Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.2/720
Título: Gravidez e maternidade na adolescência: um estudo no Município de Uberaba Estado de Minas Gerais - Brasil
Autor: Reis, Lyria Maria dos
Orientador: Ramos, Natália
Palavras-chave: Adolescência
Comunicação em saúde
Estudo de casos
Gravidez
Maternidade
Sexualidade
Sociologia da saúde
Brasil
Human development
Health
Adolescence
Sexuality
Sex education
Contraception
Pregnacy
Motherhood
Health information systems
Health communication
Data de Defesa: 2007
Citação: Reis, Lyria Maria dos - Gravidez e maternidade na adolescência [Em linha] : um estudo no Município de Uberaba, Estado de Minas Gerais - Brasil. Lisboa : [s.n.], 2007. 225 p.
Resumo: Trata-se de um estudo sobre a gravidez e a maternidade na adolescência no município de Uberaba, estado de Minas Gerais, Brasil. A gravidez e a maternidade na adolescência são considerados um problema de saúde e social nos países ocidentais desenvolvidos, que pode afectar a saúde das jovens, dos seus filhos e o seu percurso de vida. O número de nados vivos de mães adolescentes em Uberaba no ano de 2005 foi de 700 bebés, uma percentagem de 18,59% do total de nados vivos do município. O objectivo geral deste estudo foi conhecer e compreender a realidade da gravidez e maternidade na adolescência, nas diferentes dimensões de saúde, socioeconómicas e culturais no município de Uberaba. O enquadramento teórico incidiu sobre a saúde, seus determinantes e desenvolvimento humano; sobre a adolescência, sua construção ao longo dos tempos e as transformações biológicas e psicológicas que ocorrem nesta fase da vida; sobre a sexualidade, a contracepção e a comunicação em saúde e educação sexual e sobre a gravidez e a maternidade na adolescência nas diferentes dimensões sanitárias, psicossociais, económicas e culturais no município de Uberaba. O estudo empírico comporta duas partes: a primeira, apresenta uma análise histórica e sociodemográfica dos nascimentos ocorridos no município nos anos de 2001 a 2005, através da análise das bases de dados do SINASC – “Sistema de Informações de Nascidos Vivos". Foram feitas análises dos nascimentos de bebés de mães de 10 a 19 anos comparativamente aos nascimentos de bebés de mães com 20 anos e mais; a segunda parte apresenta os resumos das histórias de vida de 25 adolescentes gestantes e a análise de conteúdo das entrevistas. Os principais resultados obtidos da análise dos nascimentos e das entrevistas são os seguintes: a percentagem de nados vivos de mães adolescentes variou de 21,69% no ano de 2001 para 18,59% no ano de 2005, demonstrando uma tendência decrescente. As jovens são na maioria solteiras, têm entre 4 e 11 anos de escolaridade e a maior parte não trabalha ou é estudante. Os partos realizados foram 100% hospitalares com uma percentagem de partos por cesariana variando entre 41% (2003) e 48,6% (2005). As mães adolescentes realizaram menos consultas de pré-natal e os seus bebés nasceram com peso mais baixo que os filhos de mães com 20 anos e mais. A jovem que engravida tem em média 17 anos, na maioria dos casos é solteira ou vive em união de facto com seu namorado. Relativamente à escolaridade, 56% das jovens têm o ensino fundamental incompleto e apenas 12% completaram o ensino médio. Em 76% dos casos as mães destas adolescentes também foram mães antes dos 20 anos de idade. Os pais dos bebés eram, em média, 3 a 6 anos mais velhos do que as mães. O rendimento mensal familiar era de 2 salários mínimos. A maioria das jovens não trabalhava ou tinha emprego precário. Na maioria das jovens a menarca ocorreu aos 13 anos e a primeira relação sexual aos 15 anos. 100% das jovens conheciam 2 métodos contraceptivos, o preservativo e a pílula anticoncepcional, sendo a escola e a família as principais fontes de informação acerca da questão. Quanto ao desejo da gravidez, 48% responderam afirmativamente, enquanto que 52% não desejaram a gravidez. As jovens que desejaram a gravidez relataram sentimentos positivos enquanto as jovens que não desejaram relataram principalmente sentimentos negativos. Os apoios/suportes sociais foram, na maioria dos casos os informais, sendo a família e o pai do bebé os mais importantes. Quanto aos apoios/suportes sociais formais, os serviços de saúde aparecem em primeiro lugar, porém com uma frequência de apenas 6 casos. O início do acompanhamento pré-natal foi mais frequente na idade gestacional de 1 mês e meio e 3 meses de gravidez, tendo sido adiado pelo medo da jovem em contar aos pais a situação de gravidez. O principal projecto de vida anterior à gravidez era o estudo, seguido do trabalho e casamento/filhos. Em relação às perspectivas futuras, 11 jovens ainda não ponderaram a questão, enquanto que 8 têm uma perspectiva positiva a respeito do futuro. Conclui-se que estas jovens mães adolescentes de Uberaba fazem parte de um grupo de jovens inseridas em famílias caracterizadas por precariedade social e desorganização familiar, com poucas oportunidades de escolarização, que tiveram necessidade de trabalhar, ainda que trabalho precário, para obterem algum rendimento financeiro. As jovens têm alguns conhecimentos acerca de contracepção mas não o suficiente para utilizarem um método contraceptivo adequadamente. Buscam através da maternidade um novo papel para as suas vidas e visualizam nos filhos, uma oportunidade para se sentirem amadas e seguras. Conclui-se que estas jovens necessitam de mais informação, conhecimento e orientação a respeito da sexualidade e da contracepção e de mais apoio familiar e de serviços de saúde e sociais adequados às suas necessidades, para que possam fazer a opção pela maternidade no momento mais adequado das suas vidas. As adolescentes necessitam também de aumentar a sua auto-estima, de ter acesso a educação e saúde de qualidade, a actividades sociais, culturais e de lazer e a formação adequada de forma a aumentar as oportunidades de realização pessoal e profissional, reduzindo o ciclo de perpetuação da pobreza, aumentando o nível de desenvolvimento humano e a qualidade de vida e bem-estar
