Linguística | Comunicações em congressos, conferências / Linguistics - Communications in congresses, conferences
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Percorrer Linguística | Comunicações em congressos, conferências / Linguistics - Communications in congresses, conferences por autor "Amorim, Clara"
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- Acquisition of Portuguese mid vowels by Chinese Mandarin native speakers: some data on perceptionPublication . Castelo, Adelina; Zhou, Chao; Amorim, ClaraPrior research reveals that, when acquiring European Portuguese (EP), L1-Mandarin learners with beginning ([1]) and more advanced proficiency levels ([2]) neutralise the distinction between /e/ and /ɛ/ to the low vowel in their L2-Portuguese production. Given that major L2 speech learning models ([3], [4], [5]) assume a tight link between L2 speech perception and production, we speculate that the observed production difficulty can be ascribed to misperception: the two target vowels are perceptually assimilated to an L1 category. In this work, we explicitly tested this perception-based account by assessing how L1-Mandarin learners perceptually categorise EP /e/ and /ɛ/. 70 L1-Mandarin learners, whose Portuguese proficiency level was measured by LextPT ([6]), performed a forced-choice identification task. The test stimuli are 36 disyllabic paroxytone pseudowords with target vowels always in stressed position (12 CVCV items × 3 talkers). The perceptual results show that L1-Mandarin learners fail to discriminate between the two EP vowels, as shown in Figure 1. In stark contrast to previous production studies ([1], [2]), where the vowel distinction is somehow preserved (otherwise the confusability would have been bidirectional as well), the current results suggest that the two speech modalities may not develop in tandem in L2 speech learning. Moreover, a mixed-effects logistic regression does not find an effect of L2 proficiency on learners’ perceptual performance. No evidence thus indicates that the observed perceptual difficulty will be mitigated with an increase in L2-Portuguese proficiency.
- Aquisição das vogais médias do português na China: alguns dados sobre a perceçãoPublication . Castelo, Adelina; Zhou, Chao; Amorim, ClaraTrabalhos anteriores revelam que, ao adquirir o Português Europeu (PE) como língua não-materna (L2), aprendentes com o chinês mandarim (CM) como língua materna (L1) e um nível de proficiência no PE tanto elementar (Castelo & Freitas, 2019) como mais avançado (Duan, 2021) neutralizam a distinção entre /e/ e /ɛ/ para a vogal baixa na sua produção em Português L2. Dado que os principais modelos de aquisição fonológica em L2 (Flege, 1995; Escudero & Boersma, 2004; Best & Tyler, 2007) assumem um vínculo estreito entre a perceção e a produção da fala em L2, é possível atribuir a dificuldade de produção observada a uma perceção incorreta: as duas vogais-alvo da L2 são percetivamente assimiladas a uma única categoria da L1. Neste trabalho, testámos explicitamente esta hipótese baseada na perceção, avaliando como os aprendentes falantes nativos de CM categorizam percetivamente as vogais-alvo /e/ e /ɛ/ do PE. Setenta aprendentes falantes nativos de CM realizaram uma tarefa de identificação de escolha forçada. Os estímulos da tarefa foram 36 pseudopalavras dissilábicas paroxítonas com consoantes oclusivas ou fricativas e vogais-alvo sempre em posição tónica (12 itens CVCV × 3 falantes). Cada estímulo foi produzido por três falantes nativas do português de Lisboa e validado percetivamente por outras cinco falantes nativas da mesma variedade. Os participantes incluíram professores e alunos de licenciaturas de Português em universidades chinesas e, portanto, apresentaram diferentes níveis de proficiência na L2, que foram medidos pelo LextPT (Zhou & Li, 2021). A recolha de dados foi feita a distância, com os participantes a realizarem as tarefas numa plataforma de e-learning, usando o seu dispositivo digital e auscultadores. Os resultados percetivos mostram que os aprendentes com o CM como L1 não conseguem distinguir as duas vogais do PE, tal como mostrado na Figura 1. Em total contraste com os resultados de estudos de produção anteriores (Castelo & Freitas, 2019; Duan, 2021), onde a distinção vocálica é de alguma forma preservada (caso contrário, a confusão também teria sido bidirecional), os resultados atuais sugerem que as duas modalidades de fala podem não se desenvolver em conjunto na aprendizagem da fala em L2. Além disso, uma regressão logística de efeitos mistos não encontra qualquer efeito da proficiência em L2 no desempenho percetivo dos alunos. Portanto, nenhuma evidência indica que a dificuldade percetiva observada será mitigada com um aumento na proficiência em PE como L2.
