História
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- Projecção espacial de domínios das relações de poder ao burgo portuense (1385-1502)Publication . Costa, Adelaide Millán; Tavares, Maria José FerroEste estudo filia-se no eclético campo da história urbana e tem por objecto o Porto medieval; uma área de pesquisa e um tema que se caracterizam pela pluralidade das concretizações. Assume, contudo, determinadas premissas que epistemologicamente o especificam. Antes de mais, a que veicula o carácter fundamental da análise do espaço para apreender os núcleos urbanos; e, também, a que traça um vínculo primário entre a organização da sociedade e a configuração do espaço. Dentro desta concepção geral, a proposta traduz-se na hipótese de conhecer o burgo portuense em Quatrocentos a partir da arqueologia de uma relação de poder mantida entre a coroa e o concelho; para tanto, estudam-se as manifestações espaciais de domínio dessas estruturas, quer se situem ao nível da encenação quer ao da afectiva intervenção. Outro eixo fundamental orientador da pesquisa passa pela tentativa de alargar as margens do confronto, ou seja, de estabelecer paralelos com outras cidades e vilas. O método utilizado convoca o maior número possível de leituras de factos e de representações, com vista a, pela desmontagem sucessiva de discursos, depurar a “realidade” passada.
- Da ars historica : a cronística portuguesa da expansão no confronto com a alteridade : (1ª metade do séc. XVI)Publication . Avelar, Ana Paula; Tavares, Maria José FerroA dissertação tem como objectivo demonstrar a existência de um modelo de escrita da História comum aos cronistas da Expansão na primeira metade do séc. XVI, assumindo como núcleo de análise a História do Descobrimento e Conquista da Índia pelos Portugueses, de Fernão Lopes de Castanheda, a Ásia…, de João de Barros e as Lendas da Índia, de Gaspar Correia. Considerando que estes textos denunciam uma concretização específica de afirmação de poder, o de um autor, o cronista, e o de um reino, Portugal afirmando-se num Oriente e numa Europa. Deste modo, desvendamos quer os processos de construção de um texto quer o cronista, o arquitecto da História que escreveu; o agente que se deseja tradutor da realidade. Consequentemente, revelamos estruturas temáticas que, no espelhar de vivências, denunciam a formulação ou recuperação de ficções ou imaginários. Fundamentamos o nosso percurso analítico a partir do princípio metafórico da viagem, a nossa, e a dos homens de Quinhentos. Definimos assim três momentos aos quais correspondem três capítulos. No primeiro – À descoberta do sujeito e da História- A construção da Ars Histórica-, observamos de que forma se concebe um modelo de cronista da Expansão, em diálogo com a percepção de novas formas de ver o espaço e os outros. No segundo – A viagem – Desvendando a diferença, construindo a novidade-, analisamos a concepção de um paradigma em torno da primeira viagem de Vasco da Gama, entendendo-se igualmente o conceito de viagem como percurso iniciático e indiciador dos primeiros contactos com as novidades. No terceiro – Construções do Outro nos horizontes da Ars Histórica-, centramo-nos na chegada à Índia e nos vários processos de conhecimento do Outro, sejam eles a memória do que foi feito e dito, ou a actuação pessoal. Com este percurso metodológico propomos uma abordagem do objecto, sustentada pelo desvendar de afinidades, interacções e diálogos, que nos permitem entender os textos da Expansão num espaço mais amplo de um tempo novo que emerge.
