COLÓQUIO INTERNACIONAL O RISO NA CULTURA MEDIEVAL, Funchal, 2003Abreu, Maria Zina deBuschinger, DanielleCoelho, Paula MendesDias, Isabel de BarrosEnes, Carlos2010-08-032010-08-032004COLÓQUIO INTERNACIONAL O RISO NA CULTURA MEDIEVAL, Funchal, 2003. - "O riso na cultura medieval : actas do Colóquio Internacional". Lisboa : Universidade Aberta, cop. 2004972-674-431-8http://hdl.handle.net/10400.2/1537O Centro de Estudos Medievais da Universidade da Picardia, o Departamento de Língua e Cultura Portuguesas da Universidade Aberta e o Departamento de Estudos Anglísticos e Germanísticos da Universidade da Madeira organizaram, em parceria, um Colóquio Internacional subordinado ao tema «O Riso na Cultura Medieval». O Colóquio decorreu nas instalações da Reitoria da Universidade da Madeira, no Funchal, nos dias 4 e 5 de Junho de 2003, tendo o evento sido acolhido com bastante entusiasmo, tanto por parte de investigadores, como por parte das forças vivas da região (órgãos oficiais, alunos e professores da Universidade da Madeira e população em geral). A riqueza e diversidade das comunicações apresentadas favoreceram a discussão e a troca de ideias, confirmando a complexidade do assunto proposto, o que, mutatis mutandis, se reflecte nos artigos reunidos nas presentes Actas. Além dos Estudos Literários, que constituem a área predominante, também são apresentados estudos e reflexões que se enquadram em outros campos do Saber, como a Linguística ou a História. A multiplicidade das abordagens apresentadas só encontra um paralelo na variedade das formas de riso consideradas, bom ou mau, lícito ou ilícito, condenado ou aceite... – tantas quantos os adjectivos possíveis: riso cruel, simpático, sinistro, insane, erótico, profético, satânico, sardónico, desconfiado, trocista, incrédulo, hostil, mau, condescendente, irreflectido, insensato, alegre, aberto, amarelo, pedagógico, cortês, de escárnio, crítico, de desprezo, irónico, sarcástico, amargo, pérfido, falso, colérico... Alguns estudos apresentam visões de conjunto, analisando o modo como o riso surge em corpora textuais específicos, caso de Danielle Buschinger e de Claire Rozier que trabalham textos da literatura alemã medieval; de André Crépin e Hélène Dauby que se debruçam sobre a produção escandinava e anglo-saxónica ou ainda de Hipólito Rafael Oliva Herrer que apresenta alguns textos da literatura castelhana medieval, com particular ênfase para os tratados normativos e médicos de finais do séc. XV. Outros intervenientes preferiram estudar obras onde eclodem temas específicos, como faz Naidea Nunes Nunes que salienta a forma como a mulher é apresentada, em vários textos peninsulares, com particular destaque para autores como Gil Vicente ou Juan Ruiz. Michèle Houdeville, por seu turno, estuda certos temas cómicos tradicionais (dificuldades da vida conjugal, problema do adultério feminino...) em contos satíricos da Idade Média francesa – os fabliaux. Isabel de Barros Dias estuda a presença do riso na forma textual específica que é a historiografia ibérica dos sécs. XIII-XIV. Para análises mais particularizadas sobre a presença e o alcance do riso na produção de um determinado autor é possível referir a obra de Christine de Pizan, estudada por Liliane Dulac; os romances de Chrétien de Troyes, vistos por Anna Kukulka-Vojtasik; a obra de Hue de Rotelande analisada por Julien Vinot ou a produção poética do italiano Manuello Giudeo (sécs. XIII-XIV), apresentada por Raniero Speelman. Inês Gonçalves, por sua vez, analisa dois contos cómicos específicos, correntes em Inglaterra, no período medieval. Divergindo um pouco da crítica literária, dois estudos analisam o vocabulário do riso, os seus campos semânticos e a sua evolução ao logo dos tempos: Geneviève Pichon faz um estudo lexical sobre o vocabulário do riso, da Antiguidade latina à Idade Média, enquanto que Marc Moser apresenta uma reflexão sobre múltiplas explicações etimológicas do vocabulário do riso, em diversos idiomas. Três artigos partem da Idade Média para encontrar a sua recuperação em outros períodos ou analogias com obras de outras épocas: Ana Isabel Vasconcelos debruça-se sobre a recuperação da figura de Gil Vicente, como personagem, no período romântico, nomeadamente por Almeida Garrett (sec. XIX); Luís Carlos Pimenta Gonçalves estuda o riso na obra Notre Dame de Paris, de Victor Hugo, um texto que recupera diversos temas medievais e Maria Emília Garcia Osório de Castro, a partir de algumas considerações sobre o papel libertador do riso na Idade Média estabelece analogias com a poética surrealista portuguesa. Finalmente, marcando uma perspectiva não-europeia do tema, Minh Ha Lo- Cicero apresenta alguns textos da literatura popular vietnamita da época feudal (sécs. X-XIV), situando ainda esta produção no quadro histórico e literário da época.porHistóriaCulturaCulturaHumorRisoLiteraturaMentalidadeIdade MédiaO riso na cultura medieval : actas do Colóquio Internacionalconference object