This is a study about pregnancy and motherhood in adolescence in the city of Uberaba, state of Minas Gerais, Brazil. Pregnancy and motherhood in adolescents are considered both social and health problems in developed industrial countries that can affect the mother’s health and his life perspective and the child’s health. The numbers of adolescent mothers’ born alive children in Uberaba during the year of 2005 were 700 babies, 18.59% of total born alive babies in the city. The main objective of this study was to know and to understand the reality of teen pregnancy and motherhood in their different dimensions: health, cultural and socioeconomic in Uberaba. The theoretical formulation was focused on health and its determinants on human development; on adolescence, its construction along time and the biological and psychological transformations that occur in this period of life; on sexuality, contraception and sex education and health communication in this context; and on the pregnancy and motherhood in adolescence and their health and psychosocial dimensions. The empirical study includes two parts: the first one presents a historical, social and demographic analysis of births occurred in Uberaba from 2001 to 2005, based on analysis of databases of the SINASC (Born Alive Information System; "Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos"). The numbers of babies born from 10 to 19 year-old mothers was compared to the number of babies born from mothers over 20. The second part summarizes the life histories of 25 pregnant adolescents and presents the results of interviews realized. The main results of the analysis of the births and the interviews are: the percentage of born alive babies from adolescent mothers ranged from 21.69% in the year of 2001 to 18.59% in the year of 2005, demonstrating a decreasing tendency. The young mothers were in the majority single ones; they studied between 4 and 11 and most of them were not working or studying. The childbirths had been 100% in hospital, with a caesarian birth varying from 41.0% (2003) to 48.6% (2005). The adolescent mothers had gone to few prenatal consultations and its babies had been born with lower weight than the ones whose mothers were more them 20 years old. The mothers got pregnancy at 17 average age, being in the majority single or living together with their boyfriends. With respect to schooling, 56% of the young women have incomplete elementary education and only 12% had completed secondary education. In 76% of the cases the mothers of these adolescents had also been mothers before the 20 years of age. The babies’ fathers were, in average, 3 to 6 years older than the mothers. The family monthly income was of 2 minimum salaries. The majority of the young women didn’t work or had no stable job. The young mothers had (in average) their menarche at the age of 13 and their first sexual intercourse occurred at 15. 100% of the young women knew 2 contraceptive methods: the condom in first place and the contraceptive pill. Their knowledge concerning contraception was got mainly in school and afterwards with their families. When questioned if they desired the pregnancy, 48% had answered affirmatively, while 52% hadn’t desired the pregnancy. The young women that desired the pregnancy referred to positive feelings while the young women that didn’t desired it referred to negative feelings. An important social support was given by the family and the baby’s father. As for public social support it was reported in the first place the Health Services, but only for 6 teen mothers. The beginning of prenatal follow-up appointments, that is since the first month of gestation period up to 3 months of pregnancy, was postponed because of the fear of the young women in telling their parents about being pregnant. Their main life project before they found out they were pregnant was to study followed by working, and get married and have children. In relation to future perspectives, 11 young women had still not thought about what to do, while 8 ones had a positive perspective regarding the future. We conclude that these teenage mothers in Uberaba are part of a group of young women belonging to families hit by high rates of poverty, social precariousness and family disorganization, with poor chances of schooling and needed to work to get some financial income. These young women have some knowledge about contraception but not enough to use correctly a contraceptive method. Motherhood seems to be like a search for a new role in their lives and they view their children as chance to be felt loved and safe. We also conclude that these young women need more information, knowledge and guidance regarding sexuality and contraception, more family, social and health services to their necessities, so that they can make an option for the motherhood at the right moment of their lives. Teenage mothers also need to increase their self-esteem, to have access to quality education and health services, to have social, cultural and leisure activities, that contribute to their formation to increase their chances of personal and professional success, reducing the cycle of ever-lasting poverty, and at the same time, can they increase the level of human development and quality of life and well-being
Descrição: Dissertação de Mestrado em Comunicação em Saúde apresentada à Universidade Aberta
URI: http://hdl.handle.net/10400.2/720
Aparece nas colecções:Mestrado em Comunicação em Saúde / Master's Degree in Health Communication - TMCS

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