Arte / Art
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Percorrer Arte / Art por Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) "01:Erradicar a Pobreza"
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- O detalhe fora da vista: as torres da Catedral de RuãoPublication . Gonçalves, Carla AlexandraO detalhe pode assumir várias dimensões, entre o pormenor, uma parte num todo, um fragmento, elemento mínimo, marginal, liminar, passando pelo carácter de elemento autónomo, simbólico, significante, dispositivo modificador, até de um acaso, ou insignificância ou, pelo contrário, de um exagero formal. O nome detalhe reveste-se de uma extraordinária polissemia, aplicando-se a um vasto conjunto de situações, pelo que os detalhes, no contexto da história da arte e da estética, não serão todos iguais, no que cumpre ao discurso, intenção, significação e carácter, não surgirão pelos mesmos motivos, não possuem a mesma força expressiva, nem devem ler-se segundo modelos de interpretação generalistas. A compleição do detalhe dificulta a objectividade e a fluidez da análise, e, sobretudo, a construção de narrativas limpas e acabadas. Estudar o detalhe pode, por tudo, constituir-se como uma tarefa que origina discursos fragmentários. Depois de uma introdução teórica ao detalhe, na espessura das suas dimensões, traz-se à discussão o caso das encomendas das três torres da Catedral de Ruão (Normandia, França): a torre de Saint-Romain, a torre da Manteiga, e a idealização da agulha sobre a torre do cruzeiro. Estas edificações foram criticadas pela encomenda devido ao detalhe excessivo e ao talhe demorado e minucioso da pedra para obras fora da vista. O último trabalho, tido como o apogeu do detalhe, não chegaria a edificar-se. A questão por resolver relaciona-se com os justos motivos que levaram às duras críticas dos comitentes e com a resistência empreendida pelos artistas, defendendo o detalhe mesmo perigando os seus trabalhos.
- Os traçados estereotómicos do retábulo dos Valle (Santa Iria, Tomar) de João de RuãoPublication . Gonçalves, Carla AlexandraO retábulo de calcário dedicado ao Calvário, ou à Crucificação de Cristo, realizado por João de Ruão para o topo da Capela (inicialmente conhecida como a de Jesus) dos Valle, na igreja de Santa Iria, em Tomar, provavelmente entre 1533 e 1536, resultou de uma encomenda feita por D. Miguel do Valle, fidalgo da Casa Real. O retábulo foi desmontado e retirado da capela, permanecendo nas oficinas do Convento de Cristo para submeter-se a trabalhos de limpeza (superficial, a seco, e imersão em água desionizada). Através da observação da obra desaparelhada foi possível descobrir um conjunto de traçados estereotómicos realizados pelo arquitecto que marcou as pedras a régua e compasso, (pelo menos) no topo superior da arquitrave e nos topos superior e inferior da predela, para que os elementos pétreos remanescentes se unissem correctamente nas prumadas do edifício retabular.
