Percorrer por autor "Gradim, Alexandra"
A mostrar 1 - 10 de 18
Resultados por página
Opções de ordenação
- A anta do Malhão (Alcoutim) e o "Horizonte de Ferradeira"Publication . Cardoso, João Luís; Gradim, AlexandraA anta do Malhão é um pequeno monumento megalítico integralmente constituído por esteios de grauvaque cuja construção se reporta aos finais do IV milénio a.C., situado no topo de um cerro xistoso, culminante dos relevos da região, próximo da povoação de Afonso Vicente. Possui câmara poligonal e corredor, do qual apenas a entrada foi definida, por dois esteios fixados verticalmente. O restante espaço do corredor não foi afeiçoado, mantendo-se o afloramento xistoso primitivo no lugar onde deveriam ter sido fixados os restantes esteios laterais. Deste modo, verifica-se que a construção do sepulcro não foi concluída, apesar de o espaço correspondente ao interior da câmara se encontrar inteiramente ocupado por uma laje de grandes dimensões, o que obrigou a um elevado investimento. A colocação desta grande laje antecedeu a delimitação da câmara pelos respectivos esteios, os quais se encontram fixados por cunhas, encaixadas entre aquela e o lado interno destes. A primeira e única tumulação, efectuada na câmara e em parte do corredor, corresponde a época integrada em fase tardia do Horizonte de Ferradeira, dos finais do III milénio a.C. Sobre uma camada estéril, com cerca de10 cm de potência, entretanto acumulada no interior da câmara, identificou-se um vaso liso, de carena alta, acompanhado de uma pequena taça em calote, também lisa, sob a qual jazia uma ponta Palmela de tipologia evoluída. No corredor, junto à câmara, recolheu-se um longo e estreito punhal, correspondendo a modelo de transição entre as produções calcolíticas e as argáricas. Trata-se, pois, de um conjunto funerário, selado e homogéneo, um dos poucos que, nestas circunstâncias têm sido claramente identificados no âmbito do Horizonte de Ferradeira, definido por H. Schubat em 1971, abrangendo o Baixo-Alentejo e o Algarve, com prolongamentos pela Andaluzia Ocidental. A única tumulação efectuada no monumento, correspondente a uma reutilização deste, foi acompanhada da erecção, no exterior do recinto, e do lado direito da entrada do mesmo, de uma estela, ostentando duas pequenas “fossettes” numa das faces, cuja fundação se fez ao nível definido por um empedrado com planta em ferradura, constituído por lajes alongadas de grauvaque, que circundam exteriormente a câmara do monumento. A disposição cuidada dos elementos deste empedrado indica que o monumento não possuía tumulus, à semelhança do verificado em outros monumentos funerários da região, de tipo cistóide, pertencentes a diversas épocas, do Neolítico Final/ Calcolítico à Idade do Ferro, explorados anteriormente pelos autores desta comunicação no concelho de Alcoutim.
- A cista megalítica do Cerro do Malhão (Alcoutim)Publication . Cardoso, João Luís; Gradim, AlexandraNeste estudo dão-se a conhecer os resultados da escavação de emergência realizada em Abril e Maio de 2000 na cista megalítica do Cerro do Malhão (Alcoutim), pouco tempo antes parcialmente destruída pela construção de uma antena de telecomunicações da TMN, empresa que suportou parcialmente os encargos da escavação. Esta, desenvolveu-se em extensão, numa área alargada em torno do monumento, o que permitiu pôr à vista um vasto lajeado, constituído por elementos de grauvaque e de xisto, de planta subcircular, tendo por centro a cista megalítica. Tendo em consideração que aquele lageado, regular e extenso, bem delimitado na sua periferia, estaria a descoberto — pois de outra forma não se entenderia a sua existência — conclui-se que a cista, cujos topos atingem cerca de 0,5 m acima daquele, se encontraria também a descoberto, constituindo uma espécie de sarcófago a céu aberto, no centro do referido lajeado. Trata-se da primeira vez que, numa cista megalítica, se reconheceram tais características arquitectónicas. O exemplo mais próximo no território português corresponde à cista megalítica de Castelejo (Vila Nova de Paiva), publicada por G. Leisner, a qual possui, na base de um dos esteios menores, uma abertura, sugerido que, tal como a de Cerro do Malhão, fosse desprovida de cobertura. Embora violada de há muito, a cista estudada, pela técnica construtiva, de carácter megalítico, pelo tamanho e pelo espólio, situar-se-á entre o Neolítico Final e o Calcolítico, sendo porém anterior às cistas do Calcolítico Final regional, pertencentes ao chamado “Horizonte de Ferradeira”.
