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  • Tecnologia como extensão humana e os desafios da governança antecipativa: uma análise crítica da inteligência artificial e seus impactos éticos e sociais
    Publication . Degen, Ronald Jean
    A inteligência artificial (IA) constitui uma das tecnologias mais transformadoras do século XXI, caracterizando-se tanto como extensão das capacidades humanas quanto como fator potencial de obsolescência de funções cognitivas e sociais. Inspirando-se no pensamento de McLuhan (1964), que define a tecnologia como prolongamento do corpo e da mente, este artigo analisa criticamente os impactos éticos, sociais e políticos da IA. O eixo central é o conceito de governança antecipativa, entendido como conjunto de práticas, metodologias e arranjos institucionais voltados a prevenir riscos e orientar inovações de maneira inclusiva e sustentável. A pesquisa, de caráter qualitativo e exploratório, articula revisão bibliográfica, análise de casos paradigmáticos (como COMPAS no sistema judicial dos EUA, algoritmos de recrutamento da Amazon, uso de IA generativa na educação e implicações de modelos em saúde) e diretrizes internacionais (UNESCO, OECD, União Europeia). O trabalho dialoga com três tradições teóricas: (i) a concepção de tecnologia como extensão humana; (ii) a ética dos algoritmos e a justiça algorítmica; e (iii) as práticas de gestão e governança antecipativa. Os resultados indicam três achados principais: (1) a opacidade algorítmica compromete transparência e responsabilidade; (2) os vieses da IA reproduzem e ampliam desigualdades sociais; (3) a governança antecipativa permanece incipiente, carecendo de metodologias robustas, como a análise de sinais fracos e pontos de bifurcação, e de arranjos institucionais participativos. Conclui-se que enfrentar os dilemas éticos da IA requer a adoção de estratégias adaptativas, auditorias independentes e inclusão social ampla, reconhecendo que a tecnologia não é neutra, mas produto de escolhas políticas, econômicas e culturais. O artigo contribui para a literatura ao propor um modelo integrado de governança antecipativa da IA e ao sugerir uma agenda futura de pesquisa orientada para países em desenvolvimento, nos quais os impactos sociais tendem a ser mais agudos.