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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
O diálogo de José Saramago com escritores oitocentistas é significativo e tem sido sublinhado sobretudo no que se refere à presença de Almeida Garrett, a quem o Nobel português dedicou o seu livro "Viagem a Portugal" (1981) e de quem disse ter herdado o "gosto pela digressão" (in Aguilera, 2008). O presente trabalho aprofunda a análise do diálogo de Saramago com a produção do Século de Ouro do romance e busca mostrar em que medida ele vai além daquele livro, estando presente tanto em referências diretas e indiretas ao longo da sua obra como no seu modo de narrar, que reflete o impacto que certa prosa romanesca do Oitocentos produziu no grande leitor que Saramago também foi. Trata-se de refletir sobre alguns dos elementos que compõem o estilo de Saramago, um estilo tributário de toda uma tradição narrativa que o precede, dando-se destaque neste trabalho às Literaturas de Língua Portuguesa e aos escritores Almeida Garrett e Machado de Assis. Com o auxílio do campo teórico da narratologia e convocando-se o conceito de metalepse (cf. Genette, 2004; Ryan, 2006; Pier, 2009), procura-se mostrar, em especial, o modo como Saramago recupera e reinventa um tipo de narrador que se mostra abertamente no texto e que, à maneira de Garrett (2017), constantemente interpela o seu "leitor benévolo", dando-lhe "piparotes" bem machadianos (2008) e convidando-o a reagir criticamente às narrativas que lhe são apresentadas.
Descrição
Capítulo de livro publicado em Giorgio de Marchis (org.), "Os outros (d)e José Saramago". Roma: Roma TrE-Press, 2026, pp. 53-69.
Palavras-chave
José Saramago Almeida Garrett Machado de Assis Estudos Portugueses Estudos Narrativos Estilo
Contexto Educativo
Citação
Editora
Roma TrE-Press
