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Abstract(s)
O Centro de Estudos Medievais da Universidade da Picardia, o Departamento
de Língua e Cultura Portuguesas da Universidade Aberta e o Departamento de
Estudos Anglísticos e Germanísticos da Universidade da Madeira organizaram,
em parceria, um Colóquio Internacional subordinado ao tema «O Riso na Cultura
Medieval». O Colóquio decorreu nas instalações da Reitoria da Universidade da
Madeira, no Funchal, nos dias 4 e 5 de Junho de 2003, tendo o evento sido
acolhido com bastante entusiasmo, tanto por parte de investigadores, como por
parte das forças vivas da região (órgãos oficiais, alunos e professores da
Universidade da Madeira e população em geral).
A riqueza e diversidade das comunicações apresentadas favoreceram a discussão
e a troca de ideias, confirmando a complexidade do assunto proposto, o que,
mutatis mutandis, se reflecte nos artigos reunidos nas presentes Actas. Além dos
Estudos Literários, que constituem a área predominante, também são
apresentados estudos e reflexões que se enquadram em outros campos do Saber,
como a Linguística ou a História. A multiplicidade das abordagens apresentadas
só encontra um paralelo na variedade das formas de riso consideradas, bom ou
mau, lícito ou ilícito, condenado ou aceite... – tantas quantos os adjectivos
possíveis: riso cruel, simpático, sinistro, insane, erótico, profético, satânico,
sardónico, desconfiado, trocista, incrédulo, hostil, mau, condescendente,
irreflectido, insensato, alegre, aberto, amarelo, pedagógico, cortês, de escárnio,
crítico, de desprezo, irónico, sarcástico, amargo, pérfido, falso, colérico...
Alguns estudos apresentam visões de conjunto, analisando o modo como o riso
surge em corpora textuais específicos, caso de Danielle Buschinger e de Claire
Rozier que trabalham textos da literatura alemã medieval; de André Crépin e
Hélène Dauby que se debruçam sobre a produção escandinava e anglo-saxónica
ou ainda de Hipólito Rafael Oliva Herrer que apresenta alguns textos da
literatura castelhana medieval, com particular ênfase para os tratados normativos
e médicos de finais do séc. XV.
Outros intervenientes preferiram estudar obras onde eclodem temas específicos,
como faz Naidea Nunes Nunes que salienta a forma como a mulher é
apresentada, em vários textos peninsulares, com particular destaque para autores
como Gil Vicente ou Juan Ruiz. Michèle Houdeville, por seu turno, estuda
certos temas cómicos tradicionais (dificuldades da vida conjugal, problema do
adultério feminino...) em contos satíricos da Idade Média francesa – os fabliaux.
Isabel de Barros Dias estuda a presença do riso na forma textual específica que
é a historiografia ibérica dos sécs. XIII-XIV.
Para análises mais particularizadas sobre a presença e o alcance do riso na
produção de um determinado autor é possível referir a obra de Christine de
Pizan, estudada por Liliane Dulac; os romances de Chrétien de Troyes, vistos
por Anna Kukulka-Vojtasik; a obra de Hue de Rotelande analisada por Julien
Vinot ou a produção poética do italiano Manuello Giudeo (sécs. XIII-XIV),
apresentada por Raniero Speelman. Inês Gonçalves, por sua vez, analisa dois
contos cómicos específicos, correntes em Inglaterra, no período medieval.
Divergindo um pouco da crítica literária, dois estudos analisam o vocabulário do
riso, os seus campos semânticos e a sua evolução ao logo dos tempos: Geneviève
Pichon faz um estudo lexical sobre o vocabulário do riso, da Antiguidade latina à
Idade Média, enquanto que Marc Moser apresenta uma reflexão sobre múltiplas
explicações etimológicas do vocabulário do riso, em diversos idiomas.
Três artigos partem da Idade Média para encontrar a sua recuperação em outros
períodos ou analogias com obras de outras épocas: Ana Isabel Vasconcelos
debruça-se sobre a recuperação da figura de Gil Vicente, como personagem, no
período romântico, nomeadamente por Almeida Garrett (sec. XIX); Luís Carlos
Pimenta Gonçalves estuda o riso na obra Notre Dame de Paris, de Victor Hugo,
um texto que recupera diversos temas medievais e Maria Emília Garcia Osório
de Castro, a partir de algumas considerações sobre o papel libertador do riso na
Idade Média estabelece analogias com a poética surrealista portuguesa.
Finalmente, marcando uma perspectiva não-europeia do tema, Minh Ha Lo-
Cicero apresenta alguns textos da literatura popular vietnamita da época feudal
(sécs. X-XIV), situando ainda esta produção no quadro histórico e literário da
época.
Description
Keywords
História Cultura Cultura Humor Riso Literatura Mentalidade Idade Média
Citation
COLÓQUIO INTERNACIONAL O RISO NA CULTURA MEDIEVAL, Funchal, 2003. - "O riso na cultura medieval : actas do Colóquio Internacional". Lisboa : Universidade Aberta, cop. 2004
Publisher
Universidade Aberta