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Abstract(s)
A ideia da economia do conhecimento “knowledge economy” tem sido estruturante, desde o
início do século, do trabalho desenvolvido no Ensino Superior, quer pela sua influência nos
critérios de qualidade do ensino e aprendizagem disponibilizados, quer pela valorização e
privilégio dado às finalidades económicas do ensino superior, presentes nos discursos dos
responsáveis institucionais e dos governos (cf. por exemplo o argumentário da meta dos 40%
de graduados com o HE dos cidadãos com menos de 35 anos). Um dos aspetos essenciais da
economia do conhecimento está associado à volatilidade do mercado de trabalho, e à mutação
constante da configuração dos empregos, que torna mais necessárias competências
transversais e de auto regulação das aprendizagens. A pergunta que daí decorre é a de
questionar se as Instituições de Ensino Superior estão a preparar todos os seus estudantes
para esses cenários, cumprindo o desígnio da coesão social e da inclusão, necessário à sua
contribuição para o aperfeiçoamento da democracia.
O outro conceito estruturante que fundamenta este trabalho, agora de um ponto de vista mais
pedagógico é o da voz dos estudantes. Se o termo pode ser entendido em diferentes
contextos, incluindo os mais políticos, como o reconhecimento de que os estudantes são parte
integral do sistema e por isso têm uma voz que deve ser ouvida, neste texto interessa-nos
evidenciar o sentido pedagógico do conceito, quer pelo reconhecimento de que os estudantes
são o primeiro agente da sua aprendizagem, quer pelo reconhecimento da diversidade
epistémica da produção do conhecimento, quer ainda pela valorização dos atos de fala, de
escuta e do direito a ser ouvido, como produtores de competências discursiva e
argumentativa.
Os debates são um exemplo de estratégia pedagógica que implica uma maior participação dos
estudantes porque pressupõe que estes são elementos ativos e críticos na aquisição do saber
que a Universidade lhes propõe. Produzir saber sobre as formas de melhor implementar e
assegurar a qualidade científica dos debates, pensados como estratégia pedagógica, é o
propósito deste capítulo. São seus objetivos
caracterizar o trabalho docente associado à implementação da metodologia dos
debates em sala de aula;
identificar as competências transversais associadas à maior participação nos debates;
estudar a adesão dos estudantes à metodologia;
identificar os constrangimentos associados à sua implementação;
discutir os efeitos da implementação da metodologia à luz dos conceitos de coesão
social e de inclusão que o Ensino Superior deve perseguir.
O capítulo decorre de um estudo empírico realizado na Universidade do Porto sobre a
importância dos debates como estratégia pedagógica, conduzido no ano de 2016. Realizaramse 10 entrevistas a professores que incluíram o recurso aos debates como estratégia
pedagógicas das suas Unidades Curriculares. Os 10 professores pertencem a 10 diferentes
faculdades da U. Porto.
As entrevistas semiestruturadas, ou “conversas com um objetivo”, foram audiogravadas, e
posteriormente transcritas e objeto de análise de conteúdo.
Entre os resultados da análise verificou-se a diversidade do uso do debate por parte dos
docentes e a constatação de que estes nem sempre avaliavam o resultado da prática. Tal
resultado autorizaria discutir a questão da presença/ausência da prática reflexiva docente, se
este também fosse um objetivo do capítulo.
Outro resultado, constatado em algumas das UC, dá conta que os alunos (em alguns casos) não
valorizam a prática, não lhe reconhecem valor ou pertinência, o que torna as aulas, e
sobretudo os conteúdos e produtos dos debates (as competências transversais associadas)
pouco significativos.
Também as dinâmicas do debate, realizadas com todo o auditório, não são de molde a
envolver todos os estudantes, o que desvanece a finalidade de coesão social com que se
problematiza o assunto.
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Citation
Vale, Ana; Mouraz, Ana - Os debates como estratégia de trabalho curricular participado dos estudantes no ensino superior: cumprindo o desígnio da coesão social e da inclusão. In Tavares, José; et al., org. - Docência no ensino superior [Em linha]: experiências no Brasil, Portugal e Espanha. Itapetininga: Edições Hipótese, 2019. ISBN 978-65-80428-01-4. p. 184-216