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Advisor(s)
Abstract(s)
Há figuras cuja ação marca os sentidos da História, moldando o
seu tempo ou rasgando-lhe uma fenda pela desmesura. A essas
personalidades não está reservada a tranquilização da História, a serenidade
do retrato: permanecem convulsionadas na espuma dos seus dias e na
perplexidade emocionada dos observadores do seu futuro.
O Marquês de Pombal é uma das figuras que, emergindo pelo excesso,
sismicamente emoldurado, continua a concitar um discurso apaixonado, a
(des)favor, e a controvérsia. “Marquês” lhe basta como referência antecedida
de artigo definido: a designação tornou-se inequívoca, apesar da
multiplicidade de tantos congéneres. E a sua força vital é de tal modo
significativa que lhe confere mítica densidade: é, em simultâneo, mito negro e mito luminoso, representante do absolutismo e das forças que o minaram,
do passado e do futuro. Luz e sombras são, ambas, defensáveis, justificáveis,
com razão. Matéria, por isso, eminentemente sedutora para a ficção,
ambiciosa das fendas do conhecimento e do documento, da ambiguidade, da
duplicidade.