Cardoso, João LuísCarvalho, António FaustinoGibaja Bao, Juan2017-01-302017-01-302013http://hdl.handle.net/10400.2/6014Confirmado no âmbito de um projecto de prospecção arqueológica visando o estudo da ocupação romana da área, o sítio de Cortiçóis foi objecto de recolhas de superfície extensivas e de escavação, em Setembro de 2010. Destes trabalhos resultou a constatação de que o sítio se encontrava profundamente afectado pelo plantio de uma vinha. Porém, o numeroso conjunto artefactual recuperado é testemunho de uma ocupação (ou sucessão de ocupações) neolítica no local, datável, pela estilística cerâmica, de finais do V milénio a.C. (a acidez do depósito arenoso impediu a preservação de matéria orgânica). A importância particular deste sítio pode resumir-se a três aspectos principais: 1) Fornece a primeira evidência de ocupação neolítica na margem esquerda do Vale do Tejo imediatamente a norte dos concheiros mesolíticos de Muge, revelando o tipo de implantação e povoamento de que se poderá ter revestido este período na região. 2) A sua cultura material, muito diversificada do ponto de vista da estilística das ornamentações cerâmicas, permite o estabelecimento de paralelos com sítios seus contemporâneos de todo o território estremenho mas evidencia particularismos que parecem indicar uma realidade própria. 3) A análise traceológica de suportes lamelares em sílex permitiu o reconhecimento de “elementos de foice” usados na ceifa de cereais. Trata-se da primeira identificação objectiva, no território português, de um conjunto de tais artefactos cuja tipologia se insere no padrão andaluz e, por consequência, permite concluir que a agricultura neolítica (pelo menos no centro de Portugal) terá sido semelhante à já documentada naquela região espanhola.porHistóriaArqueologiaNeolíticoPortugalO sítio do Neolítico Antigo de Cortiçóis - Almeirim, Santarémjournal article