões artísticas ciganas: uma abordagem exploratória na senda de tornar visível a cultura cigana
    Publication . Magano, Olga; Guerra, Paula
    Os portugueses Ciganos têm sido vítimas de perseguições, ao longo de séculos, mas preservaram a sua cultura, manifestando resistência cultural e afirmação identitária. As pessoas Ciganas fazem parte da sociedade portuguesa, contudo, a cultura Cigana continua a ser pouco conhecida e valorizada. O mais frequente é a associação dos Ciganos a estereótipos e imagens negativas homogeneizantes e a rotulação de parasitismo social. Os estudos portugueses têm focado mais as condições de vida precárias e a pobreza e exclusão social (precariedade habitacional, altas taxas de analfabetismo e abandono escolar, inacessibilidade ao mercado de trabalho e as questões de racismo e discriminação), a segregação e marginalização. As questões culturais e as expressões artísticas ciganas são ainda pouco estudadas. As festas são os principais momentos para a celebração da família e manifestação da tradição da cultura (casamentos, pedimentos, aniversários, batizados, etc.). A visibilidade aumentou com a divulgação de vídeos nas redes sociais de festas, de música e cantares e também de momentos religiosos (“cultos”), em que é possível observar essas manifestações artísticas, assumidas e interpretadas por várias gerações das famílias. Torna-se assim relevante desvendar e analisar a cultura e as práticas artísticas das pessoas Ciganas. O objetivo da comunicação é apresentar uma abordagem exploratória sobre expressões artísticas, através de análise de gravações disponíveis nas redes sociais e outras fontes, articulada com a significância da herança cultural das famílias, equacionando, igualmente, a persistência do etnocentrismo cultural da sociedade portuguesa, com a não valorização das artes ciganas.
  • A importância do diploma no percurso profissional dos licenciados, mestres e doutores de uma instituição de ensino superior português
    Publication . Magano, Olga; Abrantes, Pedro; Ramos, Maria do Rosário; Carvalho, Alda; Jacquinet, Marc
    Em Portugal, assiste-se ao aumento da participação da população entre os 25 e 64 anos em educação e formação, esperando que se situe nos 47% até 2025 (INE, 2023). É expetável promover o acesso à educação, formação e aprendizagem ao longo da vida enquanto direito de todos os cidadãos (Pilar Europeu dos Direitos Sociais). Contudo, os esforços desenvolvidos ainda são insuficientes: em 2023 (INE, 2024) a taxa de escolaridade do ensino superior da população residente em Portugal com idade entre os 30 e os 64 anos era de 28,3%. Contribuir para o aumento da população com formação de ensino superior é uma função das instituições superiores de ensino, nomeadamente em relação a pessoas que não tiveram oportunidade de efetivar um processo de escolarização sem interrupções. Conhecer os perfis sociodemográficos dos diplomados dos vários ciclos de estudo, monitorizar a empregabilidade e disponibilizar um conjunto de dados que permitam compreender quem são os diplomados da instituição, quais são os seus projetos de futuro, assim como o impacto do diploma nas suas vidas pessoais e profissionais são objetivos estabelecidos pela instituição de ensino de suporte a esta análise. A finalidade desta comunicação é proceder a uma análise comparativa de resultados de inquéritos aplicados a diplomados de primeiro ciclo (desde 2011 a 2022 – 4 edições), com particular enfoque nos percursos profissionais e mobilidade social e também os resultados de um primeiro inquérito a mestres e doutorados. Tratando-se de um período temporal de mais de uma década, os resultados revelam os perfis de diplomados e percursos profissionais ricos e diversos. Confirma-se que a obtenção do diploma (de qualquer ciclo de estudos) é valorizada em termos de progressão nas carreiras, mudança de categoria profissional e estatuto social (Bourdieu, 1979; Bourdieu, 1989 [1977], Bourdieu & Passeron, 1983). Diploma, Ensino Superior, Percursos profissionais, mobilidade social
  • Cidadania adiada: a persistência do abandono escolar de crianças e jovens ciganos/as e a(in)eficácia das políticas educativas
    Publication . Magano, Olga
