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  • Cultura oceânica: clima, sustentabilidade e gestão de recursos
    Publication . Paula, Davis Pereira de; Oliveira, Emiliano Castro de; Dias, João Alveirinho; Fonseca, Luís Cancela da; Bastos, Rosário; Albuquerque, Miguel da Guia; Palma, Monique; Pereira, Olegário Nelson Azevedo; Bergamaschi, Sérgio
    O presente tomo, associado ao XV Encontro da Rede BRASPOR, reúne um conjunto diversificado de estudos centrados nas zonas costeiras de Portugal e do Brasil. Sob o tema da cultura oceânica, o livro aborda os sistemas costeiros enquanto territórios complexos, resultantes da interação entre processos naturais, dinâmicas sociais e ação humana. A sua principal riqueza reside na perspetiva interdisciplinar, articulando contributos das ciências naturais, sociais e humanas, bem como da educação, tecnologia, património e políticas públicas. As zonas costeiras são, assim, entendidas não apenas como espaços ecológicos vulneráveis, mas também como territórios de memória, identidade, trabalho, lazer e conflito. Os diferentes capítulos evidenciam a importância dos saberes locais e da participação das comunidades na produção de conhecimento e na gestão dos recursos costeiros. A ciência cidadã e a educação oceânica assumem particular relevância enquanto instrumentos de aproximação entre conhecimento científico, sociedade e território. Paralelamente, são analisados fenómenos como a erosão, as inundações, a degradação da qualidade da água, a perda de habitats e os efeitos das alterações climáticas. A dimensão histórica permite compreender de que modo a ocupação e a transformação dos territórios contribuíram para a vulnerabilidade costeira atualmente observada. Estudos sobre pesca, turismo, expansão urbana e energia eólica revelam, por sua vez, tensões entre desenvolvimento económico, conservação ambiental e justiça social. A análise de lagunas, estuários, praias e sistemas hidrográficos demonstra a necessidade de compreender estes ambientes como sistemas interdependentes e dinâmicos. No seu conjunto, a obra afirma a interdisciplinaridade como condição essencial para compreender e enfrentar os desafios contemporâneos das zonas costeiras atlânticas, promovendo uma cultura oceânica mais crítica, participativa e sustentável.
  • Cidades do litoral e cidades do interior: um passado sem futuro
    Publication . Bastos, Rosário; Ferreira, Antero; Pereira, Olegário Nelson Azevedo; Salgado, Filipe; Lira, Sérgio; Dias, João Alveirinho; Ferreira, Antero; Marques, Alexandra
    Basta olhar para a densidade populacional cartografada num mapa atual de Portugal continental para perceber o desequilíbrio entre a sobrepopulação litoral e desertificação do interior. Este desequilíbrio torna-se dramático a vários níveis: social, cultural, ambiental e, obviamente, económico. Neste estudo apresentam-se os resultados de um projeto exploratório desenvolvido no CITCEM (Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória), através do qual se averiguou quando e onde se iniciou a litoralização do território português. Efetuou-se uma análise de longa duração consubstanciada na observação do desenvolvimento urbano e respetivo povoamento, tomando como indicadores os forais antigos outorgados pela coroa até ao reinado de D. Dinis, os chamados forais novos ou manuelinos, o primeiro censo (1856) e o de 2021. A emergência dos municípios portugueses foi o proxy eleito para proporcionar continuidade na análise. Nesta cronologia de largo espectro, fica clara a tendência de continentalização dos municípios portugueses numa primeira fase, o incremento da litoralização nos alvores do Período Moderno e a afirmação dessa concentração concelhia litorânea na contemporaneidade. Feita esta análise compete investigar as causas e consequências para, num projeto subsequente, dissecar os impactos da litoralização do país nas economias coevas e retirar da interpretação histórica os ensinamentos devidos.