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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Desde o final do século XX, a intervenção sobre a vida na rua é crescentemente medicalizada. Com base num trabalho de mais de 500 horas de observação direta, realizado numa cidade portuguesa de média dimensão entre 2010 e 2014, discuto como assistentes sociais, psicólogos, psiquiatras, entre outros atores da intervenção, compreendem a vida na rua como um problema de insuficiência ontológico-psiquiátrica de cada sujeito sem-abrigo. Nesse contexto medicalizado, o diagnóstico psiquiátrico é uma técnica de intervenção importante pois é através dela que o julgamento coletivo sobre a anormalidade de cada sujeito sem-abrigo é validado. Não sendo um momento de descoberta médico-científica dessa anormalidade, o diagnóstico oficial pronunciado por um psiquiatra é um instante em que a classificação ontológica negativa apriorística é racionalizada em termos médico-científicos. Através de procedimentos como o diagnóstico psiquiátrico, a medicalização invisibiliza as características estruturais da vida na rua, legitimando um modelo societal desigual e injusto que torna alguns sujeitos sem-abrigo.
Descrição
Palavras-chave
Medicalização Psiquiatria Racionalização Serviço social Vida na rua
Contexto Educativo
Citação
Aldeia, João (2024), “O diagnóstico psiquiátrico como racionalização da classificação ontológica negativa dos sujeitos sem-abrigo”, Saúde e Sociedade, 33 (2).
Editora
Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP)
