Batoréo, Hanna2020-02-182020-02-182015Batoréo, Hanna (2015). Linguística Cultural e o Estudo do Léxico da Língua Portuguesa (PE e PB): A linguagem-em-uso, os sentidos múltiplos e as operações de perspectivação conceptual. In: Simões, Darcila; Paulo Osório; Cecília Mollica (orgs.)(2015) Contribuição à Linguística no Brasil: um projecto de vida. Miscelânia em homenagem a Cláudia Roncarati, Rio de Janeiro: Dialogarts, Faperj. 98-143. ISBN: 978-85-8199-032-3.978-85-8199-032-3 (Impresso)978-85-8199-031-6 (Online)http://hdl.handle.net/10400.2/9330O texto foi republicado como: BATORÉO, Hanna Jakubowicz (2015). Linguística Cultural e o Estudo do Léxico da Língua Portuguesa (PE e PB): A linguagem- em-uso, os sentidos múltiplos e as operações de perspectivação conceptual. In: Almeida, Ariadne Domingues; Elisângela Santana dos Santos & Juliana Soledade (org.). Saberes Lexicais: mundos, mentes e usos. Salvador: EDUFBA, 217-254. ISBN 978-85-232-1390-9Pela Linguística Cultural entendemos um ramo da Linguística Cognitiva que se dedica ao estudo do modo como as línguas naturais reflectem e “corporizam” (cf. embodiment) as culturas que veiculam. Perspectivado deste modo, o nosso entendimento da Linguagem é cognitivo-funcional, social e culturalmente inserido, conforme defendido globalmente pela Linguística Cognitiva (cf. Silva 2009). Nele, a Linguagem surge como meio de conhecimento em ligação com a experiência humana do mundo – ou seja, a base pragmática e experiencial da linguagem-no-uso) – sendo observada e analisada ao nível de línguas particulares usadas em multiplicidade de registos, em contextos sociais e culturais diferenciados (diferentes níveis e tipos de variação linguística). A noção de Cultura aqui adoptada é definida do ponto de vista antropológico (Goodenough 1964 apud Anusiewicz 1994; cf. Hymes 1964) como um conjunto relativamente integrado de conhecimentos e de crenças, característico de uma comunidade, organizado por padrões e adquirido no seu meio através da interacção dos seus membros. Os que são abrangidos pela Cultura precisam de ter acesso a estes conhecimentos a fim de nela poderem viver e agir e se sentirem aceites por outros, desempenhando papéis determinados pela comunidade. Defende-se, por conseguinte, que não se trata de um fenómeno material, estanque, que se compõe de coisas, pessoas ou comportamentos. Pelo contrário, a Cultura é pensada, antes, na dimensão cognitiva das interacções humanas – com grande destaque para a interacção verbal –, em função dos modelos de percepção, associação e interpretação do mundo, partilhados pelos intervenientes sociais (dimensão sociolinguística) e guardados na mente (dimensão psicolinguística). O estudo da rede de ligações e interdependências entre a Linguagem e a Cultura implica um conceito da Linguagem como um sistema fortemente enraizado na Cultura e na vida social, em geral, determinando a comunicação intra e intercultural (i. e., "crosslinguistic studies", na literatura anglossaxónica), bem como o ensino e a aprendizagem das línguas. O presente estudo foca a polissemia de itens linguísticos portugueses que, nas variedades do Português Europeu e do Português do Brasil, podem corresponder a conceitos culturais diferentes, dada a sua contextualização conceptual e culturalmente diferenciada nos respectivos países.porLinguística culturalLinguística cognitivaCorporização / embodimentPolissemia / sentidos múltiplosPortuguês Europeu - PEPortuguês do Brasil - PBLinguística cognitivo-funcionalLinguagem-em-usoVariação linguísticaLéxico do portuguêsEstudos interlinguísticos/crosslinguistic studiesInteracção verbalLinguística cultural e o estudo do léxico da Língua Portuguesa (PE e PB): a linguagem-em-uso, os sentidos múltiplos e as operações de perspectivação conceptualbook part