- Dez anos de trabalhos arqueológicos em AlcoutimPublication . Cardoso, João Luís; Gradim, AlexandraNeste capítulo apresenta-se o resultado das escavações realizadas respectivamente em 1998 e em 2001 nos núcleos de menires de Lavajo 1 e de Lavajo 2, distanciados cerca de 250 m na direcção NNE e separados pelo pequeno vale do Lavajo, bem como dos trabalhos de protecção, recuperação e valorização efectuados sobretudo no núcleo mais importante (Lavajo 1). Os locais, pelo menos actualmente, são intervisíveis, graças à implantação destacada no terreno: o núcleo de Lavajo 1 situa-se no topo de colina enquanto Lavajo 2 ocupa a linha de festo de uma encosta, conferindo ao local visibilidade tanto do lado sul como do lado norte. O conjunto de Lavajo 1 é constituído actualmente por três monólitos, todos de grauvaque: um, quase inteiro, de tendência fálica, é actualmente o maior menir de grauvaque conhecido em território português, atingindo o comprimento máximo de 3,14 m; outro, quase completo, fragmentado em três grandes blocos, possui formato estelar; o restante apresenta-se muito incompleto, dele se conservando apenas uma lasca da sua face frontal. É crível, no entanto, que pudessem existir mais monólitos, tendo em conta os abundantes fragmentos de grauvaque ali observados, quase todos com fracturas frescas. Todos os menires de Lavajo 1 se apresentam decorados, com destaque para o maior deles, o qual exibe complexa decoração estreitamente relacionada com a morfologia do suporte lítico, de carácter fálico. Apenas para este foi possível determinar o local de implantação, correspondente a um alvéolo de planta circular e fundo aplanado, parcialmente danificado pelos trabalhos realizados em 1994, que conduziram ao seu reerguimento, infelizmente feito de forma descuidada, tendo até sido colocado no terreno em posição invertida. Seja como for, na zona culminante daquele pequeno cabeço, implantaram-se três menires decorados, os quais não podem ser vistos isoladamente, já que se articulariam directamente com o conjunto de Lavajo 2, que se avista ao longe, do outro lado do pequeno vale do Lavajo e na linha de festo da encosta, da qual ocupa a parte média. Neste segundo local, identificaram-se quatro estelas-menir não decoradas, todas de grauvaque, das quais apenas uma, representada por fragmento de pequenas dimensões, se encontrava in situ. Foi, no entanto, possível reconstituir a posição relativa das restantes, através da escavação integral do respectivo alvéolo, correspondente a rasgo alongado, orientado Este-Oeste, aberto no substrato geológico, constituído por xistos do Carbónico Superior finamente folheados. Deste modo, é de concluir que as estelas menir se dispunham em linha, constituindo um painel lítico contínuo. No interior do alvéolo, recolheram-se diversos artefactos ali ritualmente depositados aquando da fundação do monumento, cuja tipologia indica o Neolítico Final, cronologia aliás compatível com a do conjunto megalítico de Lavajo 1, tendo presente a iconografia patente nos menires. Muito embora não se conheça ainda suficientemente o padrão de povoamento da região no Neolítico Final, estes dois núcleos megalíticos podem ser interpretados como marcadores de territórios e/ou de espaços sagrados, sendo de destacar a existência, durante todo o ano, de água nas proximidades imediatas, recurso escasso e precioso, que propiciaria a horticultura. Por outro lado, a natureza das matérias-primas utilizadas na confecção dos artefactos encontrados (sílex, anfibolito), para além de outros materiais de circulação transregional muito mais alargada (fibrolite), evidencia a forte interacção destas populações tanto com o interior do Baixo Alentejo (Zona de Ossa/ Morena), como com o litoral algarvio ou andaluz, compatível com estádio de desenvolvimento económico do final do Neolítico do sul peninsular, atingido na segunda metade do IV milénio a. C. Numa vasta região, correspondente a todo o sotavento algarvio, onde o megalitismo não funerário era até agora totalmente desconhecido, os testemunhos ora estudados constituem, doravante, uma das expressões mais interessantes e significativas, cuja relevância se impõe numa área muito mais vasta, correspondente a todo o Sudoeste peninsular.