    A escolaridade tem aumentado em Portugal, mas a população cigana mantém-se distante das taxas gerais. De acordo com os Censos 2021 (INE), 60,2% entre os 25 e os 65 anos tinham completado o ensino secundário, a taxa de analfabetismo era de 3,08% e a taxa de abandono precoce 8,1%. Na população cigana, mais de 70% da população inquirida tinha o 1º ciclo do ensino básico ou menos, em que 27,1% não sabiam ler nem escrever (Mendes, Magano e Candeias, 2014). Segundo o INE (2024), 91,9% da população cigana tem até ao 3º ciclo do Ensino Básico. A Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) tem vindo a traçar o Perfil Escolar da Comunidade Cigana. Os dados permitem visualizar a dimensão das crianças e jovens ciganos matriculados nos vários níveis do ensino e verificar que à medida que aumenta o nível, diminui o número de inscritos (DGEEC, 2018, 2020, 2022). É permitido igualmente constatar as retenções e de abandono. No caso das retenções, são sempre superiores a 20% nos vários níveis de ensino, e a taxa de abandono do ensino básico é de 12,6% e no ensino secundário 20% (DGEEC, 2022). Apesar das várias políticas públicas educativas persiste o hiato entre a escolaridade atingida pela população cigana e pela população geral. Nesta comunicação serão analisados os motivos de sucesso e insucesso contando com perspetivas dos vários intervenientes nos processos educativos (famílias, estudantes ciganos e professores). Serão igualmente avaliados impactos das medidas educativas na escolaridade das pessoas ciganas, dado que conhecer a eficácia das políticas e intervir junto dos constrangimentos é fulcral para uma cidadania plena e conter o abandono escolar precoce. A reprodução social e desqualificação limitam o ingresso no mercado de trabalho, remetendo estes jovens e famílias para ciclos de pobreza e de exclusão social (FRA, 2022).
  • O mercado de trabalho em Portugal e as mulheres migrantes brasileiras: resultados preliminares de um estudo qualitativo
    Publication . Estrela, Andreia; Magano, Olga
    A migração global, influenciada por legados coloniais e estruturas eurocêntricas, afeta, especialmente, migrantes de países fora da União Europeia, refletindo-se em desigualdades no acesso ao mercado de trabalho e violações dos direitos humanos. Dentro do contexto geral de imigração contemporânea em Portugal, as mulheres brasileiras imigrantes, apesar da proximidade linguística, enfrentam estereótipos de género e precarização laboral e pensamento colonial sobre o corpo das mulheres. O estudo subjacente a esta proposta de comunicação visa conhecer a experiência das mulheres brasileiras imigrantes no mercado de trabalho português, com foco nas intersecções entre género, colonialidade e direitos humanos, bem como compreender como os estereótipos e desigualdades estruturais afetam a integração laboral e social dessas mulheres. Para cumprimento deste objetivo, foi realizado um estudo de carácter qualitativo, com a realização de grupos focais com mulheres imigrantes brasileiras em Portugal, complementado com entrevistas individuais. No global, participaram 30 mulheres, selecionadas seguindo a técnica “bola de neve” através de contactos com associações, redes sociais e presenciais. Foram realizados 6 grupos focais, com um total de 22 participantes e, complementarmente, foram realizadas oito entrevistas individuais a mulheres migrantes brasileiras. Numa análise preliminar identificámos que as mulheres brasileiras imigrantes enfrentam múltiplas barreiras no mercado de trabalho português, incluindo discriminação linguística, assédio moral e sexual, restrições no acesso e progressão laborais e preconceitos étnicos especialmente contra mulheres brasileiras negras. Verificou-se ainda o exercício de trabalho precário, baixos salários, não reconhecimento de diplomas académicos e dificuldades na regularização migratória provocadas pela burocracia e morosidade dos serviços públicos. Os resultados preliminares permitem concluir que as mulheres brasileiras imigrantes em Portugal enfrentam um conjunto complexo de barreiras estruturais e interpessoais que limitam a sua integração plena e igualitária no mercado de trabalho. A persistência de discriminações de género, étnica e linguística, aliada à precariedade laboral e à dificuldade de reconhecimento profissional, reforça desigualdades herdadas da colonialidade, perdurando as representações negativas. Estas representações condicionam a mobilidade, a integração e o acolhimento social e laboral das mulheres migrantes brasileiras, afunilando as suas opções de trabalho a lugares precários, aumentando o seu grau de vulnerabilidade, tornando invisíveis as suas vozes no contributo para a melhoria das políticas públicas promotoras de igualdade e não discriminação.
