Língua, Literatura e Cultura Portuguesas | Artigos em revistas internacionais / Papers in international journals
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Browsing Língua, Literatura e Cultura Portuguesas | Artigos em revistas internacionais / Papers in international journals by contributor "Pereira, Maria Eugénia"
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- Les pérégrinations littéraires de João Botelho: de Fernando Pessoa à la comtesse de Ségur (Allers et retours)Publication . Gonçalves, Luís Carlos Pimenta; Campos, André; Pereira, Maria Eugénia; Silva, Marie-ManuelleJoão Botelho tem construído uma obra cinematográfica singular que vive do diálogo com a literatura e os seus autores, transformados em personagens de filmes, do programático e seminal Conversa Acabada (1981), onde surgem Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, até à longa-metragem Um Filme em Forma de Assim (2022), sobre Alexandre O’Neill, esperando-se ainda em 2024 a estreia do filme As Meninas Exemplares, adaptação do livro homónimo da Condessa de Ségur. Com ousadia e mestria, o cineasta tem adaptado clássicos literários em filmes como O Fatalista (2005), a partir de um (não) romance de Diderot, ou como, mais tarde, Os Maias. Cenas da vida romântica (2014), título quase homónimo do romance de Eça de Queirós visto este se subintitular Episódios da vida romântica, subtil diferença que marca a distância entre cinema e literatura. Em Peregrinação (2017), o cineasta revela-nos como não é de todo linear o processo criativo ao basear-se fundamentalmente na obra de Fernão Mendes Pinto, mas também, acessoriamente, no romance O Corsário dos Setes Mares – Fernão Mendes Pinto, de Deana Barroqueiro. Depois de uma primeira parte analisando a obra de João Botelho, mais precisamente clássicos da literatura francesa relidos num gesto fílmico mesclando homenagem e paródia, propõe-se, na segunda parte, uma revisitação às principais incursões de João Botelho à literatura portuguesa. Por fim, na terceira parte, realiza-se uma leitura mais focada no universo pessoano, tomando-se como objeto os filmes Conversa Acabada, Filme do Desassossego (2010) e O ano da morte de Ricardo Reis (2020). Tendo em fundo o arco de quatro décadas de trabalho e vida que assim se estabelece, privilegiam-se três eixos de reflexão: discursivo, dialógico e figurativo. No primeiro, aborda-se o quadro formal da produção do realizador, onde se cruzam uma inequívoca marca autoral e a omnipresença de Manoel de Oliveira; no segundo, ilumina-se o texto pessoano como fim último do diálogo encetado por João Botelho; no último, aponta-se às múltiplas refigurações de Fernando Pessoa e seus Duplos e ao fenómeno de sobrevida transliterária que por essa via se anima.
