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- Do invisível ao visível: património cultural imaterial e empoderamento de mulheresPublication . Rosa, Rosário; Jesus, MiguelA investigação-ação, com o seu pendor participativo, reformula e redefine as relações tradicionais entre pessoas investigadoras e pessoas participantes, transformando-as em relações de igualdade e coprodução, tanto do conhecimento, como dos contributos nas transformações sociais pretendidas. Nesta comunicação apresentamos um trabalho de intervenção realizado em duas regiões do centro interior português – São Pedro do Sul e Sabugal - em que se procedeu a um pequeno inventário de práticas e saberes tradicionais com mulheres dedicadas à agricultura familiar. Este trabalho foi realizado partindo das vontades dos grupos de mulheres, articulando técnicas de investigação tradicional (ex.: histórias de vida), com técnicas participativas (ex.: rodas de conversa) e visuais (recolhas de fotografia e vídeo), que culminou numa exposição pública das suas histórias e saberes. O Património Cultural Imaterial (PCI), enquanto expressão viva das tradições, saberes e práticas de comunidades, representa um espaço de construção identitária e de afirmação social. Quando analisado numa perspetiva de género, esse património revela-se também como um instrumento estratégico para o empoderamento feminino e de promoção da igualdade de género.
- O mercado de trabalho em Portugal e as mulheres migrantes brasileiras: resultados preliminares de um estudo qualitativoPublication . Estrela, Andreia; Magano, OlgaA migração global, influenciada por legados coloniais e estruturas eurocêntricas, afeta, especialmente, migrantes de países fora da União Europeia, refletindo-se em desigualdades no acesso ao mercado de trabalho e violações dos direitos humanos. Dentro do contexto geral de imigração contemporânea em Portugal, as mulheres brasileiras imigrantes, apesar da proximidade linguística, enfrentam estereótipos de género e precarização laboral e pensamento colonial sobre o corpo das mulheres. O estudo subjacente a esta proposta de comunicação visa conhecer a experiência das mulheres brasileiras imigrantes no mercado de trabalho português, com foco nas intersecções entre género, colonialidade e direitos humanos, bem como compreender como os estereótipos e desigualdades estruturais afetam a integração laboral e social dessas mulheres. Para cumprimento deste objetivo, foi realizado um estudo de carácter qualitativo, com a realização de grupos focais com mulheres imigrantes brasileiras em Portugal, complementado com entrevistas individuais. No global, participaram 30 mulheres, selecionadas seguindo a técnica “bola de neve” através de contactos com associações, redes sociais e presenciais. Foram realizados 6 grupos focais, com um total de 22 participantes e, complementarmente, foram realizadas oito entrevistas individuais a mulheres migrantes brasileiras. Numa análise preliminar identificámos que as mulheres brasileiras imigrantes enfrentam múltiplas barreiras no mercado de trabalho português, incluindo discriminação linguística, assédio moral e sexual, restrições no acesso e progressão laborais e preconceitos étnicos especialmente contra mulheres brasileiras negras. Verificou-se ainda o exercício de trabalho precário, baixos salários, não reconhecimento de diplomas académicos e dificuldades na regularização migratória provocadas pela burocracia e morosidade dos serviços públicos. Os resultados preliminares permitem concluir que as mulheres brasileiras imigrantes em Portugal enfrentam um conjunto complexo de barreiras estruturais e interpessoais que limitam a sua integração plena e igualitária no mercado de trabalho. A persistência de discriminações de género, étnica e linguística, aliada à precariedade laboral e à dificuldade de reconhecimento profissional, reforça desigualdades herdadas da colonialidade, perdurando as representações negativas. Estas representações condicionam a mobilidade, a integração e o acolhimento social e laboral das mulheres migrantes brasileiras, afunilando as suas opções de trabalho a lugares precários, aumentando o seu grau de vulnerabilidade, tornando invisíveis as suas vozes no contributo para a melhoria das políticas públicas promotoras de igualdade e não discriminação.
