Literatura e Cultura Portuguesas
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Percorrer Literatura e Cultura Portuguesas por assunto "Almada Negreiros, 1893-1970"
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- O modernismo e a vanguarda de Almada Negreiros: da construção de uma modernidade ao (anti)-BildungsromanPublication . Costa, Rui Alberto Alves Trindade; Vila Maior, DionísioA tese propõe analisar como a modernidade literária europeia pode ser lida a partir de uma margem intraeuropeia, tomando a chamada modernidade periférica não como “atraso” ou derivação, mas como um ponto de observação crítico. Em vez de seguir um modelo linear centrado nas metrópoles, examina-se como hierarquias simbólicas, ritmos desiguais de legitimação e fragilidades institucionais atravessam a experiência histórica e podem reconfigurar formas e práticas de leitura. Portugal surge como caso estruturalmente ambivalente: periférico face aos centros de consagração, mas marcado por um passado imperial que impede leituras simplificadoras. Nesse quadro, a tese centra-se na prosa de José de Almada Negreiros, entendida como um laboratório em que a modernidade se inscreve materialmente na linguagem, no ritmo, na página e na tensão de voz. O corpus articula o gesto modernista ligado a Orpheu, narrativas breves e textos-limite (A Invenção do Dia Claro, Frisos, A Engomadeira, O Kágado, K4 O Quadrado Azul, Saltimbancos, Três Histórias Desenhadas) e o romance Nome de Guerra. Para descrever a produção de sentido entre códigos (verbal, visual, rítmico, gestual), propõe-se um conceito alargado de intersemiose, próximo de uma lógica intermedial, atento à montagem, aos cortes, aos silêncios e à página como superfície de composição. O eixo final lê Nome de Guerra como anti-Bildungsroman periférico: uma formação sem teleologia integradora, orientada antes por uma pedagogia do limite, da lucidez e da medida. No conjunto, a tese sugere que esta perspetiva contribui para uma leitura mais plural e menos normativa da modernidade europeia.
- O sujeito em Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros e António Ferro : crise e superaçãoPublication . Vila Maior, Dionísio; Reis, CarlosNeste estudo, procurou-se empreender um exercício analítico assente numa avaliação gradativa, tendo sempre em conta uma visão integrante de conjunto, bem como a conformidade a dois objetivos primordiais: por um lado: redimensionar linhas de leitura que delimitam a problemática da crise do sujeito na esfera da produção estético-literária de Pessoa, Almada, Sá-Carneiro e Ferro — uma problemática normalmente circunscrita pelas ideias de incerteza, angústia e desassossego; por outro lado: demonstrar a tese segundo a qual aquela crise poderia ser avaliada de acordo com uma dinâmica afirmativa — dinâmica essa da qual, numa primeira abordagem, a noção de crise se desviaria. Ao tentar demonstrar essa tese, procurou-se analisar a extrema lucidez que cada um dos quatro autores possuía de si mesmo, bem como o alcance da especificidade da prática literária, ligados que estavam à ideia de superação de uma crise que os inquietava, bem como à ideia de totalidade. Por isso, por diversas vezes encaram o ato de escrita como uma atividade através da qual consideram poder aceder, pelo menos de um ponto de vista estético, a uma determinada plenitude. E se, entre eles, as considerações são semelhantes, também não é menos verdade que as estratégias utilizadas não se distanciam muito: ou pela produção de ismos, ou pela atitude alteronímica, ou pela quase enciclopédica teorização sobre os mais diversos assuntos, ou ainda pela exploração de questões relacionadas com o reconhecimento da sua obra pela posteridade, os quatro autores acabam por se distinguir como sujeitos em busca, no fundo, da sua própria identidade. Ora, confirmando-se o alcance e o interesse hermenêutico dos exercícios comparativos desenvolvidos, o âmbito de pesquisa das potencialidades informativas comprometemo-nos, então, com a perceção destes autores como sujeitos em busca de uma plenitude. Essa perceção encontra-se ligada ao conceito de sujeito genial, com qualidades sublimadas. As reflexões apresentadas convergem, então, em duas linhas de leitura motrizes: uma, atinente à equacionação pelos quatro autores da ousadia em querer alcançar a totalidade — por esta noção se colocando em causa o próprio sentido negativo de crise; a outra linha, regida pela noção segundo a qual poderemos compreender melhor o modo como Pessoa, Sá-Carneiro, Almada e Ferro encaram o homem de excelência, um homem com qualidades e objetivos superlativos. Procurou-se, então, ver de que forma atestam, cada um a seu modo, uma preocupação fundamental: condicionar a representação da crise do sujeito pela instauração de um outro nível de integração estética, isto é, um nível capaz de os conduzir à representação que de si fazem enquanto sujeitos marcados pelo “ardente desejo de totalidade”. A partir daqui, são sistematizados princípios e estratégias de incidência estético-literária que permitem perceber melhor a problemática deste sujeito de exceção, cuja obra permanecerá… o mesmo que Almada Negreiros diz ter as qualidades para “influenciar milhões” e “construir civilização”; o mesmo, afinal, que cada um dos quatro autores (tácita ou explicitamente) considera ser. Em que termos aquela totalidade tantas vezes almejada por cada um deles se relaciona com a dimensão afirmativa da crise do sujeito é, portanto, o que pretende nesta tese, em última instância, demonstrar — o que permitiu, só depois, retirar a ilação final. Essa ilação aponta para uma noção segundo a qual o sujeito pode transcender qualitativamente qualquer motivação ou circunstância que determine a produção ou o perfilhamento de uma mensagem literária dependente de uma conceção desassossegada. E se se legitimar o intuito de empenhamento em consonância com essa transcensão, convalida-se o sentido estético, inteligível no plano das sugestões teóricas, que outorga a articulação orgânica entre uma plangente negatividade e um fulgente triunfalismo. E justamente porque também se analisou de que forma Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros e António Ferro se ocuparam da interação negatividade / triunfalismo, pudemos inferir que, em muitos dos seus textos, prevalece colateralmente a noção de que a ideia de plenitude (ou estética, ou literária, ou identitária) se pode afinal encontrar no entusiasmo depositado por cada sujeito no propósito de com essa plenitude conviver.