- Aquisição das vogais médias do português na China: os desafios de um desenho experimentalPublication . Castelo, Adelina; Zhou, Chao; Amorim, ClaraVários estudos na literatura têm mostrado que os aprendentes que utilizam poucos contrastes vocálicos na sua língua materna (L1) têm muita dificuldade em dominar um inventário vocálico não-nativo (L2) mais complexo (e.g. L1: espanhol; L2: inglês) (Bundgaard-Nielsen et al., 2011; Sousa et al., 2017). O mesmo problema foi revelado na aquisição das vogais do português por aprendentes chineses tanto em níveis iniciais (Castelo & Freitas, 2019), como em níveis de proficiência linguística mais avançados (Duan, 2021). Particularmente, a distinção entre /e/ e /ɛ/ encontra-se neutralizada nas produções orais em português por falantes nativos de chinês mandarim (CM). De acordo com vários modelos da aquisição fonológica de L2 (Flege, 1995; Escudero & Boersma, 2004; Best & Tyler, 2007), esta dificuldade pode ser atribuída ao facto de as duas vogais de L2 serem percetivelmente assimiladas a uma categoria de L1. Por este motivo, será relevante recorrer a dados percetivos para melhor compreender esta dificuldade dos aprendentes chineses na aquisição do português como L2 (PL2), já que os estudos anteriores se focalizaram na produção de fala em L2. Além disso, considerando que o contraste entre /e/ e /ɛ/ é por vezes representado através da acentuação gráfica na ortografia do português (e.g. Castelo, 2018) e que alguns estudos mostram a influência da ortografia no desenvolvimento da pronúncia numa L2 (Hayes-Harb, 2018), é possível que o uso de pistas ortográficas mitigue a dificuldade dos aprendentes chineses em desenvolver representações lexicais que incluam adequadamente o contraste segmental em causa. Tendo em conta os factos acima apresentados, deu-se início ao projeto de investigação “Aquisição de vogais portuguesas na China – dados percetivos”, que procura responder às seguintes questões acerca das vogais tónicas médias e baixas: (1) As produções desviantes dos falantes nativos de CM aprendentes de PL2 são motivadas por desvios percetivos?; (2) A existência de pistas ortográficas favorece a construção de uma representação fonológica adequada na aquisição de novas palavras?; (3) Há diferenças na perceção dos contrastes de altura em aprendentes com diferentes níveis de proficiência linguística? A construção do desenho experimental deste estudo revelou inúmeros desafios e a sua testagem num estudo-piloto mostrou também aspetos merecedores de reflexão. Assim sendo, o objetivo deste póster consiste em partilhar e fundamentar as opções tomadas no desenho experimental construído e em refletir sobre os seus êxitos e limitações, a partir das propostas da literatura e dos resultados do estudo-piloto. Consequentemente, o póster integrará quatro secções: (1) introdução, com fundamentação do projeto, objetivos e secções do póster; (2) apresentação das questões do desenho experimental, com a fundamentação das opções tomadas; (3) discussão dessas questões com base na literatura e nos resultados do estudo-piloto; (4) considerações finais. Mais concretamente, pretende-se refletir principalmente sobre quatro questões relativas ao desenho experimental desta investigação: os participantes, os estímulos linguísticos, as tarefas e as condições de recolha de dados. Os participantes são falantes nativos de CM, alunos de 1.º ou 3.º ano de licenciaturas na área de PL2 de diferentes instituições de ensino superior do Interior da China. Os estímulos linguísticos são pseudopalavras, paroxítonas e dissilábicas, com sílabas CV, consoantes oclusivas ou fricativas e as vogais-alvo em posição tónica; as variáveis manipuladas são a altura de vogal (média / baixa) e a pista ortográfica sobre a abertura de vogal (presente / ausente). Existem dois conjuntos de estímulos linguísticos: 12 pseudopalavras com vogais-alvo coronais; 6 pseudopalavras com vogais-alvo labiais. Cada estímulo foi produzido por três falantes nativas do português de Lisboa, sendo a produção do contraste em causa validada através da perceção de outras cinco falantes nativas da mesma variedade. A recolha de dados é feita a distância através de uma reunião Zoom: os investigadores dão as orientações e monitorizam, enquanto os participantes realizam as tarefas numa plataforma de e-learning, com o seu dispositivo digital e auscultadores. As tarefas incluem a identificação da vogal tónica nas 12 pseudopalavras com o contraste /e/-/ɛ/ e a aprendizagem dessas pseudopalavras. Cerca de uma semana mais tarde, os participantes realizam uma tarefa de deteção lexical baseada nas pseudopalavras aprendidas, uma tarefa de identificação da vogal nas pseudopalavras com o contraste /o/-/ɔ/ e uma tarefa para verificar a aprendizagem das 12 pseudopalavras iniciais. Os resultados de um estudo-piloto revelaram dificuldades sobretudo ao nível do envolvimento dos participantes e da tarefa de aprendizagem de pseudopalavras, estando a ser equacionadas estratégias para ultrapassar estas limitações.