- E aos centos, em multidão... com os olhos postos numa felicidade : a visibilidade da emigração na imprensa, 1890-1920Publication . Caeiro, Domingos; Rocha-Trindade, Maria BeatrizAbrangendo todo o século XIX e primeiro terço do XX, a pesquisa abarcou um período que levanta particulares dificuldades a uma visão de conjunto e a um conhecimento rigoroso da massa dos nossos jornais e em que, ao mesmo tempo, estes passam a desempenhar uma relevante função social, constituindo uma fonte histórica de primeira importância. Desta forma, representando a imprensa, neste período, uma função crucial de ligação entre a tribuna e a rua, de informação e de comunicação, afigurou-se-nos, não é de mais repeti-lo, que a intelecção do tema da “visibilidade da emigração portuguesa na imprensa periódica”, no período atrás definido, passava irremediavelmente, por um levantamento, tão exaustivo quanto possível, da imprensa periódica com dimensão nacional, porque todo esse universo de notícias desvenda um panorama do fenómeno migratório e da forma como este foi vivenciado e debatido em certos sectores. Portugal esteve longe de ser um caso isolado na engrenagem dos fluxos migratórios europeus, e parece-nos que nem tão pouco se pode afirmar que Portugal teve um comportamento migratório distinto ou individualizado, excepção, talvez, no que diz respeito à invariabilidade do país de destino da emigração – o Brasil. Por tudo isto, tornou-se imprescindível situar o caso de Portugal no seu conjunto, à luz da historiografia internacional, e fazer um esforço de avaliação e aferição de hipóteses explícitas. A análise das características mais marcantes do movimento emigratório permitiu constatar que Portugal apresentou um comportamento emigratório semelhante ao de outros países europeus, em particular os da Europa do Sul, como a Espanha e a Itália. Destacando-se duas particularidades: • a sua quase exclusiva e constante orientação em direcção ao Brasil; • e a sua maior concentração a partir dos finais da década de oitenta de oitocentos até ao início da Primeira Grande Guerra. O Brasil, foi sem dúvida o destino preferencial da corrente emigratória portuguesa neste período. A existência de contactos frequentes a nível económico e a manutenção dos laços históricos e culturais desde a época colonial, foram importantes para a manutenção desta preferência. No que respeita à composição por sexos e idades, a emigração portuguesa participou das características básicas e essencialmente selectivas de todos os movimentos emigratórios: forte presença masculina e revelando uma maior concentração nas faixas etárias mais produtivas. Por sua vez, dada a estrutura da economia portuguesa neste período, a maioria dos emigrantes eram agricultores e jornaleiros; embora à medida que cronologicamente avançamos e se regista também um aumenta do fluxo emigratório, constata-se a presença de outros grupos socio-profissionais distintos dos de agricultor. Outra das características da emigração portuguesa na sua comparação com outros países europeus – Espanha e Itália – é a grande concentração nos anos 1911 a 1913. Outro aspecto significativo a destacar foi o facto de ter existido em Portugal uma verdadeira preocupação pela emigração, primeiro por parte de intelectuais e depois a partir de meados da primeira década de novecentos, quando a emigração começa a atingir magnitudes que chamaram a atenção dos contemporâneos, foi, então, a imprensa o espaço privilegiado para o debate. Todavia, a emigração, com excepção de uns poucos, foi considerada por intelectuais e políticos, como um mal e, sobretudo, como um sinal de decadência para Portugal. A maior intensidade do movimento emigratório teve início, precisamente, num período em que se questionavam os grandes temas da sociedade portuguesa, coincidindo também com o descrédito do regime monárquico e posteriormente com a fase de implantação do regime republicano. A Lei de 1907 (Lei dos Passaportes) não resolveu nada, a não ser mais alguns proventos para o Estado. A Lei de 1919 foi muito tardia, comparada com a legislação nesta matéria por parte de outros países europeus, e o seu carácter tutelar não fez mais do que reflectir a preocupação restritiva que esteve sempre presente em toda a legislação portuguesa até aí publicada, isto é, tentar evitar as saídas clandestinas e os abusos. Com