Percorrer por data de Publicação, começado por "2026-02-05"
A mostrar 1 - 1 de 1
Resultados por página
Opções de ordenação
- A influência da comunicação intercultural no funcionamento e saúde psicológica de casais heterossexuais originários de diferentes culturasPublication . Santos, Neusa de Oliveira; Ramos, NatáliaApós alguns anos atendendo como psicoterapeuta de casais que apresentam graves problemas conjugais, observei a existência de uma problemática comum: a comunicação interpessoal. Assim, a motivação para esta pesquisa deu-se em função da complexidade e da frequência desse assunto, que é comum a todos os casais. Um fato chamou a atenção: os casais apresentavam também problemas relacionados a diferenças culturais, o que gerava dificuldades na comunicação. Surgiu, então, a pergunta: será que a cultura de cada pessoa presente no relacionamento interfere na relação a ponto de gerar problemas psicológicos e levar essas pessoas a buscarem terapia? A presente pesquisa objetiva observar se há influência da comunicação intercultural no funcionamento e na saúde psicológica de casais heterossexuais oriundos de diferentes culturas. A fim de atingir o objetivo, foram elaborados e utilizados dois instrumentos: o Guião para recolher os dados sociodemográficos e a Entrevista de Avaliação do Relacionamento Conjugal. Da pesquisa, concluiu-se que existem diferenças culturais e elas interferem na vida conjugal e familiar dos pesquisados, mas, no aspecto da comunicação verbal e não verbal, os resultados apontam que, nos dois grupos: casais com ascendência brasileira e casais com ascendência estrangeira, os problemas, como a insistência em ter razão, que inibe a participação do parceiro, as expressões ríspidas e o tom de voz elevado, que geram constrangimento e vulnerabilidade, são semelhantes, afetando a qualidade do relacionamento e a saúde psicológica dos parceiros conjugais. Verificou-se que, embora 64,28% dos casais reconheçam interferências decorrentes de diferenças culturais na comunicação verbal e não verbal, os 35,71% que afirmaram não sofrer esse tipo de influência relataram, que existiam problemas significativos de comunicação, mesmo quando não os associavam diretamente a diferenças culturais. Pode-se afirmar que a hipótese inicial não se confirmou. Os resultados obtidos apontam para outras variáveis: todos os casais (100%) indicaram que existem falhas na comunicação, no entanto as crenças e interpretações dos fatos do quotidiano resultam em desentendimentos conjugais, ou seja, problemas de ordem cognitiva e afetiva.