- Da teoria à prática: a promoção da consciência fonológica na Educação Pré-Escolar e no 1.º CicloPublication . Amorim, Clara; Castelo, AdelinaIntrodução: A consciência fonológica desempenha um papel essencial na aprendizagem da leitura e da escrita, sendo reconhecida como um preditor do sucesso na alfabetização. O seu desenvolvimento, em particular a consciência fonémica, facilita a aquisição do princípio alfabético, promovendo a compreensão da relação entre os segmentos sonoros e a sua representação escrita. Por esse motivo, as orientações curriculares para a Educação Pré-Escolar e para o 1.º Ciclo do Ensino Básico recomendam práticas pedagógicas que promovam essa competência desde cedo. No entanto, em Portugal, são ainda escassos os estudos que investigam a aplicação dessas diretrizes, não havendo um conhecimento aprofundado sobre as práticas educativas e as crenças dos educadores/professores acerca da consciência fonológica. Este estudo exploratório avalia a frequência de realização de atividades de promoção da consciência fonológica na educação pré-escolar e no 1.º CEB e a importância/valorização que é atribuída a essas atividades por parte dos docentes desses níveis de ensino. Métodos: A recolha de dados foi realizada por meio de um questionário aplicado a 58 docentes em exercício e 23 estudantes finalistas de cursos de mestrado para a docência nesses níveis de ensino. O inquérito avaliou a frequência da implementação de atividades de consciência fonológica e a importância atribuída a essas práticas. Discussão/Conclusão: Os resultados revelam que as práticas educativas e as crenças continuam distantes do preconizado nas orientações curriculares e nos programas de formação promovidos pelo Ministério da Educação, não estando, portanto, fundamentadas em evidências científicas. Conclui-se que é essencial reforçar a formação dos professores nesta área, promovendo um maior alinhamento das práticas pedagógicas com a investigação científica e as diretrizes curriculares, garantindo, assim, um ensino mais eficaz e estruturado desde a Educação Pré-Escolar.
- O que são sons? Competência metafonológica de futuros professoresPublication . Amorim, Clara; Castelo, AdelinaA importância do desenvolvimento da consciência linguística e, em particular, da consciência fonológica no processo de aquisição da leitura e escrita tem sido destacada ao longo das últimas décadas (e.o. Freitas et al., 2007). Os documentos orientadores para a Educação Pré-Escolar (EPE) e para o ensino de Português no 1.º Ciclo do Ensino Básico (CEB) refletem os resultados da investigação, incluindo o desenvolvimento da consciência fonológica como um dos conteúdos a trabalhar. Já em 2006, para melhorar o ensino de português no 1.º CEB, foi implementado o Programa Nacional do Ensino do Português, que incluiu formação contínua de professores e correspondentes materiais didáticos, nomeadamente os dedicados à consciência linguística (Duarte, 2008), lexical (Duarte, 2011) e fonológica (Freitas et al., 2007). Apesar de tudo isto, um estudo exploratório (Amorim & Castelo, no prelo) mostra que as práticas educativas, as crenças e a formação profissional continuam distantes do que seria adequado. Resultados semelhantes têm sido relatados noutros países (e.g. Giménez et al., 2022; Jaskolski & Moyle, 2023) e um estudo recente sobre a preparação, em Portugal, dos futuros professores para o ensino da leitura e da escrita conclui, a partir da análise de fichas de unidades curriculares, que componentes essenciais para o ensino destas competências não são abordadas de forma explícita na formação inicial de professores (Leite et al., 2022). O presente trabalho pretende abordar a preparação da próxima geração de profissionais de educação dos níveis iniciais (EPE e 1.º CEB), investigando as competências de consciência fonológica de estudantes da licenciatura em Educação Básica e dos mestrados que habilitam para a docência na EPE e no 1.º CEB. Para isso, colocámos as seguintes questões: (1) Quais são os níveis de desempenho em tarefas de consciência fonológica no início do 1.º ano da licenciatura e de mestrado? (2) Que áreas devem ser reforçadas na formação inicial, de modo a preparar melhor os futuros profissionais para a promoção da consciência fonológica? Participaram neste estudo 98 estudantes (64 de licenciatura e 34 de mestrado), que responderam a um questionário online durante a primeira aula do ano letivo. O instrumento continha 41 questões, oito das quais se destinavam à caracterização dos participantes. As restantes incidiam sobre consciência silábica (e.g. número de sílabas), consciência fonémica (e.g. número de sons), relação fonema-grafema (e.g. som representado por um grafema) e conhecimento fonológico explícito (e.g. explicação de processos fonológicos). Os resultados mostram que os estudantes são influenciados pela ortografia em atividades de consciência silábica e fonémica, sobretudo em palavras cuja ortografia não é transparente (e.g. mais de 90% dos participantes indicam que “têm” é constituída por apenas uma sílaba). Revelam também desconhecimento de regras ortográficas, em especial, a grafia de ditongos nasais, manifestando dificuldades na identificação de ditongos nasais que não sejam assinalados por til (e.g. mais de metade dos participantes considera que “órgão” rima com “órfão”). Estes resultados vão ao encontro do relatado para outras línguas (e.g. Carroll et al., 2012; Jaskolski & Moyle, 2023), apontam para a necessidade de reforçar o ensino da consciência fonológica na formação inicial de professores e permitem identificar tópicos fonológicos específicos a abordar nessa formação.
