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Que competência metalinguística avaliamos nos exames de português?

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Castelo Eustáquio Leitão 2022-APL-vf-ppt.pdf1.52 MBAdobe PDF Download

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Abstract(s)

A reflexão sobre quais devem ser os objetos de estudo e as finalidades da disciplina de Português (como língua materna) no ensino básico e secundário de Portugal tem originado investigações empíricas (e.g. trabalhos referidos em Costa e Batalha, 2019) e reflexões e propostas teóricas (e.g. I. M. Duarte, 2008; Rodrigues, 2017), realizadas no âmbito da Linguística Educacional ou da Didática do Português. Entre os tópicos discutidos, destaca-se a importância da competência metalinguística, associável tanto à consciência linguística como ao conhecimento explícito da língua (cf. revisão da literatura sobre estes conceitos em Castelo, 2012), e a forma como a mesma deve ser promovida e mobilizada nos desempenhos linguísticos (e.g. Duarte, 2008; Costa et al., 2011). Tais reflexões estão na base de várias alterações nos programas de Português do ensino secundário nas últimas décadas (e.g. Programa de Português – 10.º, 11.º e 12.º anos – Cursos Científico-Humanísticos e Cursos Tecnológicos, 2001; Programa e Metas Curriculares de Português. Ensino Secundário, 2014; Rodrigues, 2017). No entanto, como sabemos, a implementação dos programas é mediada pelo fenómeno da transposição didática interna (e.g. Chevallard, 1982), pelo que é possível que as práticas letivas não correspondam totalmente ao espírito dos documentos curriculares e seja relevante encontrar outros modos de conhecer as práticas letivas relacionadas com determinado tópico. Tal como sugerido por Constantinou (2019), uma forma de conhecer essas práticas consiste em observar provas de avaliação externas “de alto risco”. Trata-se de um modo indireto de observar as práticas letivas, mas pode ser muito informativo, pois as propriedades de tais avaliações condicionam fortemente a atividade dos docentes, dado o grande impacto do resultado das mesmas na vida dos alunos. Considerando todos estes factos, foi realizada uma análise das competências linguística e metalinguística solicitadas nos exames nacionais de Português (realizados pelos alunos que concluem o ensino secundário em Portugal, no final do 12.º ano de escolaridade), ao longo dos últimos 25 anos. Contudo, na presente comunicação, aborda-se apenas a competência metalinguística, procurando responder às seguintes questões de investigação: (i) Qual é o peso da competência metalinguística em relação ao da competência linguística?; (ii) Que abordagens da competência metalinguística são visíveis nos exames?; (iii) Como têm evoluído o peso e as abordagens da competência metalinguística nos exames dos últimos 25 anos? Para concretizar tal análise, adaptou-se a abordagem proposta e usada em Constantinou (2019) para os exames de conclusão do ensino secundário no Reino Unido. Primeiramente, foi elaborado um sistema de categorização dos itens dos exames com base no sistema proposto nesse estudo, sendo estabelecido um total de 11 categorias (6 para a competência linguística e 5 para a competência metalinguística) e associando-se cada categoria a uma definição e a um exemplo retirado de um exame português. De seguida, foram analisados 25 dos exames nacionais disponíveis no site do Instituto da Avaliação Educativa, I.P., um de cada ano desde 1997 até 2021: optou-se pelo exame da 1.ª fase e 1.ª chamada e pela prova 139, de Português B para os Cursos Gerais e Cursos Tecnológicos, até 2006 e a prova 639, de Português, a partir de 2007. As autoras observaram cada um dos itens dessas provas de avaliação, incluíram-no numa categoria e anotaram o seu peso relativo na prova (convertido em percentagem). Convém destacar alguns dos resultados mais relevantes. A observação do Gráfico 1, por exemplo, mostra como a competência metalinguística tem, na cotação da prova, um peso relativo baixo (quase sempre inferior a 20%, entre 2007 e 2021, estando a percentagem restante associada à avaliação da competência linguística) ou nulo (entre 1998 e 2006). A análise dos itens de avaliação específicos – que será exemplificada na comunicação – revela que a competência metalinguística é abordada sobretudo através da classificação de propriedades morfossintáticas de acordo com a terminologia linguística vigente, considerando o conhecimento explícito da língua como um mero objeto de estudo teórico (ou, antes, classificatório), que não é mobilizado para a melhoria do desempenho linguístico. Além disso, a reflexão sobre determinadas áreas, como as da fonética, fonologia e sociolinguística, quase nunca é solicitada. A comparação dos exames permite ainda chegar à conclusão de que se regista pouca evolução no peso e nas abordagens da competência metalinguística ao longo dos últimos 25 anos. Na discussão dos resultados, observa-se a (não) relação com as orientações curriculares em vigor ao longo destes anos e mostra-se o caráter (ainda) atual de problemas no modo de promoção da competência metalinguística identificados por diferentes autores (e.g. Veloso e Rodrigues, 2002; Rodrigues, 2006; I. M. Duarte, 2008).

Description

XXXVIII Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística, realizado em Lisboa, de 26-28 de Outubro de 2022

Keywords

Competência metalinguística Ensino do conhecimento explícito da língua Linguística educacional Ensino secundário Ensino Portugal

Citation

Castelo, A., Eustáquio, A., & Leitão, M. A. (2022). Que competência metalinguística avaliamos nos exames de Português? XXXVIII Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 26-28/10/2022).

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