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Abstract(s)
A partir de uma análise dos seus fundamentos epistemológicos e das grandes finalidades da educação geográfica, procura-se definir o contributo do ensino da Geografia para o desenvolvimento de atitudes e valores que conduzam à formação de cidadãos ativamente comprometidos com as grandes problemáticas do mundo atual e explicitam-se os principais obstáculos políticos, ideológicos, organizacionais que têm impedido os professores de Geografia de assumir uma mudança de paradigma científico e educacional.
Considera-se que a Geografia vive um momento de viragem epistemológica, onde predomina uma visão que dá relevo aos factores subjectivos que subjazem às decisões, e a uma leitura do espaço mais complexa que valoriza a interpretação dos pequenos espaços e considera difícil generalizar num mundo marcado pela diferença e pela rápida transformação e aceita o pluralismo de abordagens sobre a realidade. Este movimento de ruptura conceptual que procura trazer a Geografia de volta ao seu principal objecto explicar e predizer a realidade espacial agora numa perspectiva de “espaço social”, o espaço vivido e culturalmente marcado, dá origem ao desenvolvimento do conceito de território e fundamenta uma reconceptualização da Educação Geográfica.
Assume-se que a Geografia pode contribuir decisivamente para a educação da consciência moral, o desenvolvimento de uma consciência ética e uma perspectiva global da sociedade e considera-se que esta é uma ciência com uma “vocação natural” para o desenvolvimento de competências de cidadania, o que se deve à matriz dos estudos geográficos – aprender a interpretar o espaço, os seus elementos constitutivos, a forma com se inter-relacionam, os seus contrastes e debilidades, os seus pontos fortes e, a partir desta leitura polissémica, ser capaz de intervir no espaço de forma responsável e numa perspectiva de desenvolvimento sustentável.
Num segundo momento, partindo da interpretação de documentos oficias e da análise dos resultados de inquéritos aplicados a professores portugueses de Geografia, põem-se em relevo as contradições existentes entre as orientações educativas emanadas dos organismos centrais (currículo preconizado) e as práticas dos professores na sala de aula (currículo implementado), bem como as percepções dos professores sobre os programas, o papel da geografia e a possibilidade de implementar estratégias de ensino que conduzam os alunos ao desenvolvimento de novas competências geográficas.
Em conclusão, procuram-se determinar as causas que explicam a reduzida inovação educativa nas aulas de Geografia, dando especial relevo às que se relacionam com as práticas desenvolvidas no âmbito da formação inicial e contínua dos professores ainda fortemente marcadas por um paradigma tecnológico, por uma concepção positivista da geografia e por uma visão geometrizante do espaço.
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Keywords
Educação geográfica Cidadania
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Publisher
Universidad de Santiago de Compostela, Asociación de Geógrafos Españoles, Associação de Professores de Geografia de Portugal