o objectivo de pretender analisar o comportamento específico da emigração portuguesa na sua vertente cronológica, tentou-se explorar as possíveis conexões entre determinadas variáveis macro-económicas e a emigração. Neste âmbito, prestou-se alguma atenção ao fenómeno da crise agrária “finisecular”, bem como o seu impacto na sociedade rural. Da análise realizada pode-se concluir que a relação entre a emigração e os indicadores da economia portuguesa neste período, em particular os indicadores do crescimento do produto agrícola e os níveis de produtividade agrícola nalgumas culturas, assim como os níveis de produtividade de mão-de-obra, mostra-se ambígua, nomeadamente em relação às suas flutuações, em especial nas últimas décadas do século XIX. No século XX, até à Primeira Grande Guerra, a aceleração da emigração portuguesa é paralela à dos indicadores da actividade económica. No entanto, a variável que demonstra ter uma maior incidência nas flutuações da emigração é a protecção á agricultura portuguesa (proteccionismo cerealífero) desde os finais do século XIX, revelando-se um poderoso travão a um maior crescimento da emigração. Como não podia deixar de ser, tentou-se mostrar que a conjunção dos factores internos e externos marcaram também o curso da emigração. Pode-se afirmar que os indicadores gerais da economia portuguesa em certos períodos tiveram um papel quase secundário face à procura e às solicitações, bem como á agressividade da política imigratória brasileira, que pareceram ser mais poderosas e desempenharam neste âmbito um papel importante. Em suma, os factores de atracção mostraram também uma grande influência, a par das características específicas da economia portuguesa, porém, dentro destas últimas, provavelmente, poder-se-á afirmar que se não tivesse existido, nesta época, semelhante nível de protecção à agricultura, a emigração portuguesa teria sido ainda maior. No fundo, pode-se arriscar a dizer que, nessa altura, tinham emigrado os antepassados daqueles que acabariam por fazê-lo nos anos sessenta do século XX.
- A princesinha branca e esbelta e o dragão negro e rotundo : um estudo de história do património de Lisboa : 1888 - anos 50Publication . Ramos, Paulo Oliveira; Mendes, José M. Amado; Sousa, João Manuel Rocha deA temática desta tese de doutoramento centra-se na polémica que, desde 1888 e durante décadas, opôs a Torre de Belém à Fábrica de Gás de Belém, funcionando este caso como epítome da história da salvaguarda do património edificado de Lisboa. Ensaia-se, deste modo, uma démarche original, centrada num único monumento e isto ao longo de seis décadas e três regimes políticos – Monarquia, I República e Estado Novo – que nos introduzem no que nos pareceu, desde bem cedo, ser “un grand moment de l’histoire du patrimoine” (Chastel e Babelon) em Portugal. A orientação deste trabalho – que releva de algumas novas tendências de abordagem patrimonial que nos chegam de França, Grã-Bretanha, Itália e Espanha – procurou, ainda, seguir um percurso que ilumine as ideias-força que marcaram a salvaguarda do património em Portugal, sobretudo, entre finais de oitocentos e meados do século XX.
- O baixo Vouga em tempos medievos : do preâmbulo da Monarquia aos finais do reinado de D.DinisPublication . Bastos, Rosário; Tavares, Maria José FerroA evolução da linha de costa do Baixo Vouga entre os finais do século IX e 1325 foi profundamente dependente do crescimento de uma restinga arenosa, enraizada a sul de Espinho, que, ao desenvolver-se de Norte para Sul, separou a costa do oceano e condicionou a emergente laguna de Aveiro. A este factor natural acresceu outro, de ordem político-militar, plasmado na pacificação do território decorrente da tomada definitiva de Coimbra pelos cristãos, em 1064. Directamente relacionadas com as duas condicionantes expostas e dependentes das mesmas, estiveram as variações dos níveis de ocupação e aproveitamento dos solos, a salicultura, as pescas, o comércio e a navegação. Temos no presente caso, um exemplo evidente da forma como o meio condiciona as actividades humanas e, por outro lado, como estas intervêm na transformação desse mesmo meio, nomeadamente através do aumento ou diminuição do abastecimento sedimentar resultante da variação da pressão demográfica e consequente intensificação das actividades produtivas.