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Linguística Portuguesa

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  • Discurso radiofónico português : padrões de organização sequencial, actos e estratégias de discurso, relações interactivas e interlocutivas
    Publication . Almeida, Carla Aurélia de; Marques, Maria Emília Ricardo
    A presente investigação insere-se no âmbito da Análise do Discurso e tem como objecto de estudo as relações sequenciais e/ou interactivas e as relações interlocutivas que os actos de discurso instituem em interacções verbais na rádio. Tendo por base um corpus constituído por interacções verbais presentes em programas de rádio portugueses com uma clara matriz dialogal, procuramos, por um lado, elaborar uma descrição-explicação das dimensões centrais da estruturação dos discursos e/ou discursivização e, por outro lado, efectuar uma descrição dos processos de construção do sentido realizados pelos participantes destes programas que partilham um espaço interaccional comum. Assim, procedemos ao levantamento dos padrões de organização sequencial que permitem, a nível local, estudar a selecção, operada pelos participantes, das estratégias discursivas mais conformes ao discurso institucional de rádio e, a nível global ou macroestrutural, analisar a coerência pragmático-funcional do discurso que diz respeito fundamentalmente às dimensões sequenciais dos actos ilocutórios. O enfoque analítico nos processos de co-construção do sentido desenvolvidos pelos interlocutores permite o estudo das posições interaccionais geradoras de identidades discursivas específicas e a interpretação do modo como estas últimas contribuem para a construção de uma imagem dos locutores/enunciadores realizada no discurso. A caracterização dos participantes em função da pertença a uma comunidade que potencia práticas discursivas singulares possibilita a análise das estratégias discursivas mais adequadas aos momentos ou fases estruturais principais do discurso: a abertura, o desenvolvimento e o fecho. Trata-se, assim, de atender à dimensão negocial do discurso, isto é, à análise das acções comunicativas específicas que condicionam e fundamentam a organização e o funcionamento das interacções na rádio e permitem o alinhamento dos participantes em relação a um tópico ou assunto das emissões de rádio e em função do jogo de “recíproca influência” (ordem interaccional) instituído nos programas de rádio constitutivos do corpus reunido.
  • Da epístola à mensagem electrónica : metamorfoses das rotinas verbais
    Publication . Seara, Isabel; Marques, Maria Emília Ricardo
    “Da epístola à mensagem electrónica - Metamorfoses das rotinas verbais” é um estudo que tem como objectivo reflectir sobre a problemática do género epistolar, preterido nas análises linguísticas em Portugal. A análise do texto epistolar reveste-se, contudo, de uma grande complexidade, a que não é alheio o carácter de confluência disciplinar subjacente à natureza do próprio texto. A versatilidade do modus epistolaris, desta expressão nómada do pensamento, renitente e insubmissa quanto à sua classificação, incita a um entrecruzamento de olhares que, no caso presente, são tributários da história da literatura, da epistolografia, da retórica, e de diferentes correntes de análise linguística. O modelo de análise AICE (Análise Interactiva do Discurso Epistolar) que foi concebido, no âmbito desta investigação, corrobora essa perspectiva e pretende integrar e consolidar esse rumo. Evidencia-se, neste trabalho, a importância dos textos epistolares, encetando, numa atitude prospectiva, a divulgação de textos esquecidos, letárgicos ou descurados de consagrados epistológrafos portugueses. A investigação visa, assim, perscrutar as metamorfoses das rotinas verbais em textos epistolares, quer apontando a negligência da estrutura clássica e rígida da epístola, quer evidenciando a imutabilidade de algumas rotinas e a concomitante volubilidade de outras, em consequência da distinta e específica temporalidade da forma electrónica. A partir da defesa e comprovação da hipótese, inicialmente traçada, do “renascimento” ou do “reconhecimento” do género epistolar, a investigação pretende contribuir para a edificação de uma teoria do modus epistolaris.