- Dez anos de trabalhos arqueológicos em Alcoutim: do neolítico ao romanoPublication . Cardoso, João Luís; Gradim, AlexandraTratou-se, pois, de uma década plenamente preenchida no concelho de Alcoutim, a qual correspondeu a um notável acréscimo do conhecimento das comunidades que ocuparam o respectivo território entre os finais do IV milénio a.C. e os primeiros séculos da era cristã, impossível sem apoio desde sempre concedido pela autarquia, a quem cumpre agradecer, na pessoa do seu ilustre Presidente, o Dr. Francisco Amaral. A consequente protecção efectiva das ocorrências assim caracterizadas – pois tratava-se, na larga maioria dos casos de intervenções de carácter preventivo ou mesmo de emergência – criou condições propícias à valorização dos sítios e à sua consequente fruição por parte de toda a população. Tal é o objectivo já conseguido para em um deles, e a ser concretizado logo que possível nos restantes, pois todos eles detêm potencialidades para o efeito. Assim se contribuirá para o consequente aproveitamento turístico-cultural do território concelhio onde estas ocorrências se inserem, constituindo a presente exposição importante contributo para aquele objectivo, de evidente interesse para toda a região.
- Estácio da Veiga e o reconhecimento arqueológico do Algarve : o concelho de AlcoutimPublication . Cardoso, João Luís; Gradim, AlexandraDepois de se referirem os antecedentes que estiveram na origem do reconhecimento arqueológico do Algarve oficialmente encomendado a Estácio da Veiga, bem como o método por si utilizado, abordam-se os materiais obtidos da área correspondente ao concelho de Alcoutim, enquadrados pela documentação agora publicada, conservada no arquivo Municipal de Alcoutim e no Arquivo de Estácio da Veiga do Museu Nacional de Arqueologia, e por diversos estudos que sobre os mesmos se fizeram.
- Guia do Núcleo Museológico de Arqueologia. Exposição “O Património Arqueológico de Alcoutim”Publication . Gradim, Alexandra; Cardoso, João Luís; Catarino, HelenaA conceção da exposição do Núcleo de Arqueologia de Alcoutim tem como fio condutor um percurso histórico que se iniciou há mais de 5000 anos. Locais e objetos impregnados de uma memória milenar procuram transmitir culturas e saberes que, num passado mais ou menos longínquo, se cruzaram no território que hoje é Alcoutim. A estrutura, desta amostra do potencial arqueológico que o concelho encerra, teve como base a opção de períodos históricos relevantes na investigação arqueológica efetuada nas últimas décadas em Alcoutim.
- A importância da gestão da água em época romana: o exemplo da barragem do Álamo em AlcoutimPublication . Cardoso, João Luís; Gradim, AlexandraA água foi um dos recursos fulcrais explorados pelos Romanos, para diversas finalidades, desde o abastecimento público à irrigação. Neste âmbito, as barragens constituem um dos mais expressivos exemplos do aproveitamento dos recursos hídricos, ilustrando o alto nível atingido pelos seus engenheiros e arquitectos, na concepção e construção de tais empreendimentos. A investigação arqueológ ica levada a cabo na barragem romana do Álamo (Alcoutim), em 2006 e 2007, 129 anos após os primeiros registos gráficos, realizados em 1877 sob coordenação de Estácio da Veiga, permitiu o reconhecimento desta obra como uma das mais importantes do território português. Os trabalhos arqueológicos realizados ao longo de 50 m junto ao paramento de montante da barragem, revestido a opus incettum, constituíram trabalho pioneiro desta índole realizado em Portugal e foram decisivos para a identificação da verdadeira altura da barragem e de algumas das suas características estruturais, bem como da cronologia do seu funcionamento, através da tipologia dos espólios arqueológicos provenientes dos depósitos acumu lados no fundo da antiga albufeira. Presentemente, e com a barragem dita de Olisipo, constitui a barragem mais alta de alvenaria com contrafortes, até ao presente reconhecida no mundo romano.