  • Os licenciados em ciências sociais, na Universidade Aberta: Quem são? O que aprendem? Que caminhos prosseguem?
    Publication . Abrantes, Pedro; Carvalho, Alda; Jacquinet, Marc; Magano, Olga; Silva, Ana Paula; Ramos, Maria do Rosário; Associação Portuguesa de Sociologia
    A licenciatura em Ciências Sociais da Universidade Aberta, realizada integralmente na modalidade de e-learning, tem acolhido um número crescente de estudantes, tendo nos últimos anos superado os 3000 estudantes matriculados, o que a torna a maior desta instituição e uma das maiores do país. A presente comunicação procura identificar e discutir os perfis de entrada dos estudantes, a experiência académica durante o curso e o impacto que a mesma tem nas suas disposições, competências e percursos de vida. O modelo de análise é orientado, por um lado, por estudos sobre as transformações em curso no ensino superior e na sua relação com o mercado de trabalho, focando-nos especificamente nas modalidades de ensino a distância, combinando-os com abordagens acerca da relação entre socialização e desigualdades, centradas particularmente no processo (biográfico) de (re)construção do sistema de disposições, competências e identidades, associado à realização de estudos superiores. Em termos empíricos, a análise irá incidir sobre as respostas a um questionário e a entrevistas, no âmbito do trabalho desenvolvido, desde 2015, no Observatório dos Percursos Profissionais e de Vida dos Diplomados da Universidade Aberta. Com este trabalho, procuramos contribuir para uma reflexão mais ampla sobre o ensino-aprendizagem das ciências sociais, nas sociedades contemporâneas, explorando vias para o seu reconhecimento e contínua atualização, com base nas experiências de vida daqueles que o têm procurado. O enfoque será nos estudantes que o frequentam já numa idade adulta, quase sempre em conciliação com um trabalho a tempo inteiro e outras responsabilidades pessoais e familiares, no contexto de percursos de aprendizagem ao longo da vida que, em Portugal, em comparação com outros países europeus, encontram ainda obstáculos e constrangimentos particularmente acentuados. O ensino a distância, estimulado pelo rápido avanço tecnológico, tem assim sido uma via de superação dessas dificuldades, mas não isenta de desafios, incluindo dúvidas persistentes quanto às competências efetivamente desenvolvidas pelos estudantes. Por seu lado, num contexto hiperespecializado, com a consolidação das ordens profissionais e a expansão de mestrados e doutoramentos temáticos, mas em que cada vez mais se clama por formações e competências “transversais”, discute-se a relevância de uma licenciatura numa área tão abrangente como Ciências Sociais.
