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João Botelho tem construído uma obra cinematográfica singular que vive do diálogo com a literatura e os seus autores, transformados em personagens de filmes, do programático e seminal Conversa Acabada (1981), onde surgem Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, até à longa-metragem Um Filme em Forma de Assim (2022), sobre Alexandre O’Neill, esperando-se ainda em 2024 a estreia do filme As Meninas Exemplares, adaptação do livro homónimo da Condessa de Ségur. Com ousadia e mestria, o cineasta tem adaptado clássicos literários em filmes como O Fatalista (2005), a partir de um (não) romance de Diderot, ou como, mais tarde, Os Maias. Cenas da vida romântica (2014), título quase homónimo do romance de Eça de Queirós visto este se subintitular Episódios da vida romântica, subtil diferença que marca a distância entre cinema e literatura. Em Peregrinação (2017), o cineasta revela-nos como não é de todo linear o processo criativo ao basear-se fundamentalmente na obra de Fernão Mendes Pinto, mas também, acessoriamente, no romance O Corsário dos Setes Mares – Fernão Mendes Pinto, de Deana Barroqueiro.
Depois de uma primeira parte analisando a obra de João Botelho, mais precisamente clássicos da literatura francesa relidos num gesto fílmico mesclando homenagem e paródia, propõe-se, na segunda parte, uma revisitação às principais incursões de João Botelho à literatura portuguesa. Por fim, na terceira parte, realiza-se uma leitura mais focada no universo pessoano, tomando-se como objeto os filmes Conversa Acabada, Filme do Desassossego (2010) e O ano da morte de Ricardo Reis (2020). Tendo em fundo o arco de quatro décadas de trabalho e vida que assim se estabelece, privilegiam-se três eixos de reflexão: discursivo, dialógico e figurativo. No primeiro, aborda-se o quadro formal da produção do realizador, onde se cruzam uma inequívoca marca autoral e a omnipresença de Manoel de Oliveira; no segundo, ilumina-se o texto pessoano como fim último do diálogo encetado por João Botelho; no último, aponta-se às múltiplas refigurações de Fernando Pessoa e seus Duplos e ao fenómeno de sobrevida transliterária que por essa via se anima.
João Botelho a construit une œuvre cinématographique singulière qui se nourrit du dialogue avec la littérature et ses auteurs, depuis le programmatique et inaugural long métrage Conversa Acabada (1981) sur Fernando Pessoa et Mário de Sá-Carneiro, jusqu’à Um Filme em Forma de Assim (2022) sur Alexandre O’Neill, en attendant As Meninas Exemplares, une adaptation de Les petites filles modèles de la comtesse de Ségur dont la sortie est prévue en 2025. Le cinéaste a adapté avec audace et maestria des classiques de la littérature dans des films tels que O Fatalista (2005), à partir de Diderot, ou Os Maias. Cenas da vida romântica (2014), d’Eça de Queiroz, Peregrinação (2017), de Fernão Mendes Pinto. Après une première partie, où nous procédons à l’analyse de l’œuvre de João Botelho, plus particulièrement les classiques de la littérature française relus dans un geste filmique mêlant hommage et parodie, dans la deuxième partie de cet article nous nous proposons de revisiter les principales incursions de João Botelho dans la littérature portugaise. Enfin, dans la troisième partie, nous nous concentrons sur l’univers de Pessoa, en prenant pour objet les films Conversa Acabada [Moi l’autre], o Filme do Desassossego [Le Film de l’intranquillité] (2010) et O ano da morte de Ricardo Reis [L’année de la mort de Ricardo Reis] (2020).
João Botelho a construit une œuvre cinématographique singulière qui se nourrit du dialogue avec la littérature et ses auteurs, depuis le programmatique et inaugural long métrage Conversa Acabada (1981) sur Fernando Pessoa et Mário de Sá-Carneiro, jusqu’à Um Filme em Forma de Assim (2022) sur Alexandre O’Neill, en attendant As Meninas Exemplares, une adaptation de Les petites filles modèles de la comtesse de Ségur dont la sortie est prévue en 2025. Le cinéaste a adapté avec audace et maestria des classiques de la littérature dans des films tels que O Fatalista (2005), à partir de Diderot, ou Os Maias. Cenas da vida romântica (2014), d’Eça de Queiroz, Peregrinação (2017), de Fernão Mendes Pinto. Après une première partie, où nous procédons à l’analyse de l’œuvre de João Botelho, plus particulièrement les classiques de la littérature française relus dans un geste filmique mêlant hommage et parodie, dans la deuxième partie de cet article nous nous proposons de revisiter les principales incursions de João Botelho dans la littérature portugaise. Enfin, dans la troisième partie, nous nous concentrons sur l’univers de Pessoa, en prenant pour objet les films Conversa Acabada [Moi l’autre], o Filme do Desassossego [Le Film de l’intranquillité] (2010) et O ano da morte de Ricardo Reis [L’année de la mort de Ricardo Reis] (2020).
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Keywords
João Botelho Cinema português Literatura portuguesa Literatura francesa
Pedagogical Context
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Association Portugaise d'Études Françaises