  • Narrativas conversacionais : a introdução de enunciados narrativos em situação de interacção oral
    Publication . Morais, Armindo; Batoréo, Hanna
    No dia-a-dia somos produtores e consumidores prolíficos de histórias. Subscrevendo a posição de Ochs & Capps (2001:2), cremos que o acto de narrar socialmente cria um espaço fundamental para o desenvolvimento de esquemas explicativos que permitem compreender acontecimentos e reflectir colaborativamente sobre situações específicas e sobre o seu papel na biografia de cada um. Mas o próprio processo de narração, associado às estratégias activadas pelos locutores para a construção da narrativa, conduz ao estabelecimento de um conhecimento partilhado e reforça o sentido de proximidade entre indivíduos, promovendo uma comunhão de crenças e valores. O actual estudo descreve as Narrativas Conversacionais como partes desta interacção social. Assim, elas não são concebidas como representações fixas ou prédeterminadas de acontecimentos passados, mas como reconstituições e reconstruções das suas memórias sob uma perspectiva específica que se adapta ao contexto da sua produção, no qual adquirem uma função comunicativa própria. Como se procurará demonstrar, os narradores reconstroem verbalmente memórias de acontecimentos ou de outras histórias com uma intenção particular e tendo presente um público determinado (Capítulo 2). É ainda objectivo do presente trabalho estabelecer a forma como as Narrativas Conversacionais surgem e interferem no fluxo da conversação onde são realizadas. Ao observar a sua produção no seio de interacções orais foi possível identificar a existência de actividades comunicativas que são responsáveis pela transição entre a narrativa e o cotexto não-narrativo que as rodeia. É nossa intenção mostrar como os narradores, no quadro do desenvolvimento tópico da conversação, recorrem a Actividades Introdutórias como Anúncios e Resumos, para se apoderar do espaço/tempo enunciativos de forma legitimar a sua introdução (Capítulo 3). Por último pretende-se demonstrar como os narradores transformam uma sequência temporal de acontecimentos, organizada de uma forma mais ou menos previsível, num acto narrativo intencionalmente marcado. Neste caso, focalizar-se-á a análise nas estratégias discursivo-pragmáticas que revelam as atitudes, sentimentos, interesses e envolvimento do locutor com o tópico do enunciado narrativo, com a própria narração e / ou com a interacção com o(s) seu(s) interlocutores. (Georgakoupoulou, 1977; Smith, 2004 [2003]) Como se pretende demonstrar, estas estratégias de envolvimento ajudam a organizar o acto de narração, asseguram a sua compreensão e conduzem a sua interpretação. Propomos, assim, acrescentar a uma descrição estrutural da sequência narrativa uma micro-análise das estratégias avaliativas utilizadas pelo narrador com o intuito de desenvolver uma possível retórica da narrativa conversacional (Capítulo 4).
  • O tempo no texto
    Publication . Silva, Paulo Nunes da; Marques, Maria Emília Ricardo; Lopes, Ana Cristina Macário
    O objectivo principal deste trabalho consiste em determinar as propriedades temporais e aspectuais que tipicamente caracterizam os quatro tipos de sequências textuais monogeradas que são contempladas na classificação de Adam (1992): sequências de tipo narrativo, descritivo, explicativo e argumentativo. Com base na tipologia de estados de coisas de Vendler (1967) e no tratamento da informação temporal e aspectual proposto no âmbito da Teoria das Representações Discursivas de Kamp e Reyle (1993), analisamos um conjunto de sequências discursivas. Esta análise incide num corpus constituído por textos reais e contempla os seguintes elementos: classes aspectuais, tempos verbais, adverbiais temporais, conectores que introduzem proposições com valor temporal e relações discursivas entre os enunciados. A investigação realizada permite concluir que as sequências de tipo narrativo e descritivo apresentam propriedades temporais e aspectuais que contrastam de um modo muito claro. Nas sequências de tipo narrativo, são tipicamente representados estados de coisas da classe dos eventos; nelas, estabelecem-se predominantemente relações temporais de sequencialidade entre as situações denotadas. Nas sequências de tipo descritivo, são tipicamente referidas situações estativas que manifestam relações de sobreposição temporal entre si. Quanto às sequências de tipo explicativo e argumentativo, elas podem apresentar propriedades comuns quer às sequências de tipo narrativo, quer às sequências de tipo descritivo.