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- Estudo etnográfico sobre a morte e o morrer na freguesia dos CanhasPublication . Rodriguez Rodriguez, Gabriel; Joaquim, TeresaA morte e a ideia de mortalidade são uma realidade com que todas as pessoas têm de conviver. Já os mais antigos diziam que: “a única certeza que existe é a da morte”. No dia-a-dia, as pessoas têm dificuldade em entender esta realidade e enfrentá-la como um acontecimento integrante da existência do ser humano, tal como o nascimento. O tema da morte é, portanto, transversal a todas as culturas, sendo importante, à luz das relações transculturais, perceber de que forma as pessoas lidam com a morte, quais os rituais associados à mesma e de que forma estes evoluem à medida que a sociedade e as mentalidades evoluem também. Deste modo, o objetivo do presente estudo é conhecer a evolução que tem ocorrido nos rituais, perceções e vivências sobre a morte e o morrer, na freguesia dos Canhas, que é uma pequena freguesia do concelho da Ponta do Sol, situada na Região Autónoma da Madeira, e que nos últimos anos tem visto a sua população diminuir progressivamente. As causas desta diminuição são o aumento da taxa de desemprego e a procura de melhores condições de vida, levando a um elevado movimento de emigração. No passado, os principais destinos eram África do Sul, Brasil, Curaçau e, especialmente, Venezuela. No presente, o principal destino de emigração é Inglaterra. Para cumprir o objetivo proposto, foi adotada uma abordagem qualitativa, tendo-se realizado entrevistas aos habitantes da freguesia dos Canhas, de forma a conhecer os antigos rituais fúnebres da freguesia, assim como a situação atual e os motivos da sua evolução. As respostas revelaram que os rituais associados à morte e ao morrer nesta freguesia sofreram grandes modificações, passando de rituais marcadamente familiares e comunitários de grande exteriorização de sentimentos e com elevada participação social para uma realidade mais recatada e recolhida, em que todo o processo ritual é da responsabilidade das agências funerárias, sendo que atualmente muitas das crenças e rituais já não se praticam. Esta modificação é consequência de uma maior escolaridade e da emigração, que permitiu o conhecimento de novas realidades, da modernização e urbanização da sociedade, assim como de uma mudança nos padrões de trabalho. Apesar dos rituais se estarem a perder na freguesia dos Canhas, este trabalho torna-se num importante documento etnográfico de preservação da cultura e história de um povo.