Percorrer por autor "Costa, Rui Alberto Alves Trindade"
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- O modernismo e a vanguarda de Almada Negreiros: da construção de uma modernidade ao (anti)-BildungsromanPublication . Costa, Rui Alberto Alves Trindade; Vila Maior, DionísioA tese propõe analisar como a modernidade literária europeia pode ser lida a partir de uma margem intraeuropeia, tomando a chamada modernidade periférica não como “atraso” ou derivação, mas como um ponto de observação crítico. Em vez de seguir um modelo linear centrado nas metrópoles, examina-se como hierarquias simbólicas, ritmos desiguais de legitimação e fragilidades institucionais atravessam a experiência histórica e podem reconfigurar formas e práticas de leitura. Portugal surge como caso estruturalmente ambivalente: periférico face aos centros de consagração, mas marcado por um passado imperial que impede leituras simplificadoras. Nesse quadro, a tese centra-se na prosa de José de Almada Negreiros, entendida como um laboratório em que a modernidade se inscreve materialmente na linguagem, no ritmo, na página e na tensão de voz. O corpus articula o gesto modernista ligado a Orpheu, narrativas breves e textos-limite (A Invenção do Dia Claro, Frisos, A Engomadeira, O Kágado, K4 O Quadrado Azul, Saltimbancos, Três Histórias Desenhadas) e o romance Nome de Guerra. Para descrever a produção de sentido entre códigos (verbal, visual, rítmico, gestual), propõe-se um conceito alargado de intersemiose, próximo de uma lógica intermedial, atento à montagem, aos cortes, aos silêncios e à página como superfície de composição. O eixo final lê Nome de Guerra como anti-Bildungsroman periférico: uma formação sem teleologia integradora, orientada antes por uma pedagogia do limite, da lucidez e da medida. No conjunto, a tese sugere que esta perspetiva contribui para uma leitura mais plural e menos normativa da modernidade europeia.
