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- No interior da mudança: caminhos e contratempos na melhoria educativa em territórios periféricosPublication . Martins, Paula Cristina Rosa; Seabra, FilipaO presente estudo analisa criticamente os impactos da Avaliação Externa das Escolas (AEE) em agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas localizadas em territórios do interior de Portugal, com especial enfoque na persistência de áreas críticas de melhoria, na apropriação das recomendações avaliativas e na articulação destas com práticas de supervisão pedagógica. Os objetivos consistiram em: (i) caracterizar a evolução dos resultados da AEE ao longo dos três ciclos avaliativos; (ii) identificar as características organizacionais e territoriais dos agrupamentos que mantêm áreas de melhoria persistentes ou que evidenciam progressos significativos; (iii) analisar as características das práticas de supervisão pedagógica e dos dispositivos de regulação interna presentes nos relatórios da AEE; e (iv) identificar fatores facilitadores e barreiras à apropriação das recomendações avaliativas e à concretização de melhorias efetivas. Adotou-se uma abordagem metodológica mista, de natureza exploratória e descritiva, articulando análise estatística descritiva dos resultados dos três ciclos da AEE com análise documental e análise de conteúdo de documentos institucionais. O estudo incidiu sobre agrupamentos e escolas não agrupadas situados em territórios do interior, integrando três estudos de caso selecionados por amostragem intencional. Os resultados evidenciam que a persistência de áreas críticas de melhoria não depende exclusivamente de fatores internos às organizações escolares, encontrando-se fortemente associada a constrangimentos estruturais e territoriais, designadamente o despovoamento, o envelhecimento demográfico, a escassez de recursos e a dificuldade de atração e fixação de profissionais. Verificou-se igualmente que a supervisão pedagógica colaborativa, a autorregulação organizacional e a apropriação crítica das recomendações da AEE constituem fatores relevantes para a melhoria educativa, embora os seus efeitos sejam condicionados pelas especificidades dos contextos territoriais.
- Determinação dos níveis de metais pesados em peixes epipelágicos e avaliação do risco que representam para a população, em Cabo VerdePublication . Gomes, Marlene Duarte; Seixas, SóniaEste estudo avaliou os níveis de metais pesados (mercúrio, cádmio e chumbo) em 44 amostras de peixes epipelágicos migratórios: atum (Thunnus albacares), serra (Acanthocybium solandri) e lobo (Coryphaena hippurus), capturados e comercializados em Cabo Verde, entre 2022 e 2024, para determinar a quantidade acumulada no músculo e o risco de exposição da população. Foram realizadas análises físico-químicas, e a conformidade com a legislação nacional foi avaliada. O mercúrio foi o principal contaminante com níveis quantificáveis. O atum registou a maior concentração média de Hg (0,62 mg/kg), seguido pelo serra (0,27 mg/kg) e lobo (0,22 mg/kg). Notavelmente, 10% das amostras de atum e 5% das amostras de serra excederam os limites legais de mercúrio. Observou-se uma correlação positiva entre o mercúrio no atum e o seu tamanho, indicando bioacumulação. Cádmio e chumbo apresentaram maioritariamente concentrações abaixo do limite de quantificação, sendo considerados conformes, mas impedindo uma avaliação quantitativa detalhada. A Ingestão Semanal Estimada (EWI) de metilmercúrio excedeu a Ingestão Semanal Tolerável Provisória (PTWI) para o consumo de atum e para a média geral do pescado (de 150% a 220%), indicando um potencial risco para a saúde da população. Os resultados sugerem um risco de exposição a mercúrio em Cabo Verde, especialmente pelo consumo de atum. O estudo ressalta a necessidade de avaliações de risco mais refinadas, de melhorias nos métodos analíticos para Cd e Pb e do desenvolvimento de diretrizes específicas de consumo.
