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Crenças na vida após a morte: estigma e marginalização no contexto do espiritismo no Funchal

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Enquadramento: A procura da explicação da vida após a morte sempre povoou o imaginário da mente humana. Quando nos questionamos sobre quem somos, de onde viemos, para onde vamos, sentimos alguma inquietação. A literatura sociológica destaca como a construção social cria padrões tidos como "normais", enquanto desvia aqueles considerados "estigmatizados". Goffman ([1963] 2004) discute como o normal e o estigmatizado são perspetivas geradas em situações sociais. A crença na reencarnação e na comunicação com espíritos, princípios centrais do Espiritismo, é vista como "desviante" em relação às normas religiosas e sociais dominantes, colocando os seus praticantes numa posição de estigma e discriminação. Objetivo: Compreender, do ponto de vista das ciências sociais, o impacto da crença na vida depois da morte na vida quotidiana dos frequentadores de um Centro Espírita no Funchal. Metodologia: O estudo explorou as motivações que levaram os espíritas a frequentarem o Centro Cultural e Espírita do Funchal, bem como as implicações das suas experiências mediúnicas. Para efeito, efetuamos um estudo qualitativo, apoiado na observação participante e em entrevistas semiestruturadas, com o total de 18 intervenientes. Recorreu-se, ainda, à análise de conteúdo, utilizando a ferramenta MAXQDA. Resultados: Constata-se que as vivências mediúnicas fortalecem a crença na vida após a morte e têm um impacto significativo nas vidas pessoais, sociais e profissionais dos participantes, especialmente quando vividas coletivamente no centro espírita e através da partilha de experiências. O Espiritismo, ao enfatizar a reencarnação e a comunicação com os mortos, contrasta com a doutrina católica tradicional, levando ao distanciamento social dos espíritas em relação à sociedade predominante. Desta forma, origina sentimentos de estigmatização social e estereótipos. Conclusão: Este estudo evidenciou como o preconceito e a marginalização são frequentemente associados a grupos minoritários e suas crenças, especialmente quando desafiam as normas dominantes. A discriminação enfrentada pelos espíritas pode ser comparada a outras formas de exclusão, como o antisemitismo e a islamofobia, destacando a importância de entender e integrar diversidades culturais e religiosas. Assim, este trabalho contribui significativamente para o campo das ciências sociais ao explorar uma área pouco estudada e sugerir intervenções para promover o reconhecimento e a inclusão das diversidades culturais e religiosas.

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Palavras-chave

Espiritismo Crença Estigma Diversidade cultural

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