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  • Domínio do português em alunos de Licenciatura em Gestão em Moçambique: resultados preliminares sobre a sua escrita académica
    Publication . Manuel, Feliciano Felisberto; Castelo, Adelina; Fumo, Paulino
    O alargamento de escolas que oferecem o ensino até à 12.ª classe em ambientes rurais de Moçambique, onde o português não é a língua de interação, aumentou o número de estudantes que ingressam no ensino superior com dificuldades na escrita. Apesar disso, somente os cursos de formação de professores costumam integrar a disciplina de Língua Portuguesa nas suas grelhas curriculares. Assim, este estudo visa conhecer o domínio do português por estudantes dos cursos de licenciatura em Gestão, provenientes das zonas rurais e urbanas, para compreender até que ponto os estudantes provenientes de zonas rurais têm as competências necessárias na escrita académica e diferem dos estudantes das zonas urbanas. Foi adotada uma metodologia mista, com abordagem qualitativa e quantitativa. Esta apresentação incide sobre a análise de um corpus constituído por 20 textos de 20 alunos do primeiro ano. Os resultados preliminares mostraram muitos problemas na estrutura textual (não obedecem a um plano convencional), na extensão (número reduzido de palavras), na ortografia e na estruturação frásica. Evidenciam ainda que a zona de origem influenciou a extensão dos textos e o desempenho na ortografia. Tais resultados serão apresentados e discutidos, podendo equacionar-se soluções de ensino aberto para ultrapassar estas dificuldades.
  • O desempenho na escrita académica de um género textual em estudantes em diferentes fases do seu percurso universitário
    Publication . Manuel, Feliciano ; Castelo, Adelina; Fumo, Paulino
    O ensino da língua portuguesa em Moçambique continua a refletir os desafios históricos e estruturais do sistema educativo, caracterizado por elevadas taxas de reprovação, dado o caráter exógeno da língua (cf. Firmino, 2008). Os estudantes apresentam dificuldades substanciais no domínio do português, evidenciadas por competências limitadas em leitura e escrita, mesmo após vários anos de escolarização, o que contribui significativamente para o insucesso escolar (cf. Patel, 2012; Timbane, 2015; Lemos, 2018). Tais limitações são verificáveis em todos os níveis de ensino, incluindo o superior. O presente estudo teve como objetivo investigar a escrita académica de estudantes universitários em Moçambique que frequentam cursos não direcionados à formação de professores. O foco foi a análise do desempenho na produção de textos expositivos, considerando dois grupos de estudantes em diferentes momentos do percurso universitário (1.º e 4.º anos). Foram examinados 38 textos: 20 produzidos por estudantes do 1.º ano e 18 por estudantes do 4.º ano. A análise foi orientada pelos pressupostos da linguística textual, adotando como base teórica as contribuições de Silva (2016), destacando-se o facto de o texto expositivo se caracterizar pela organização clara e objetiva de informações, com a finalidade de explicar ou descrever um tema específico. A análise abrangeu aspetos relativos a género textual, tema, organização, morfossintaxe, pontuação e ortografia. Os resultados apontaram que, embora os estudantes do 4.º ano apresentem textos mais extensos e com maior riqueza lexical, ambos os grupos enfrentam dificuldades significativas, especialmente no uso da pontuação e na construção de estruturas sintáticas mais complexas. Os textos produzidos pelos alunos do 1.º ano revelaram limitações no desenvolvimento de discursos mais elaborados, frequentemente restringindo-se a parágrafos simples e, por vezes, desconexos, além de erros ortográficos e morfossintáticos recorrentes. Por sua vez, os alunos do 4.º ano demonstraram avanços na organização textual e no uso do vocabulário. No entanto, persistem fragilidades, sobretudo no domínio da morfossintaxe, da pontuação e no uso adequado de mecanismos de textualização, como coesão referencial e sequencial. Observaram-se também dificuldades na seleção de conectores e na manutenção da continuidade temática. Além disso, a estrutura tripartida característica do texto expositivo (introdução, desenvolvimento e conclusão) foi frequentemente desrespeitada, comprometendo a coerência e a hierarquização das ideias. Conclui-se que, apesar de progressos observados entre o 1.º e o 4.º ano, as melhorias são insuficientes para atingir os padrões esperados ao final de um curso de licenciatura. As dificuldades persistentes em áreas como organização textual, pontuação, ortografia e construção discursiva indicam a necessidade de uma revisão das práticas pedagógicas e do currículo. A ênfase deve recair não apenas sobre o enriquecimento lexical e a correção gramatical, mas também sobre o desenvolvimento de competências discursivas mais complexas e reflexivas, promovendo um uso crítico e consciente da língua portuguesa.