Percorrer por autor "Santos, Rita Nazaré"
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- O uso de vogais ortográficas por aprendentes de português como língua estrangeira: unidade na diversidadePublication . Castelo, Adelina; Santos, Rita Nazaré; Freitas, Maria JoãoNo Português europeu (PE), o domínio da ortografia do sistema vocálico é dificultado por algumas particularidades fonológicas desta variedade (redução vocálica e apagamento de vogais em posição átona), bem como pela acentuada assimetria entre oralidade e representação escrita de segmentos não-consonânticos. No presente estudo, avaliámos 266 textos escritos de aprendentes de PE como língua segunda e falantes de diferentes línguas. Os dados pertencem ao Corpus de Português Língua Estrangeira/Língua Segunda – COPLE2 e resultam de materiais produzidos em cursos anuais e de verão de Português Língua Estrangeira (PLE) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, entre 2010 e 2012. Ao propor uma categorização para os erros ortográficos que afetam o registo das vogais, verificámos a maior frequência de erros de acento (67%), seguidos dos erros segmentais (27%) e dos erros de conversão (3%). A análise dos resultados indiciou a interferência de fatores ortográficos e fonológicos no desempenho ortográfico e fundamentou algumas contribuições para o ensino do PLE.
- As vogais do português entre aprendentes chineses e suas implicações no desenvolvimento de um programa de portuguêsPublication . Castelo, Adelina; Santos, Rita NazaréO interesse pela aprendizagem do português entre falantes nativos de chinês tem crescido fortemente desde 2000. Porém, estes aprendentes manifestam dificuldades particulares, pois o português é tipologicamente muito diverso da sua L1, gerando a necessidade de identificar com precisão os problemas, para construir programas de português e metodologias adequados a este público. Considerando a importância da qualidade vocálica como indicador de proficiência em língua não materna; as dificuldades fonéticas reveladas pelos aprendentes chineses; a complexidade do sistema vocálico português; o predomínio de erros na produção de vogais em português língua estrangeira, este estudo visa contribuir para identificar as dificuldades específicas no domínio das vogais por parte dos aprendentes chineses. Seguindo uma categorização de erros devidamente apresentada, comparamos os erros na produção oral e escrita de vogais por parte de 7 informantes chineses que apresentam diferentes níveis de proficiência no português e realizaram exames na Universidade de Lisboa. Resultados preliminares mostram erros sobretudo orais (72% vs 28% escritos) e relacionados com o processo fonológico de redução vocálica, destacando-se os problemas na altura de vogal (85%, enquanto só 26% dos erros envolvem o ponto de articulação de vogal). A caracterização detalhada destas dificuldades permite-nos sistematizar algumas propriedades necessárias num programa de português ajustado a este público.
- A vogal /e/ antes de consoante palatal: produções orais e desempenhos escritos de crianças de três variedades dialetais centro-meridionaisPublication . Amorim, Clara; Santos, Rita Nazaré; Castelo, AdelinaO sistema vocálico do português europeu (PE) apresenta uma complexidade considerável, na medida em que as sete vogais fonológicas que contrastam em contexto acentuado (/i, e, ɛ, a, ɔ, o, u/) sofrem diversos processos fonológicos, resultando em nove vogais fonéticas ([i, e, ɛ, a, ɔ, o, u, ɨ, ɐ]) (Mateus e Andrade, 2000). Enquanto o subsistema átono se caracteriza por conter apenas quatro vogais ([i, ɨ, ɐ, u]), no subsistema tónico, podem ocorrer todas as vogais, à exceção de [ɨ] (Bisol & Veloso, 2016). Uma das vogais que apresenta maior variação fonética é /e/. Os processos fonológicos que a afetam variam em função da tonicidade e do contexto adjacente. Em posição tónica antes de consoante palatal, a vogal pode oscilar entre [e] (ov[e]lha) e [ɐ] (ov[ɐ]lha), dependendo da variedade dialetal (Segura, 2013). Já em posição átona, observa-se um fenómeno de neutralização vocálica, em que /e/ é elevado e centralizado para [ɨ] (ov[ɨ]lhinha) (Mateus & Andrade, 2000). Uma vez que a ortografia do português é de base fonológica, havendo uma relação, nem sempre biunívoca, entre fonema e grafema, estas variações dificultam frequentemente a aquisição do sistema escrito. Tal é particularmente evidente quando se observam contextos nos quais a variação fonética pode levar a dificuldades na sua representação gráfica (Gomes & Rodrigues, 2021; Rodrigues & Gomes-Lourenço, 2021; Rodrigues & Gomes, 2022). O caso específico da vogal /e/ pode, assim, resultar em representações ortográficas não convencionais, dada a alofonia que a caracteriza. Além disso, trabalhos anteriores indicam que as variações dialetais podem ter um impacto significativo na aquisição ortográfica, como observado em Gomes e Rodrigues (2021). As autoras sugerem que a exposição ao contraste de pronúncia [tʃ]-[ʃ] correspondente à diferença da grafia - influencia positivamente a aprendizagem da ortografia. O presente trabalho investiga a forma como crianças de três dialetos portugueses representam na escrita a vogal /e/ antes de consoante palatal. Serão analisadas produções escritas e orais de falantes de três variedades dos dialetos centro-meriodinais que estão presentes no corpus EFFE-On: Escreves como falas - falas como escreves? (Rodrigues et al. 2015), permitindo uma comparação sistemática entre a produção oral e a sua representação ortográfica. A análise, tendo em conta fatores como o padrão acentual e as características dialetais que possam influenciar a perceção e a escrita da vogal em estudo, será organizada em torno das seguintes perguntas: (i) quais os níveis de acerto para a representação escrita de /e/ antes de consoante palatal? (ii) quais as estratégias de reconstrução utilizadas no caso de desvios? (iii) qual a relação entre as representações escritas e as produções orais? Espera-se que os resultados permitam identificar padrões de correspondência (ou discrepância) entre as produções orais e escritas da vogal /e/ em contexto pré-palatal heterossilábico, contribuindo para a compreensão do papel da fonologia na aquisição da ortografia do PE. Além disso, esta investigação pode contribuir para o ensino da escrita, sobretudo no que diz respeito a variações dialetais que possam dificultar a aprendizagem ortográfica, facilitando a elaboração de materiais pedagógicos mais adequados para diferentes grupos de falantes.
