Literatura e Cultura Portuguesas
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Percorrer Literatura e Cultura Portuguesas por orientador "Vila Maior, Dionísio"
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- A escrita poliédrica de Ana Hatherly: caminhos de um território reinventadoPublication . Milheiro, Dalila Maria Teixeira; Vila Maior, DionísioAtravés do nosso estudo, pretendemos investigar os contornos e as particularidades de algumas facetas da escrita literária de Ana Hatherly, comprovando que constituem novos caminhos que originam uma escrita singular, com criações originais e registos híbridos, em constante reinvenção. Como corpus literário, selecionamos três obras hatherlyanas que se apresentam mais representativas da temática em estudo e que abarcam a variedade da sua escrita: O Mestre (1963), na linha da narrativa de ficção experimental, Anacrusa – 68 sonhos (1983), enquanto escrita onírica, e 463 Tisanas (2006), compilação das suas criações poéticas em prosa. Ambicionamos confirmar que as palavras na obra literária hatherlyana tomam diferentes formas e sentidos e, nesta perspetiva, destacamos os processos de experimentação discursiva e as reinvenções da linguagem em sintonia com a Autora que vê a escrita como o seu território de investigação e de improvisação. No nosso ponto de vista, a escrita hatherlyana visa criar outras escritas, fornecendo pistas para desvendar o conhecimento e a aprendizagem. Tal como Ariadne dá o fio a Teseu para este encontrar a saída do labirinto, também Ana Hatherly, através do ato criador/criativo da sua escrita/das suas palavras, dá ao leitor a ponta do novelo para encontrarmos o sentido labiríntico da escrita, uma escrita com muitas vertentes e riquezas. Ao dar-nos o fio, a Autora concede-nos igualmente a memória (o passado) e, portanto, o reconhecimento do caminho para a sua escrita enquanto território fértil de desafios e reinvenções. Assim, o nosso desejo é encontrar o sentido em aberto que une os fios/as linhas da escrita/dos textos à semelhança de Ariadne.
- O modernismo e a vanguarda de Almada Negreiros: da construção de uma modernidade ao (anti)-BildungsromanPublication . Costa, Rui Alberto Alves Trindade; Vila Maior, DionísioA tese propõe analisar como a modernidade literária europeia pode ser lida a partir de uma margem intraeuropeia, tomando a chamada modernidade periférica não como “atraso” ou derivação, mas como um ponto de observação crítico. Em vez de seguir um modelo linear centrado nas metrópoles, examina-se como hierarquias simbólicas, ritmos desiguais de legitimação e fragilidades institucionais atravessam a experiência histórica e podem reconfigurar formas e práticas de leitura. Portugal surge como caso estruturalmente ambivalente: periférico face aos centros de consagração, mas marcado por um passado imperial que impede leituras simplificadoras. Nesse quadro, a tese centra-se na prosa de José de Almada Negreiros, entendida como um laboratório em que a modernidade se inscreve materialmente na linguagem, no ritmo, na página e na tensão de voz. O corpus articula o gesto modernista ligado a Orpheu, narrativas breves e textos-limite (A Invenção do Dia Claro, Frisos, A Engomadeira, O Kágado, K4 O Quadrado Azul, Saltimbancos, Três Histórias Desenhadas) e o romance Nome de Guerra. Para descrever a produção de sentido entre códigos (verbal, visual, rítmico, gestual), propõe-se um conceito alargado de intersemiose, próximo de uma lógica intermedial, atento à montagem, aos cortes, aos silêncios e à página como superfície de composição. O eixo final lê Nome de Guerra como anti-Bildungsroman periférico: uma formação sem teleologia integradora, orientada antes por uma pedagogia do limite, da lucidez e da medida. No conjunto, a tese sugere que esta perspetiva contribui para uma leitura mais plural e menos normativa da modernidade europeia.
