José Saramago posicionou-se repetidas vezes contra a utilização do conceito de narrador, não raro com afirmações categóricas e provocativas, buscando inserir-se numa discussão teórico-literária que transcendeu a sua época e o seu entorno. Refletindo sobre a função da querela literária na construção e promoção do escritor-polemista, o presente trabalho procura retomar e aprofundar o debate proposto pelo Nobel português. Trata-se de retraçar as suas posições e uma parte da história do conceito de narrador, para então analisar o modo como essa categoria se constrói em alguns dos romances de Saramago.