  • Expressões artísticas ciganas: uma abordagem exploratória no sentido de tornar visível a cultura cigana portuguesa
    Publication . Magano, Olga
    Os ciganos portugueses são vítimas de perseguições há séculos, no entanto, conseguiram preservar até à atualidade a sua cultura, mostrando resistência cultural e afirmando a sua identidade. Embora sendo parte integrante da sociedade portuguesa, a cultura cigana é ainda pouco conhecida e valorizada, em termos genéricos. Assiste-se a uma forte associação a estereótipos, a imagens negativas homogeneizadoras e rotulação de parasitas sociais, sempre vistos como “gente de fora”. Os vários estudos portugueses sobre pessoas Ciganas em Portugal têm-se centrado mais nas condições de vida e na pobreza e exclusão (especialmente habitação precária, elevadas taxas de analfabetismo e abandono escolar, inacessibilidade ao mercado de trabalho e questões de racismo e discriminação) e na segregação e marginalização. As questões culturais e as expressões artísticas das pessoas Ciganas são ainda pouco estudadas, embora sejam uma forte característica cultural diferenciadora. As festas familiares são as principais ocasiões de celebração da família e de manifestação das tradições culturais (por exemplo, casamentos, “pedimentos”, aniversários, batizados, etc.). A visibilidade pública da cultura cigana aumentou exponencialmente devido à presença nas redes sociais, com a divulgação de vídeos de festas, músicas, danças e canções, bem como de momentos religiosos (“cultos”), em que é possível observar uma riqueza de manifestações artísticas, assumidas e interpretadas por várias gerações nas famílias. É, por isso, importante descobrir e analisar a cultura e as práticas artísticas dos ciganos que persistem apesar da repressão, sobretudo daqueles que resistiram a 40 anos de ditadura e a uma forte repressão policial, neste meio século após a implementação do sistema democrático em Portugal. O objetivo desta comunicação é apresentar uma abordagem exploratória sistemática sobre as expressões artísticas ciganas portuguesas, música, teatro, dança, entre outras, comparando com algumas referências europeias. Será realizada análise de conteúdo de vídeos de artistas musicais, de gravações familiares em diferentes momentos festivos, de textos e letras de canções disponíveis em redes sociais e outras fontes, tendo em conta a importância assumida pela socialização, memórias das famílias e herança cultural, ao mesmo tempo que se questiona a persistência do etnocentrismo e racismo cultural impregnado na sociedade portuguesa e a incapacidade de reconhecimento da cultura e valorização das expressões artísticas ciganas com parte da cultura portuguesa.
  • Crenças na vida após a morte: estigma e marginalização no contexto do espiritismo no Funchal
    Publication . Cladeira, Mariana Rita; Magano, Olga
    Enquadramento: A procura da explicação da vida após a morte sempre povoou o imaginário da mente humana. Quando nos questionamos sobre quem somos, de onde viemos, para onde vamos, sentimos alguma inquietação. A literatura sociológica destaca como a construção social cria padrões tidos como "normais", enquanto desvia aqueles considerados "estigmatizados". Goffman ([1963] 2004) discute como o normal e o estigmatizado são perspetivas geradas em situações sociais. A crença na reencarnação e na comunicação com espíritos, princípios centrais do Espiritismo, é vista como "desviante" em relação às normas religiosas e sociais dominantes, colocando os seus praticantes numa posição de estigma e discriminação. Objetivo: Compreender, do ponto de vista das ciências sociais, o impacto da crença na vida depois da morte na vida quotidiana dos frequentadores de um Centro Espírita no Funchal. Metodologia: O estudo explorou as motivações que levaram os espíritas a frequentarem o Centro Cultural e Espírita do Funchal, bem como as implicações das suas experiências mediúnicas. Para efeito, efetuamos um estudo qualitativo, apoiado na observação participante e em entrevistas semiestruturadas, com o total de 18 intervenientes. Recorreu-se, ainda, à análise de conteúdo, utilizando a ferramenta MAXQDA. Resultados: Constata-se que as vivências mediúnicas fortalecem a crença na vida após a morte e têm um impacto significativo nas vidas pessoais, sociais e profissionais dos participantes, especialmente quando vividas coletivamente no centro espírita e através da partilha de experiências. O Espiritismo, ao enfatizar a reencarnação e a comunicação com os mortos, contrasta com a doutrina católica tradicional, levando ao distanciamento social dos espíritas em relação à sociedade predominante. Desta forma, origina sentimentos de estigmatização social e estereótipos. Conclusão: Este estudo evidenciou como o preconceito e a marginalização são frequentemente associados a grupos minoritários e suas crenças, especialmente quando desafiam as normas dominantes. A discriminação enfrentada pelos espíritas pode ser comparada a outras formas de exclusão, como o antisemitismo e a islamofobia, destacando a importância de entender e integrar diversidades culturais e religiosas. Assim, este trabalho contribui significativamente para o campo das ciências sociais ao explorar uma área pouco estudada e sugerir intervenções para promover o reconhecimento e a inclusão das diversidades culturais e religiosas.