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O mito do Marquês de Pombal: filopombalismo e antipombalismo na mitificação do primeiro-ministro de D. José

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Há figuras cuja ação marca os sentidos da História, moldando o seu tempo ou rasgando-lhe uma fenda pela desmesura. A essas personalidades não está reservada a tranquilização da História, a serenidade do retrato: permanecem convulsionadas na espuma dos seus dias e na perplexidade emocionada dos observadores do seu futuro. O Marquês de Pombal é uma das figuras que, emergindo pelo excesso, sismicamente emoldurado, continua a concitar um discurso apaixonado, a (des)favor, e a controvérsia. “Marquês” lhe basta como referência antecedida de artigo definido: a designação tornou-se inequívoca, apesar da multiplicidade de tantos congéneres. E a sua força vital é de tal modo significativa que lhe confere mítica densidade: é, em simultâneo, mito negro e mito luminoso, representante do absolutismo e das forças que o minaram, do passado e do futuro. Luz e sombras são, ambas, defensáveis, justificáveis, com razão. Matéria, por isso, eminentemente sedutora para a ficção, ambiciosa das fendas do conhecimento e do documento, da ambiguidade, da duplicidade.

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Theya

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