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Aquisição fonológica do português europeu por aprendentes bilingues cantonês-mandarim: restrições fonotáticas ou vantagem do bilinguismo?

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Abstract(s)

Conforme estudos anteriores (Dupoux et al. 1999; Polivanov, 1931; Zhou & Rato, 2023), as restrições fonotáticas da língua materna (L1) dos aprendentes condicionam a sua perceção da língua não materna. O presente trabalho tem como objetivo explorar, em primeiro lugar, se os aprendentes bilingues cantonês-mandarim têm dificuldade percetiva com as estruturas sonoras do português europeu (PE) que violam as restrições fonotáticas do cantonês - */tu/ e */CCV/ (Bauer & Benedict, 1997). Dois estudos experimentais foram realizados com 116 sujeitos. A experiência principal do Estudo I é uma tarefa de discriminação AXB realizada por 15 falantes nativos do PE e 30 aprendentes bilingues cantonês-mandarim. Os estímulos auditivos foram pseudopalavras do PE, com estruturas pertencentes a três condições: (1) contraste entre sequências CV que respeitam as restrições fonotáticas do cantonês (e.g. /ta/ e /te/); (2) contraste entre as sequências */Ccoronalu/ e /Ccoronalo/ (e.g. */tu/ e /to/); e (3) contraste entre sequências CCV e CɨCV (e.g. /pɾa/ e /pɨɾa/). Foram ainda aplicados o questionário de Perfil de Língua Bilingue (BLP, Birdsong et al., 2012), o teste de LexTale (Lemhöfer & Broersma, 2012) e o LextPT (Zhou & Li, 2022) para avaliar a dominância entre as duas L1s e estimar a sua proficiência em inglês e em PE. Os resultados analisados via regressão logística com efeitos mistos sugerem a ausência de influência das restrições fonotáticas da L1 cantonês e a experiência linguística dos aprendentes (L1s, L2 inglês e L3 PE) não parece explicar o efeito nulo. Para dissociar o eventual efeito da exposição ao PE e o do conhecimento linguístico prévio, no Estudo II foram recrutados participantes sem conhecimento do PE (30 bilingues cantonês-mandarim e 41 monolingues mandarim). O protocolo experimental foi idêntico ao do Estudo I, exceto a aplicação de LextPT. As regressões logísticas com efeitos mistos mais uma vez não encontraram efeitos da experiêncialinguística (dominância entre L1s e proficiência do L2 inglês), mas sim revelaram o efeito do grupo (β =-1,55, SD =0,34, p<0.001). Ou seja, o grupo bilingue cantonêsmandarim tem um melhor desempenho na aquisição fonológica do PE do que o grupo monolingue mandarim. Ter conhecimento do cantonês não implica um efeito maior das restrições fonotáticas na perceção não nativa e até contribui para um melhor desempenho percetivo. Estes resultados parecem indicar uma vantagem cognitiva do bilinguismo na aquisição fonológica de uma língua não materna (Bartolotti & Marian, 2012).

Description

Keywords

bilinguismo aquisição fonológica restrições fonotáticas português europeu cantonês

Pedagogical Context

Citation

Lai, N. I., Zhou, C., & Castelo, A. (2025). Aquisição Fonológica do Português Europeu por Aprendentes Bilingues Cantonês-Mandarim: Restrições Fonotáticas ou Vantagem do Bilinguismo? 41.º Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística (Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria, 23-25/10/2025).

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