Percorrer por autor "Pereira, Pedro Miguel"
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- Práticas do E-líder no uso estratégico das tecnologias para promover a inovação e a transformação digital nos centros de formação da associação de escolasPublication . Pereira, Pedro Miguel; Henriques, SusanaA transformação digital, enquanto fenómeno estrutural da contemporaneidade, tem vindo a reconfigurar profundamente os sistemas sociais, económicos e educativos, impondo novas exigências ao nível da capacitação digital das instituições de ensino e formação. Neste contexto, a emergência de tecnologias digitais e a intensificação da hiperconectividade têm contribuído para a redefinição das práticas organizacionais e dos modelos de liderança, conduzindo ao desenvolvimento de novas formas de atuação mediadas pela tecnologia. Entre estas, destaca-se a e-liderança, entendida como um processo de influência exercido em ambientes digitais, que assume particular relevância em organizações educativas caraterizadas pela complexidade, pela dispersão geográfica e pela necessidade de adaptação contínua à mudança. O presente estudo tem como objetivo analisar as práticas do e-líder no uso estratégico das tecnologias, enquanto fator potenciador da inovação e da transformação digital nos Centros de Formação de Associação de Escolas (CFAE), no quadro do Plano de Transição Digital e da Estratégia Digital Nacional. Partindo de um enquadramento teórico que articula os conceitos de transformação digital, formação contínua de professores, liderança e e-liderança, a investigação procura compreender de que forma estas práticas contribuem para a modernização das dinâmicas organizacionais e para a melhoria dos processos formativos. Do ponto de vista metodológico, o estudo adota uma abordagem mista, combinando técnicas qualitativas e quantitativas. Numa primeira fase, foram realizadas entrevistas semiestruturadas a diferentes atores do sistema educativo. A análise de conteúdo destas entrevistas permitiu sustentar a construção de um questionário, posteriormente aplicado a uma amostra de 74 formadores, formandos e diretores de agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas. A investigação integrou ainda uma análise documental das plataformas digitais dos 91 CFAE, permitindo confrontar as perceções recolhidas com evidências públicas observáveis. A triangulação das três fontes permitiu identificar um perfil de e-liderança multidimensional, no qual a competência digital, embora necessária, não se revela suficiente. O e-líder emerge como um agente estratégico, pedagógico, mobilizador, comunicador, mediador e adaptativo, capaz de articular pessoas, tecnologias e processos em torno de objetivos de mudança. Entre as práticas identificadas destacam-se o diagnóstico de necessidades e competências, o planeamento e alinhamento de prioridades, a capacitação, a colaboração através de redes e processos de mentoria, a experimentação de soluções inovadoras e a utilização de dados e feedback para apoiar a avaliação e o ajustamento das práticas. Os resultados do questionário reforçam esta leitura, evidenciando níveis elevados de mobilização das equipas para a integração digital (97%), adoção de práticas éticas (92%), existência de uma visão clara (86%) e promoção de uma cultura de inovação (85%). No plano tecnológico e formativo, destacam-se a utilização de videoconferência (99%), a capacitação digital alinhada com o Plano de Transição Digital (99%), a utilização estruturada de sistemas de gestão da aprendizagem (88%) e de ferramentas colaborativas (89%). Em contrapartida, os resultados revelam níveis menos consolidados na definição de metas claras (78%), na análise de dados (75%), no estabelecimento de parcerias sustentadas (67%) e na utilização de recursos inovadores (67%). A análise documental dos 91 CFAE confirma a existência de uma presença digital significativa, mas revela diferenças entre dimensões de desenvolvimento. Foram identificados 66 CFAE com Moodle, 86 com oferta regular de formação digital e 84 com sinais de cultura digital. A divulgação das ações apresenta-se como uma das dimensões mais consolidadas, com uma média de 3,4 numa escala de 0 a 4. Em sentido inverso, verificam-se fragilidades na acessibilidade digital e, sobretudo, nos mecanismos publicamente observáveis de melhoria contínua: o feedback digital apresenta uma média de 0,15 e a publicação de relatórios ou resultados uma média de 0,82. Estes dados devem, contudo, ser interpretados com prudência, uma vez que a ausência de evidência nas plataformas não permite concluir pela inexistência dessas práticas no funcionamento interno dos CFAE. Da integração dos resultados emerge, assim, um padrão de maturidade digital assimétrica: os CFAE apresentam maior consolidação nas dimensões operacional, comunicacional e relacional do que nas dimensões analítica, avaliativa e sistémica. A transformação digital revela-se mais avançada na utilização das tecnologias para comunicar, colaborar, formar e apoiar as escolas do que na transformação sistemática dos dados e da informação digital em conhecimento organizacional para sustentar a decisão, a avaliação e a melhoria. Conclui-se que a transformação digital nos CFAE constitui um processo em desenvolvimento, condicionado por fatores tecnológicos, humanos e organizacionais, entre os quais se destacam a resistência à mudança, as diferenças de competência digital, a integração de sistemas e a necessidade de conciliar inovação, segurança, privacidade, ética e sustentabilidade. Neste contexto, a e-liderança não se reduz ao domínio ou à utilização da tecnologia. Afirma-se como uma prática humana, relacional e organizacional, tecnologicamente mediada, através da qual o e-líder articula visão estratégica, liderança pedagógica, capacitação, colaboração, inovação e utilização responsável dos dados. Os CFAE assumem, deste modo, um papel relevante enquanto estruturas intermédias de mediação entre as políticas educativas, o desenvolvimento profissional docente e os processos de inovação e transformação digital das escolas. O estudo contribui para o aprofundamento do conhecimento sobre a e-liderança em contexto educativo e propõe um referencial exploratório para a compreensão das suas dimensões e dos diferentes níveis de desenvolvimento digital dos CFAE, suscetível de apoiar processos futuros de autoavaliação, investigação e melhoria organizacional.