- Menires do Alto Algarve oriental : Lavajo I e Lavajo II (Alcoutim)Publication . Cardoso, João Luís; Caninas, João Carlos; Gradim, Alexandra; Joaquim, António do NascimentoNeste trabalho apresenta-se o resultado das escavações realizadas respectivamente em 1998 e em 2001 nos núcleos de menires de Lavajo I e de Lavajo II, distanciados cerca de 250 m na direcção NNE e separados pelo pequeno vale do Lavajo. Os locais, actualmente, são intervisíveis, graças à implantação destacada no terreno: Lavajo I situa-se no topo de colina enquanto Lavajo II ocupa a linha de festo de uma encosta, conferindo ao local visibilidade tanto do lado sul como do lado norte. O conjunto de Lavajo I é constituído actualmente por três monólitos, todos de grauvaque: um, quase inteiro, de tendência fálica, é actualmente o maior menir de grauvaque conhecido em território português, atingindo o comprimento máximo de 3,14 m; outro, quase completo, fragmentado em três grandes blocos, possui formato estelar; o restante apresenta-se muito incompleto, dele se conservando apenas uma lasca da sua face frontal. É crível, no entanto, que pudessem existir mais monólitos, tendo em conta os abundantes fragmentos de grauvaque ali observados, quase todos com fracturas frescas. Todos os menires de Lavajo I se apresentam decorados, com destaque para o maior deles, o qual exibe complexa decoração estreitamente relacionada com a morfologia do suporte lítico. Apenas para este foi possível determinar o local de implantação, correspondente a um alvéolo de planta circular e fundo aplanado, parcialmente danificado pelos trabalhos realizados em 1994, que conduziram ao seu reerguimento, infelizmente feito de forma pouco cuidada e incorrecta, visto ter sido colocado no terreno em posição invertida. Seja como for, na zona culminante daquele pequeno cabeço, implantaram-se três menires decorados, os quais não podem ser vistos isoladamente, já que se articulariam directamente com o conjunto de Lavajo II, que se avista ao longe, do outro lado do pequeno vale do Lavajo e na linha de festo da encosta, da qual ocupa a parte média. Neste segundo local, identificaram-se quatro estelas-menir não decoradas, todas de grauvaque, das quais apenas uma, representada por fragmento de pequenas dimensões, se encontrava in situ. Foi, no entanto, possível reconstituir a posição relativa das restantes, através da escavação integral do respectivo alvéolo, correspondente a rasgo alongado, orientado Este-Oeste, aberto no substrato geológico, constituído por xistos do Carbónico Superior finamente folheados. Deste modo, é de concluir que as estelas menir se dispunham em linha, constituindo um painel lítico contínuo. No interior do alvéolo, recolheram-se diversos artefactos ali ritualmente depositados aquando da fundação do monumento, cuja tipologia indica o Neolítico Final, cronologia aliás compatível com a do conjunto megalítico de Lavajo I, tendo presente a iconografia patente nos menires. Muito embora não se conheça ainda suficientemente o padrão de povoamento da região no Neolítico Final, estes dois núcleos megalíticos podem ser interpretados como marcadores de territórios e/ou de espaços sagrados, sendo de destacar a existência, durante todo o ano, de água nas proximidades imediatas, recurso escasso e precioso, que propiciaria a horticultura. Por outro lado, a natureza das matérias-primas utilizadas na confecção dos artefactos encontrados (sílex, anfibolito), para além de outros materiais de circulação transregional muito mais alargada (fibrolite), evidencia a forte interacção destas populações tanto com o interior do Baixo Alentejo (Zona de Ossa/Morena), como com o litoral algarvio ou andaluz, compatível com estádio de desenvolvimento económico do final do Neolítico do sul peninsular. Numa vasta região, correspondente a todo o sotavento algarvio, onde o megalitismo não funerário era até agora totalmente desconhecido, os testemunhos ora estudados constituem, doravante, uma das expressões mais interessantes e significativas do Sudoeste peninsular.
