Extensão do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra na Universidade Aberta | Revistas / Journals
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- Em busca de soluções sustentáveis: reconhecer e articular saberes, culturas e modos de vidaPublication . Alves, FátimaPropõe-se que a procura de soluções para desafios socioecológicos deve privilegiar o “como fazer”, através do reconhecimento e da articulação de saberes, culturas e modos de vida, promovendo diálogo intercultural e compreensão mútua. Salienta-se que problemas como alterações climáticas, degradação ambiental, migrações, pobreza e desigualdade requerem abordagens interculturais e multidisciplinares, assentes em empatia e abertura a experiências plurais. Critica-se a marginalização de conhecimentos não dominantes e defende-se a valorização de sistemas de conhecimento diversos, enraizados em contextos e territórios, como base para sociedades mais plurais e justas.
- Reconhecer os direitos da natureza é um patamar de desenvolvimento civilizacional e uma necessidade urgente para a transição ecológicaPublication . Alves, FátimaEnquadra-se o debate ambiental pós-25 de Abril e argumenta-se que o reconhecimento jurídico dos Direitos da Natureza constitui um instrumento preventivo face ao agravamento dos danos ecológicos e à ameaça de catástrofe. Critica-se o antropocentrismo dominante nas economias capitalistas ocidentais, que reduz os elementos naturais a “recursos”, e defende-se que a transição ecológica requer limites claros à espoliação e exaustão do planeta. Evocam-se exemplos internacionais onde este reconhecimento é mais avançado e conclui-se que a proteção da natureza é condição de possibilidade para a continuidade da vida humana.
- A lei da restauração da natureza e o bem viver: estratégias para enfrentar os desafios ecológicos da atualidadePublication . Alves, FátimaApresenta-se a Lei da Restauração da Natureza, aprovada no Parlamento Europeu a 12 de julho de 2023, como instrumento para restaurar ecossistemas degradados, reforçar áreas protegidas, combater a perda de habitats e espécies e melhorar recursos como a água e o ar. Salienta-se que, embora haja benefícios diretos para o bem-estar humano, a proposta reconhece também o valor intrínseco dos ecossistemas. Estabelece-se um paralelismo com o Bem Viver (Buen Vivir) e o ubuntu, defendendo uma relação menos antropocêntrica e mais holística com a natureza, assente em reciprocidade, responsabilidade partilhada e adaptação das políticas aos contextos e especificidades, de modo a “não deixar ninguém para trás”.
- Conforto, culturas e transição ecológicaPublication . Alves, FátimaProblematiza-se a associação, culturalmente consolidada nas sociedades ocidentais, entre consumo e bem-estar/conforto, argumentando-se que esta equivalência funciona como obstáculo à transição ecológica. Defende-se que os padrões de “conforto” são contingentes e não universais, sendo duplamente problemáticos: por um lado, aumentam a pressão socioecológica; por outro, colocam em causa a expectativa de generalização desses padrões a sociedades onde tal “conforto” não foi alcançado. A reflexão convoca a crítica de Marcuse à sociedade unidimensional para sublinhar a função disciplinadora do consumismo e conclui com a necessidade de desconstruir conceitos redutores, deslocando o foco para noções plurais e menos materialistas de bem-estar, compatíveis com a sustentabilidade de longo prazo.
- Entre a negação e a naturalização do colapso ecológicoPublication . Alves, FátimaNo texto intitulado "Entre a negação e a naturalização do colapso ecológico", publicado no Diário As Beiras, Fátima Alves, investigadora e coordenadora do Societies and Environmental Sustainability Research Group do Centre for Functional Ecology - Science for People & the Planet, Laboratório Associado Terra da Universidade de Coimbra e da sua Extensão na Universidade Aberta de Portugal, reflete sobre as narrativas dominantes que tentam mascarar ou normalizar o colapso ambiental em curso. Uma leitura essencial para quem quer questionar os discursos instalados e abrir caminhos para a mudança.
- Entre a banalização do inaceitável e as escolhas coletivas que temos de fazer!Publication . Alves, FátimaNo seu mais recente artigo de opinião, intitulado «Entre a banalização do inaceitável e as escolhas coletivas que temos de fazer», Fátima Alves parte da imagem de um pequeno bosque de carvalhos abatido para dar lugar a painéis solares para interrogar o modo como a transição energética está a ser conduzida em Portugal. A questão que coloca é simples e incómoda: que energia pode ser verdadeiramente “limpa” quando destrói a pouca floresta autóctone que ainda existe e quando decisões com forte impacto ecológico e social são tomadas em nosso nome, sem participação efetiva das comunidades? A autora recusa a ideia de que a crise ecológica seja um destino inevitável ou uma espécie de castigo natural. Pelo contrário, sublinha que se trata do resultado de décadas de opções políticas e económicas que trataram a natureza como depósito inesgotável e as pessoas como mão-de-obra descartável. Exemplos como a autorização da chegada de elefantes em fim de vida a ecossistemas onde não pertencem, ou a expansão da agricultura intensiva em áreas protegidas, são apresentados como decisões alinhadas com interesses muito concretos, que fragilizam territórios e formas de vida. Ao longo do texto, Fátima Alves* critica também a retórica dos “sacrifícios necessários” em nome do progresso. Pergunta de quem são, afinal, esses sacrifícios: das populações rurais cada vez mais isoladas, dos jovens empurrados para vidas precárias, dos trabalhadores que veem a saúde e a educação públicas encolherem, ou dos migrantes transformados em bode expiatório de problemas que não criaram. A ideia de que “não há alternativa” é analisada como mecanismo que normaliza desigualdades, legitima destruição e oculta quem beneficia deste modelo. Outro eixo central da reflexão é a normalização quotidiana de discursos autoritários e xenófobos por parte de setores da classe política e dos meios de comunicação social. Ao oferecer explicações fáceis para problemas complexos, estes discursos desviam o olhar dos verdadeiros centros de decisão e contribuem para desresponsabilizar quem lucra com o desordenamento territorial, a precariedade laboral e a exploração intensiva da natureza.
