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- Contributos da sociolinguística interacional para a análise de narrativas interativas realizadas em cartas no contexto pós-colonial (1974-1980)Publication . Santos, Maria Sofia Dias Ferreira Godinho Silva; Almeida, Carla Aurélia deO presente trabalho de investigação é realizado no âmbito do Doutoramento em Estudos Portugueses, da Universidade Aberta, e desenvolve uma ação de pesquisa centrada nos contributos da Sociolinguística Interacional para a análise de narrativas interativas, realizadas em contexto pós-colonial (1974-1980). Tem por base a constituição, delimitação e análise de um corpus de 786 cartas, de caráter pessoal, escritas entre setembro de 1974 e setembro de 1980, na sequência da separação imposta entre marido e mulher por força do contexto da descolonização. A investigação incide na análise de narrativas de experiências de vida que configuram relatos de vivências individuais moldadas pelos contextos específicos em que se inscrevem. Observa-se, em particular, os processos de construção de sentido num movimento de influência recíproca entre as narrativas conversacionais quotidianas e os contextos interacionais em que estão incorporadas. Considerando a emoção no âmbito do trabalho interacional (Almeida, 2022b: 255), observam-se as estratégias discursivas que contribuem para a construção de um discurso emotivo, nomeadamente os rituais verbais realizados através da alternância e encaixe de sequências de atos de discurso de ameaça, de agradecimento, de crítica e de reparação. Num estudo que se pretende confluente entre teoria analítica e análise empírica (Almeida, 2011: 36), observa-se que a noção de “envolvimento conversacional”, na linha de Gumperz (1982: 2-3) e Tannen (1989), está na base da interação social, como Goffman (1981) assinala. Com efeito, a presente perspetiva considera que a interpretação do sentido resulta da construção conjunta da interação (Almeida, 2012d: 109; 180; 213), introduzindo ainda o conceito de “comunhão fática” como um tipo de discurso em que os laços de união se reforçam ou desatam por ação de “uma simples troca de palavras” (Malinowski, 2018).
- Empoderando comunidades tradicionais no enfrentamento das desigualdades em saúde e ambiente cooperação para futuros socio-ecológicos saudáveis e sustentáveisPublication . Alves, FátimaNo território brasileiro sobressai um mosaico socio-bio-diverso de acumulação de conhecimentos ancestrais, transmitidos por gerações passadas e alicerçados por uma convivência simbiótica com a Natureza. A estas comunidades tradicionais e povos originários é reconhecida uma maior vulnerabilidade face aos desafios socioecológicos contemporâneos que tendem a agravar as situações de pobreza assim como os indicadores de saúde, desde a esperança média de vida à acessibilidade aos cuidados e aos indicadores ambientais por serem afetados desproporcionalmente pelas mudanças climáticas e pela perda de terras ancestrais. Contudo, tal vulnerabilidade assenta, sobretudo, numa desvalorização histórica e num apagamento dos seus modos de vida, dos seus saberes/fazeres na resposta aos desafios socioecológicos, visível no silenciamento das suas vozes na Agenda 2030 das Nações Unidas e na narrativa do Desenvolvimento Sustentável. Considerando esta evidência, este projeto 1 , 2 foca-se na promoção de interconexões com a cultura e tradição da multiplicidade de povos que habitam os territórios, na construção de pontes entre saberes e poderes plurais inscritos nesses territórios, através da cocriação de futuros socio-ecológicos saudáveis e sustentáveis em que as comunidades tradicionais e os povos indígenas são os agentes e protagonistas das mudanças requeridas. Através desta abordagem participativa e do reconhecimento destes povos que resulta no seu empoderamento contribuirá para a redução das desigualdades em saúde e ambiente, bem como para a preservação dos conhecimentos que reforçam a promoção da saúde e a relação sustentável com a natureza/ambiente, de modo a lançar as bases da Universidade Intercultural dos Povos, baseada na democracia, na solidariedade e na preservação material e imaterial das culturas locais, visando a promoção da saúde e do bem-viver emancipatórios e uma relação com as múltiplas naturezas de forma sustentável em territórios de resistência. Nesse contexto e para além dos diversos resultados gerados a nível da internacionalização, será desejável no final deste processo de coprodução esboçar um caminho ou até uma proposta para a criação de uma pós-graduação internacional em articulação com a Escola Nacional de Saúde Pública, o Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina, em cocriação com os povos originários e tradicionais locais que se dirige ao seu empoderamento e combate às desigualdades em saúde e adaptação socioecológica e cocriação de uma agenda participativa de desenvolvimento sustentável e saudável.
