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- A poesia neomaneirista de Vasco Graça MouraPublication . Pereira, Luís Ricardo Martins de Carvalho; Vila Maior, DionísioVasco Graça Moura configura-se como um poeta que reconcilia erudição e invenção. A sua poesia exige, por isso, uma leitura que combine análise textual rigorosa, conhecimento histórico-literário e uma abordagem ético-estética para apreender a complexidade das suas estratégias de sentido. Trata-se de uma poesia concebida no seio de uma longa e fértil lição literária, respaldada na tradição histórico-cultural ocidental, de que faz um irrefutável eco intertextual. Este estudo, demandando um grau de exigência crítica, pretende ir, justamente, ao encontro do processo de individuação de uma poética que, entre luz e sombra, está voltada para a experiência estética dos modelos, à maneira dos quais, o poeta se exercita, para neles se descobrir e reinventar numa projeção de feição pós-modernista cultíssima. Assim, foi nosso intento concertar um trabalho de profundidade crítica da poesia neomaneirista deste poeta, aglutinando e explicitando os conteúdos e as figurações que orbitam na constelação temática da melancolia, do tempo, da memória e da ironia, entendidos como centros que parecem absorver toda a energia gravítica desta mundividência poética. A poética graciana articula, ainda, clivagens ecfrásticas que problematizam a memória cultural literária e a temporalidade. O presente é sacralizado e, simultaneamente, agoniza perante a mutabilidade, a finitude e a morte, dimensões que a linguagem poética tenta nomear e preservar. Neste estudo, adotou-se um enquadramento metodológico hipotético-dedutivo e dialético, complementado por procedimentos de ordem fenomenológica inspirados, sobretudo, em Martin Heidegger e Mikel Dufrenne, que enfatizam a linguagem como “casa do Ser” e a intencionalidade poética como modo de revelação.