- A vogal /e/ antes de consoante palatal: produções orais e desempenhos escritos de crianças de três variedades dialetais centro-meridionaisPublication . Amorim, Clara; Santos, Rita Nazaré; Castelo, AdelinaO sistema vocálico do português europeu (PE) apresenta uma complexidade considerável, na medida em que as sete vogais fonológicas que contrastam em contexto acentuado (/i, e, ɛ, a, ɔ, o, u/) sofrem diversos processos fonológicos, resultando em nove vogais fonéticas ([i, e, ɛ, a, ɔ, o, u, ɨ, ɐ]) (Mateus e Andrade, 2000). Enquanto o subsistema átono se caracteriza por conter apenas quatro vogais ([i, ɨ, ɐ, u]), no subsistema tónico, podem ocorrer todas as vogais, à exceção de [ɨ] (Bisol & Veloso, 2016). Uma das vogais que apresenta maior variação fonética é /e/. Os processos fonológicos que a afetam variam em função da tonicidade e do contexto adjacente. Em posição tónica antes de consoante palatal, a vogal pode oscilar entre [e] (ov[e]lha) e [ɐ] (ov[ɐ]lha), dependendo da variedade dialetal (Segura, 2013). Já em posição átona, observa-se um fenómeno de neutralização vocálica, em que /e/ é elevado e centralizado para [ɨ] (ov[ɨ]lhinha) (Mateus & Andrade, 2000). Uma vez que a ortografia do português é de base fonológica, havendo uma relação, nem sempre biunívoca, entre fonema e grafema, estas variações dificultam frequentemente a aquisição do sistema escrito. Tal é particularmente evidente quando se observam contextos nos quais a variação fonética pode levar a dificuldades na sua representação gráfica (Gomes & Rodrigues, 2021; Rodrigues & Gomes-Lourenço, 2021; Rodrigues & Gomes, 2022). O caso específico da vogal /e/ pode, assim, resultar em representações ortográficas não convencionais, dada a alofonia que a caracteriza. Além disso, trabalhos anteriores indicam que as variações dialetais podem ter um impacto significativo na aquisição ortográfica, como observado em Gomes e Rodrigues (2021). As autoras sugerem que a exposição ao contraste de pronúncia [tʃ]-[ʃ] correspondente à diferença da grafia - influencia positivamente a aprendizagem da ortografia. O presente trabalho investiga a forma como crianças de três dialetos portugueses representam na escrita a vogal /e/ antes de consoante palatal. Serão analisadas produções escritas e orais de falantes de três variedades dos dialetos centro-meriodinais que estão presentes no corpus EFFE-On: Escreves como falas - falas como escreves? (Rodrigues et al. 2015), permitindo uma comparação sistemática entre a produção oral e a sua representação ortográfica. A análise, tendo em conta fatores como o padrão acentual e as características dialetais que possam influenciar a perceção e a escrita da vogal em estudo, será organizada em torno das seguintes perguntas: (i) quais os níveis de acerto para a representação escrita de /e/ antes de consoante palatal? (ii) quais as estratégias de reconstrução utilizadas no caso de desvios? (iii) qual a relação entre as representações escritas e as produções orais? Espera-se que os resultados permitam identificar padrões de correspondência (ou discrepância) entre as produções orais e escritas da vogal /e/ em contexto pré-palatal heterossilábico, contribuindo para a compreensão do papel da fonologia na aquisição da ortografia do PE. Além disso, esta investigação pode contribuir para o ensino da escrita, sobretudo no que diz respeito a variações dialetais que possam dificultar a aprendizagem ortográfica, facilitando a elaboração de materiais pedagógicos mais adequados para diferentes grupos de falantes.
