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Centre of Linguistics of the University of Porto

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O que são sons? Competência metafonológica de futuros professores
Publication . Amorim, Clara; Castelo, Adelina
A importância do desenvolvimento da consciência linguística e, em particular, da consciência fonológica no processo de aquisição da leitura e escrita tem sido destacada ao longo das últimas décadas (e.o. Freitas et al., 2007). Os documentos orientadores para a Educação Pré-Escolar (EPE) e para o ensino de Português no 1.º Ciclo do Ensino Básico (CEB) refletem os resultados da investigação, incluindo o desenvolvimento da consciência fonológica como um dos conteúdos a trabalhar. Já em 2006, para melhorar o ensino de português no 1.º CEB, foi implementado o Programa Nacional do Ensino do Português, que incluiu formação contínua de professores e correspondentes materiais didáticos, nomeadamente os dedicados à consciência linguística (Duarte, 2008), lexical (Duarte, 2011) e fonológica (Freitas et al., 2007). Apesar de tudo isto, um estudo exploratório (Amorim & Castelo, no prelo) mostra que as práticas educativas, as crenças e a formação profissional continuam distantes do que seria adequado. Resultados semelhantes têm sido relatados noutros países (e.g. Giménez et al., 2022; Jaskolski & Moyle, 2023) e um estudo recente sobre a preparação, em Portugal, dos futuros professores para o ensino da leitura e da escrita conclui, a partir da análise de fichas de unidades curriculares, que componentes essenciais para o ensino destas competências não são abordadas de forma explícita na formação inicial de professores (Leite et al., 2022). O presente trabalho pretende abordar a preparação da próxima geração de profissionais de educação dos níveis iniciais (EPE e 1.º CEB), investigando as competências de consciência fonológica de estudantes da licenciatura em Educação Básica e dos mestrados que habilitam para a docência na EPE e no 1.º CEB. Para isso, colocámos as seguintes questões: (1) Quais são os níveis de desempenho em tarefas de consciência fonológica no início do 1.º ano da licenciatura e de mestrado? (2) Que áreas devem ser reforçadas na formação inicial, de modo a preparar melhor os futuros profissionais para a promoção da consciência fonológica? Participaram neste estudo 98 estudantes (64 de licenciatura e 34 de mestrado), que responderam a um questionário online durante a primeira aula do ano letivo. O instrumento continha 41 questões, oito das quais se destinavam à caracterização dos participantes. As restantes incidiam sobre consciência silábica (e.g. número de sílabas), consciência fonémica (e.g. número de sons), relação fonema-grafema (e.g. som representado por um grafema) e conhecimento fonológico explícito (e.g. explicação de processos fonológicos). Os resultados mostram que os estudantes são influenciados pela ortografia em atividades de consciência silábica e fonémica, sobretudo em palavras cuja ortografia não é transparente (e.g. mais de 90% dos participantes indicam que “têm” é constituída por apenas uma sílaba). Revelam também desconhecimento de regras ortográficas, em especial, a grafia de ditongos nasais, manifestando dificuldades na identificação de ditongos nasais que não sejam assinalados por til (e.g. mais de metade dos participantes considera que “órgão” rima com “órfão”). Estes resultados vão ao encontro do relatado para outras línguas (e.g. Carroll et al., 2012; Jaskolski & Moyle, 2023), apontam para a necessidade de reforçar o ensino da consciência fonológica na formação inicial de professores e permitem identificar tópicos fonológicos específicos a abordar nessa formação.
Da teoria à prática: a promoção da consciência fonológica na Educação Pré-Escolar e no 1.º Ciclo
Publication . Amorim, Clara; Castelo, Adelina
Introdução: A consciência fonológica desempenha um papel essencial na aprendizagem da leitura e da escrita, sendo reconhecida como um preditor do sucesso na alfabetização. O seu desenvolvimento, em particular a consciência fonémica, facilita a aquisição do princípio alfabético, promovendo a compreensão da relação entre os segmentos sonoros e a sua representação escrita. Por esse motivo, as orientações curriculares para a Educação Pré-Escolar e para o 1.º Ciclo do Ensino Básico recomendam práticas pedagógicas que promovam essa competência desde cedo. No entanto, em Portugal, são ainda escassos os estudos que investigam a aplicação dessas diretrizes, não havendo um conhecimento aprofundado sobre as práticas educativas e as crenças dos educadores/professores acerca da consciência fonológica. Este estudo exploratório avalia a frequência de realização de atividades de promoção da consciência fonológica na educação pré-escolar e no 1.º CEB e a importância/valorização que é atribuída a essas atividades por parte dos docentes desses níveis de ensino. Métodos: A recolha de dados foi realizada por meio de um questionário aplicado a 58 docentes em exercício e 23 estudantes finalistas de cursos de mestrado para a docência nesses níveis de ensino. O inquérito avaliou a frequência da implementação de atividades de consciência fonológica e a importância atribuída a essas práticas. Discussão/Conclusão: Os resultados revelam que as práticas educativas e as crenças continuam distantes do preconizado nas orientações curriculares e nos programas de formação promovidos pelo Ministério da Educação, não estando, portanto, fundamentadas em evidências científicas. Conclui-se que é essencial reforçar a formação dos professores nesta área, promovendo um maior alinhamento das práticas pedagógicas com a investigação científica e as diretrizes curriculares, garantindo, assim, um ensino mais eficaz e estruturado desde a Educação Pré-Escolar.

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