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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
A migração global, influenciada por legados coloniais e estruturas eurocêntricas, afeta, especialmente, migrantes de países fora da União Europeia, refletindo-se em desigualdades no acesso ao mercado de trabalho e violações dos direitos humanos. Dentro do contexto geral de imigração contemporânea em Portugal, as mulheres brasileiras imigrantes, apesar da proximidade linguística, enfrentam estereótipos de género e precarização laboral e pensamento colonial sobre o corpo das mulheres.
O estudo subjacente a esta proposta de comunicação visa conhecer a experiência das mulheres brasileiras imigrantes no mercado de trabalho português, com foco nas intersecções entre género, colonialidade e direitos humanos, bem como compreender como os estereótipos e desigualdades estruturais afetam a integração laboral e social dessas mulheres. Para cumprimento deste objetivo, foi realizado um estudo de carácter qualitativo, com a realização de grupos focais com mulheres
imigrantes brasileiras em Portugal, complementado com entrevistas individuais. No global, participaram 30 mulheres, selecionadas seguindo a técnica “bola de neve” através de contactos com associações, redes sociais e presenciais.
Foram realizados 6 grupos focais, com um total de 22 participantes e, complementarmente, foram realizadas oito entrevistas individuais a mulheres migrantes brasileiras. Numa análise preliminar identificámos que as mulheres brasileiras imigrantes enfrentam múltiplas barreiras no mercado de trabalho português, incluindo discriminação linguística, assédio moral e sexual, restrições no acesso e progressão laborais e preconceitos étnicos especialmente contra mulheres brasileiras negras. Verificou-se ainda o exercício de trabalho precário, baixos salários, não reconhecimento de diplomas académicos e dificuldades na regularização migratória provocadas pela burocracia e morosidade dos serviços públicos.
Os resultados preliminares permitem concluir que as mulheres brasileiras imigrantes em Portugal enfrentam um conjunto complexo de barreiras estruturais e interpessoais que limitam a sua integração plena e igualitária no mercado de trabalho. A persistência de discriminações de género, étnica e linguística, aliada à precariedade laboral e à dificuldade de reconhecimento profissional, reforça desigualdades herdadas da colonialidade, perdurando as representações negativas. Estas representações condicionam a mobilidade, a integração e o acolhimento social e laboral das mulheres migrantes brasileiras, afunilando as suas opções de trabalho a lugares precários, aumentando o seu grau de vulnerabilidade, tornando invisíveis as suas vozes no contributo para a melhoria das políticas públicas promotoras de igualdade e não discriminação.
Descrição
Palavras-chave
Migração Colonialidade Mercado laboral Direitos humanos Mulheres brasileiras
