Sociologia da Família
Permanent URI for this collection
Browse
Recent Submissions
- Parentalidade(s) nas famílias nucleares contemporâneas com crianças em idade pré-escolar : dimensões, desafios, conflitos, satisfação e problemasPublication . Mesquita, Margarida Maria Rosa; Torres, Anália Cardoso; Carmo, HermanoAs mudanças ocorridas nos últimos séculos, nas sociedades ocidentais em geral e nas famílias em particular, conduziram a transformações na forma de conceber a parentalidade, de a exercer, e, até, nas expectativas criadas em torno da mesma. Destacam-se entre essas mudanças, pelo seu impacto na parentalidade, a crescente integração das mulheres no mercado de trabalho, o crescente interesse pelas crianças e a dinâmica gerada em torno do Estado Providência. Constitui, por isso, um desafio para a sociologia da família conseguir compreender aquela realidade, identificar possíveis problemas e compreender as suas inter-acções. É para a compreensão e explicação destas novas realidades que o presente estudo pretende contribuir permitindo assim o melhor conhecimento da parentalidade nas famílias nucleares contemporâneas. Para o efeito, foi realizado um inquérito por questionário a uma amostra de progenitores (200 mães e 158 pais), cujos filhos, no ano lectivo de 2008/2009, frequentavam os Jardins de Infância da rede pública do concelho da Amadora e viviam numa família nuclear: em que ambos os progenitores trabalhavam a tempo inteiro e eram de nacionalidade/naturalidade portuguesa; e os filhos eram todos biológicos e não estavam sinalizados como tendo necessidades educativas especiais. Na pesquisa foram analisadas as representações, expectativas e práticas relativas à parentalidade o que permitiu caracterizar a mesma em duas das suas dimensões principais - o envolvimento parental e a co-parentalidade - e em dois dos seus mais importantes desafios - a conciliação da esfera do trabalho com a da parentalidade e o encontrar de soluções socioeducativas e de guarda das crianças nos períodos em que os progenitores se dedicam ao trabalho. São identificados alguns problemas e suas inter-relações o que permitiu concluir que a parentalidade nas famílias nucleares contemporâneas além de complexa é diversa, associa diferentes tipos e graus de problemas, e é também diversificada, existindo perfis diferentes de progenitores.
- A intervenção em parceria na violência conjugal contra as mulheres : um modelo inovador?Publication . Costa, Dália Maria de Sousa Gonçalves da; Carmo, Hermano; Silva, Luísa Ferreira daNa modernidade, em que se valoriza a individualização, o afecto como base da família e a racionalização dos processos de garantia de direitos sociais, gera-se uma tensão entre família e Estado na definição dos limites da intervenção (pública) sobre a violência na família, entendida como reduto de privacidade. A interpretação da violência conjugal contra as mulheres como questão de género sustenta a intolerância em relação ao domínio masculino, definindo que compete aos Estados e não às famílias resolver este problema social. A parceria tem vindo a ser discursivamente apresentada como boa prática, representando empenho colectivo em lidar com o fenómeno, não obstante, são poucos os estudos sociológicos sobre a intervenção feita em parceria. Este estudo consiste em compreender se a intervenção em parceria traduz inovação, e em que dimensões, ou se corresponde a uma expectativa, presente nos discursos dos decisores políticos e dos actores sociais que pretendem mudar o sistema de apoio a mulheres vitimas de violência conjugal. Através de um estudo de caso (das cinco parcerias existentes em Portugal até Abril de 2008 e dedicadas à intervenção com mulheres vitimas de violência conjugal) percebemos que estes actores sociais inovaram na reorganização dos serviços e na melhoria das práticas de intervenção, investindo mais na dimensão tecnocrática do que na dimensão sociopolítica da intervenção. A racionalidade no agir, a participação social no âmbito local e a definição da violência conjugal como questão de género, traduzem uma faceta de modernidade mas a acção reflexiva e a valorização do conhecimento assente nas práticas de intervenção, não permitem em definitivo identificar estes actores sociais com o agir crítico nem afirmar a intervenção por eles realizada em parceria como inovação. Este estudo evidencia o desfasamento entre intenções e práticas das parcerias e entre acção e conhecimento do fenómeno da violência conjugal.