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A poesia neomaneirista de Vasco Graça Moura

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Resumo(s)

Vasco Graça Moura configura-se como um poeta que reconcilia erudição e invenção. A sua poesia exige, por isso, uma leitura que combine análise textual rigorosa, conhecimento histórico-literário e uma abordagem ético-estética para apreender a complexidade das suas estratégias de sentido. Trata-se de uma poesia concebida no seio de uma longa e fértil lição literária, respaldada na tradição histórico-cultural ocidental, de que faz um irrefutável eco intertextual. Este estudo, demandando um grau de exigência crítica, pretende ir, justamente, ao encontro do processo de individuação de uma poética que, entre luz e sombra, está voltada para a experiência estética dos modelos, à maneira dos quais, o poeta se exercita, para neles se descobrir e reinventar numa projeção de feição pós-modernista cultíssima. Assim, foi nosso intento concertar um trabalho de profundidade crítica da poesia neomaneirista deste poeta, aglutinando e explicitando os conteúdos e as figurações que orbitam na constelação temática da melancolia, do tempo, da memória e da ironia, entendidos como centros que parecem absorver toda a energia gravítica desta mundividência poética. A poética graciana articula, ainda, clivagens ecfrásticas que problematizam a memória cultural literária e a temporalidade. O presente é sacralizado e, simultaneamente, agoniza perante a mutabilidade, a finitude e a morte, dimensões que a linguagem poética tenta nomear e preservar. Neste estudo, adotou-se um enquadramento metodológico hipotético-dedutivo e dialético, complementado por procedimentos de ordem fenomenológica inspirados, sobretudo, em Martin Heidegger e Mikel Dufrenne, que enfatizam a linguagem como “casa do Ser” e a intencionalidade poética como modo de revelação.
Vasco Graça Moura is a poet who reconciles erudition and invention. His poetry therefore requires a reading that combines rigorous textual analysis, historical and literary knowledge, and an ethical-aesthetic approach to grasp the complexity of his strategies of meaning. His poetry is conceived within a long and fertile literary tradition, backed by Western historical and cultural heritage, of which it is an irrefutable intertextual echo. This study, demanding a degree of critical rigour, aims precisely to meet the process of individuation of a poetics that, between light and shadow, is focused on the aesthetic experience of models, in the manner of which the poet exercises himself, to discover and to reinvent himself in a highly cultured postmodernist projection. Thus, it was our intention to put together a work of critical depth on this poet’s neo-mannerist poetry, bringing together and explaining the contents and figurations that orbit in the thematic constellation of melancholy, time, memory and irony, understood as centres that seem to absorb all the gravitational energy of this poetic worldview. Vasco Graça Moura’s poetics also articulates ekphrastic cleavages that problematise literary cultural memory and temporality. The present is sacralised and, simultaneously, agonises in the face of mutability, finitude and death, dimensions that poetic language attempts to name and preserve. In this study, a hypothetical-deductive and dialectical methodological framework was adopted, complemented by phenomenological procedures inspired mainly by Martin Heidegger and Mikel Dufrenne, who emphasise language as the “home of Being” and poetic intentionality as a mode of revelation.

Descrição

Tese de Doutoramento em Estudos Portugueses, na especialidade de Literatura Portuguesea, apresentada à Universidade Aberta

Palavras-chave

Neomaneirismo Pós-modernismo Écfrase Memória Tempo Melancolia Ironia Neo-mannerism Postmodernism Ekphrasis Memory Time Melancholy Irony

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