- Os menires do Lavajo (Afonso Vicente, Alcoutim)Publication . Cardoso, João Luís; Caninas, João Carlos; Gradim, Alexandra; Joaquim, António do NascimentoNeste trabalho apresenta-se o resultado das escavações realizadas respectivamente em 1998 e em 2001 nos núcleos de menires de Lavajo 1 e de Lavajo 2, distanciados cerca de 250 m na direcção NNE e separados pelo pequeno vale do Lavajo, bem como dos trabalhos de protecção, recuparação e valorização efectuados sobretudo no núcleo mais importante (Lavajo 1). Os locais, pelo menos actualmente, são intervisíveis, graças à implantação destacada no terreno: o núcleo de Lavajo 1 situa-se no topo de colina enquanto Lavajo 2 ocupa a linha de festo de uma encosta, conferindo ao local visibilidade tanto do lado sul como do lado norte. O conjunto de Lavajo 1 é constituído actualmente por três monólitos, todos de grauvaque: um, quase inteiro, de tendêncía fálica, é actualmente o maior menir de grauvaque conhecido em território português, atingindo o comprimento máximo de 3,14 m; outro, quase completo, fragmentado em três grandes blocos, possui formato estelar; o restante apresenta-se muito incompleto, dele se conservando apenas uma lasca da sua face frontal. É crível, no entanto, que pudessem existir mais monólitos, tendo em conta os abundantes fragmentos de grauvaque ali observados, quase todos com fracturas frescas. Todos os menires de Lavajo 1 se apresentam decorados, com destaque para o maior deles, o qual exibe complexa decoração estreitamente relacionada com a morfologia do suporte lítico, de carácter fálico. Apenas para este foi possível determinar o local de implantação, correspondente a um alvéolo de planta circular e fundo aplanado, parcialmente danificado pelos trabalhos realizados em 1994, que conduziram ao seu reerguimento, infelizmentc feito de forma descuidada, tendo até sido colocado no terreno em posição invertida. Seja como for, na zona culminamte daquele pequeno cabeço, implantaram-se três menires decorados, os quais não podem ser vistos isoladamente, já que se articulariam directamente com o conjunto de Lavajo 2, que se avista ao longe, do outro lado do pequeno vale do Lavajo e na linha de festo da encosta, da qual ocupa a parte média. Neste segundo local, identificaram-se quatro estelas-menir não decoradas, todas de grauvaque, das quais apenas uma, representada por fragmento de pequenas dimensões,se encontrava in situ. Foi, no entanto, possível reconstituir a posição relativa das restantes, através da escavação integral do respectivo alvéolo, correspondente a rasgo alongado, orientado Este-Oeste, aberto no substrato geológico, constituído por xistos do Carbónico Superior finalmente folheados. Deste modo, é de concluir que as estelas menir se dispunham em linha, constituindo um painel lítico contínuo. No interior do avéolo, recolheram-se diversos artefactos ali ritualmente depositados aquando da fundação do monumento, cuja tipologia indica o Neolítico Final, cronologia aliás compatível com a do conjunto megalítico de Lavajo 1, tendo presente a iconografia patente nos menires. Muito embora não se conheça ainda suficientemente o padrão de povoamento da região no Neolítico Final, estes dois núcleos megalíticos podem ser interpretados como marcadores de territórios e/ou de espaços sagrados, sendo de destacar a existência, durante todo o ano, de água nas proximidades imediatas, recurso escasso e precioso, que propiciaria a horticultura. Por outro lado, a natureza das matérias-primas utilizadas na confecção dos artefactos encontrados (sílex, anfibolito), para além de outros materiais de circulação transregional muito mais alargada (fibrolite), evidencia a forte interacção destas populações tanto com o interior do Baixo Alentejo (Zona de Ossa/Morena), como com o litoral algarvio ou andaluz, compatível com estádio de desenvolvimento económico do final do Neolítico do sul peninsular, atingido na segunda metade do IV milénio a. C. Numa vasta região, correspondente a todo o sotavento algarvio, onde o megalitismo não funerário era até agora totalmente desconhecido, os testemunhos ora estudados constituem, doravante, uma das expressões mais interessantes e significativas, cuja relevância se impõe numa área muito mais vasta, correspondente a todo o Sudoeste peninsular.
- Os menires do Lavajo (Alcoutim)Publication . Cardoso, João Luís; Gradim, AlexandraO conjunto megalítico do Lavajo (freguesia de Afonso Vicente, concelho de Alcoutim) é constituído por dois núcleos (Lavajo I e Lavajo II), intervisíveis e distanciados de cerca de 250 m segundo a direcção NNE-SSW, encontrando-se separados pelo pequeno vale (ou barranco) do Lavajo. Pertencentes ao Neolítico Final ou ao Calcolítico Inicial (3500-2800 a.c.), estes monumentos megalíticos podem interpretar-se como marcas de territórios e de espaços sacralizados pela sua própria existência.
